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terça-feira, 15 de maio de 2012

Mãe, mainha, mamãe

MÃE É um ser sublime
Mulher em forma de flor
 Sua bondade é tanta
 Que até esconde sua dor
 Exprime as suas maravilhas
 Jorrando faíscas de amor.

 Mãe que também é ternura
 Mãe que também é emoção
 Mãe que contenta seu filho
 Com sua suave expressão
 De um amor que nunca encerra
 Dentro do seu coração.

 Seja jovem ou idosa
 Seja pobre, tem amor.
 Seja rica ou sem estudo
 Prá nós é sempre uma flor.
 Está sempre com seu filho
Seja na alegria ou na dor.

 Para todas as mamães
Eu quero aqui dedicar
Todo carinho do mundo
 Pra esta rainha do lar
 E pedir ao Pai Eterno
 Para sempre lhe abençoar.
 Feliz dia das mães!

Outros malefícios do tabaco

Vou apresentar pra vocês
 Uma coisa impressionante
 O poder do tabagismo
 Veja como é desgastante
 Agride o nosso planeta
 E também seu habitante.

 A natureza agradece
 O seu bom entendimento
 Eu quero neste poema
 Prestar-lhe um conhecimento
 Dos males do tabagismo
 E esperar procedimento.

 Sabe aqueles incêndios
 Que queimam sem compaixão?
 Muitos são frutos do tal
 Do conhecido piolão
 Que são jogados à toa
 Acesos como um tochão.

 Sejam “chepas” ou “bitucas”
 Assim também são chamadas
 As piolas, oh! meu povo,
 Quando elas são jogadas
 Numa beira de estradas
 Provocam muitas queimadas.

 Uma ponta de cigarro
 Em área de preservação
 Se for jogada acesa
 Mesmo sem ter a intenção
 Provoca em mata seca
 Uma grande queimação.

 Também tem outro efeito
 Pelo cigarro causado
 O acúmulo do piolão
 Que nas águas é jogado
 Causa um grande impacto
 É caso de ser pensado.

 O fumo é prejudicial
 Você pode ter certeza
 Para o homem e o planeta
 Você não sabe a grandeza
 Do suicídio do campo
 Por causa dessa moleza.

 Moleza do ser humano
 Por não querer evitar
 O vício do tabagismo
 Vai com o homem acabar
 O seu habitat e seu corpo
 E um deserto deixar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Homenagem à Dalinha Catunda

