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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cordeis de duplo sentido

O HOMEM QUE PERDEU A ROLA

Ao Tuca pedi licença,
Pra sua história contar.
É fato não brincadeira
O que tenho pra narrar.
Esta tragédia, amigos,
Foi mesmo de amargar.

Este Caso sucedeu
Em Ipueiras Ceará.
E fez minha cidade
De tristeza até chorar.
A cidade combalida
Nunca viu tanto pesar.

Todos conhecem Tuca,
Nem precisa apresentar.
Dono de um restaurante.
Que é muito popular.
Comerciante querido,
Tem o dom de agradar.

Tuca era muito feliz,
Com filhos e sua mulher.
Também tinha sua rola,
Que sempre estava de pé,
Não largava sua pomba
Um instantinho sequer.

Não sei se foi mau olhado,
Praga ou coisa assim.
Só sei que sua alegria.
De repente teve fim.
O homem perdeu a rola,
Meu Deus que coisa ruim!

Ipueiras toda chorou
Foi grande a comoção.
Não era uma rolinha,
Na verdade era um rolão.
Muita gente importante,
Já tinha passado a mão.

A mulher soluçava
Abraçada ao marido.
E ele se lamentava
Por a rola ter perdido.
Tudo virou tristeza,
Depois do acontecido.

Quando era à tardinha,
Na hora da ave Maria,
Tuca pegava sua rola
Com jeito recolhia,
E agradecia aos céus.
A rola que possuía.

Sua querida esposa,
Entrou numa depressão
Pois sua maior alegria
Era ter a rola na mão.
Ela chora de saudades
Pela rola do patrão.

Tuca perdeu a alegria
Perdeu a satisfação.
Vivia coçando a rola
Por debaixo do balcão
Sem rola e sem alegria
É grande a aflição.

Amigos afagavam
Aquela rola singela
Tuca sempre exibia
Pondo ela na janela.
Era uma boa atração
Todos gostavam dela.

Muita gente chorou
É a mais pura verdade,
Homem que perde a rola
É digno de piedade.
Tem uma vida vazia
Perde a felicidade.

A história dessa rola,
Ainda não acabou.
Não estou de sacanagem,
E lhes peço, por favor.
A rola é um passarinho,
Não o que você pensou!

O martírio dessa rola,
Foi de cortar coração.
Um dia Tuca encontrou
A pomba ferida no chão.
E tratou do passarinho,
Que virou de estimação.

A rolinha vivia solta,
Andando pra lá e pra cá
No ombro de Tuca ela,
Gostava de passear.
Era bem interessante
Era mesmo de admirar.

Até hoje não se sabe,
O que de fato aconteceu.
Se ela foi atrás de Tuca,
E no caminho se perdeu.
Ou se ela foi roubada
Por um infame ateu

Só sei que a rolinha
Foi e deixou saudades.
A família e os amigos
Gostavam de verdade,
Da graciosa rolinha
Que era a novidade.

Tuca perdeu a sua rola,
Porém ganhou um cordel.
Quem pensou em sacanagem.
Não fez bonito papel.
Peço desculpa ao Tuca
Se no relato fui cruel.

Amigos,
Este é um cordel de minha autoria que ainda está na gráfica mas já estou apresentando aos amigos que gostam desse tipo de literatura. Eu tenho paixão pela cultura popular. Principalmente pelas histórias típicas do Nordeste que quase sempre resultam e cordéis engraçados.
Meu abraço a todos Dalinha Catunda.

Cordel de Dalinha Catunda.
Capa: Xilo de Erivaldo.
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A ROLA DA RÔ
*
Dalinha, se eu tivesse
Uma rola igual ao Tuca,
Certamente não estaria
Metendo mão em cumbuca
A minha levantou vôo,
E sumiu de forma brusca.
**
Agora, vivo nos cantos,
E sempre a procurar
Nova rolinha bonita
Para eu poder criar,
E no meu computador
O seu retrato postar.
***
Depois que perdi aquela
Rolinha afeiçoada,
Não largo da internet
Pesquiso sem achar nada!
Mas outra vou encontrar
Nem que seja a pelada.
****
Uma rolinha elegante
Magrinha e poderosa
Não poria na gaiola
Isto é caçada perigosa,
Mas se eu conseguir uma
Vou ficar é orgulhosa!
*****
Amiga, agora paro,
De em tanta rola falar.
Quero sair desse rolo
Louca eu não vou ficar,
Quando uma rola se vai
Outra pega seu lugar.

(Maria Rosário Pinto)
Rio, 31/05/2010

4 comentários:

Karine disse...

nelcima vc é uma otima cordelista e eu estou fazendo um trabalho na escola sobre vc foi um enorme prazer de saber um pouquinho sobre sua vida e sua obra.

joyce disse...

Tambem gotei muito do seu cordeu,e estou tentando fazer um tb, e estou pegando dicas pelo seu.Agora vou consigir fazer, muuuuuuito obrigada. Bj

Anônimo disse...

gostei do seu cordel,vc é uma otima cordealista,foi um enorme prazer dete conhecer. thcau

Gracita disse...

Bom dia Nelcima
Literatura de cordel é uma das mais exuberantes que conheço. Me apaixonei pelo tema quando fiz curso de pós graduação e defendi na minha monografia a literatura de cordel como veículo de produção textual no mundo midiático. A sensiblidade da Dalinha e Rosário na descrição da avezinha como sempre brilhante.
E você nos presenteou com estas belíssimas pérolas. Obrigada minha flor pela partilha.
Beijinhos de luz e uma boa semana
Gracita