Academia dos Cordelistas do Crato homenageia Dalinha Caunda


CORDEL DE SAIA divulga homenagem prestada à poeta Dalinha Catunda feitas pelo acadêmicos da Academia dos Cordelista do Crato – ACC. Josenir Lacerda, como de costume, feliz em suas composições, não deixou a desejar sobre a parceira de blog. Captou com muita sensibilidade a saga desta mulher valente, guerreira e que ultrapassou todas as dificuldades que a vida lhe apresentou, sem contudo curvar-se à adversidade, antes pelo contrário, retirou dela a energia e a inspiração para transformar a dor em prazer de poetar. Josenir Lacerda afirma a saga de Dalinha Catundo nos versos abaixo:
*
Dalinha Catunda a Abelha do Sertão
1
Vieram me perguntar
Quem é mesmo essa Dalinha
Que tão faceira caminha
Sem no verso tropeçar
Que sabe tão bem falar
Com carinho e precisão
Das belezas do sertão
Empolgada e sem preguiça
Nossa saudade ela atiça
No forno do coração
2
Essa “cabôca” sem par
Respondo sem ter receio
É daqui do nosso meio
Digo sem medo de errar
Da cultura popular
É ferrenha protetora
É mestra e divulgadora
Enaltece o seu valor
Com zelo e com destemor
Do cordel é defensora
3
Em Ipueiras nascida
Na sua história mergulha
Da sua terra se orgulha
Fala dela comovida
É temática preferida
No verso e na poesia
Visita com alegria
O seu berço abençoado
Onde viveu no passado
E se dedica hoje em dia
4
É poeta cordelista
Com destaque no cenário
E no palco literário
Ela é protagonista
Não perde a cena de vista
Pois sabe como atuar
Nem precisa simular
O enredo lhe pertence
Essa brava cearense
Tem história pra contar
5
Para falar de Dalinha
Tem que falar de roçado
De floresta, rio e gado
Fogão de lenha e cozinha
Do baú na camarinha
Guardando sonho e segredo
Da chuva e do arvoredo
Emoldurando a paisagem
Do vaqueiro de coragem
Que enfrenta a vida sem medo
6
Tem que citar reza e fé
História de assombração
E o ribombar do trovão
No dia de São José
O canto do caboré
A cantiga do vim-vim
O orvalho do capim
Depois de fina garoa
Falar de cantiga e loa
Mel de engenho e alfenim
7
É a típica sertaneja
Tão criativa e prendada
Que do pouco ou quase nada
Retira o que ela deseja
Conquista tudo que almeja
Pela determinação
Busca sempre a solução
Com base no otimismo
Contorna qualquer abismo
Com fé, garra e devoção
8
Dalinha é flor agrestina
Sem laço com a primavera
É a certeza da espera
No sorriso de menina
É professora que ensina
A regra do bem viver
Sempre disposta a aprender
Retira a lição na dor
Na certeza que o amor
Sempre irá prevalecer
9
Posso dizer que ela é
Da mulher representante
Pois a postura garante
Da sertaneja de fé
Nadando contra a maré
Conquistou a calmaria
Hoje abriga a alegria
Dela faz repouso e leito
Tem no carisma e no jeito
A doçura de Maria
10
É esposa dedicada
Mãe amiga e exemplar
Porém sabe regular
Na hora necessitada
Pra ela, a palavra dada
Pode bater, mas não volta
Com o errado se revolta
Enfrenta pedra e espinho
Até achar o caminho
Achando, pega e não solta
11
Dalinha quando verseja
Não precisa de viola
O verso sai da cachola
Da forma que ela deseja
Feito um manjar na bandeja
Dourada da inspiração
Faz da rima refeição
Se der um tema ela aceita
Se o mote é fraco ela ajeita
Com seu toque de condão
12
É exímia cordelista
E ao cordel é dedicada
No verso sabe ser fada
No palco já é artista
No jornal e na revista
Sua foto eu avistei
Confesso que me orgulhei
Porque já sou sua fã
E um sentimento de irmã
Por ela sempre terei
13
Já ouvi ela falar
Que é abelha do sertão
Que faz mel, mas tem ferrão
Pra hora que precisar
Ela não sabe atacar
Mas sabe se defender
Se a marmota aparecer
Não corre, fica e enfrenta
A peleja ela agüenta
Até botar pra correr
14
Só quem conhece é que sabe
O valor dessa mulher
Que luta pelo que quer
Nem que a muralha desabe
Mas só entra onde lhe cabe
Porque tem discernimento
Escolhe a hora e o momento
O rumo e a direção
Porque só entra em ação
Pra garantir o evento
15
Modesta apresentação
Eu ousei oferecer
E quem quiser mais saber
Vai ter que entrar em ação
Buscar rumo e direção
A ela se dirigir
Então irá assistir
A um atraente relato
Enredo de sonho e fato
Que dá prazer de ouvir
16
Pois pra definir Dalinha
Carece mais que um cordel
Haja verso, haja papel
Pra falar dessa rainha
Mas no espaço que eu tinha
Dei meu singelo recado
O resto fica guardado
Nossa amizade é quem diz
Que ela seja bem feliz
E o seu lar abençoado
(Josenir Lacerda)
*
Nos primórdios de nossa literatura, à mulher cabia o papel de musa – a bela mulher que inspirava a todos,como: mãe, esposa, e filha exemplar. Responsável pela condução do lar (a organização dos afazeres domésticos, à satisfação social do marido, a educação dos filhos, etc). Dalinha recusa-se a engrossar o caldo das musas passivas e objeto temático de poetas. Rompe fronteiras e quebra preconceitos e esteriótipos. Veja no poema abaixo:
*
Sou assim...
Não peço licença à musa
Quando quero poetar.
Na hora que o santo arreia
Meto pau a registrar
Minha simples poesia,
Onde não vejo heresia
Em meu modo de atuar.
*
Tenho dois nomes de santa,
Que me foi dado na pia.
O segundo é Lourdes
O primeiro é Maria.
Mas pra fugir desta linha
Preferi usar Dalinha,
Que é a cara desta cria.
*
Da minha mãe eu herdei
O sobrenome Aragão,
O herdado de meu pai
Causa certa confusão
Mesmo rimando com bunda
Gosto do nome Catunda
E uso com satisfação.
*
Não curto meias palavras
Meu pavio é meio curto,
Mesmo assim sou atinada
Por pouco, não entro em surto.
Não sou de mandar recado
Não sei o que é pecado
E de viver não me furto
(Dalinha Catunda)
*
Sua coragem e generosidade são contagiantes, nos anima na busca de novos caminhos. Por esta razão me atrevo a dizer que Dalinha Catunda é o que os grandes menestréis identificam como poeta “musa cheia”.
Os versos que dedico a ela, fruto de sua generosidade são:
*
Apresento para vocês
Uma Cobra bem criada
Versos de Dalinha são,
Pra ficar embasbacada
Seu humor é transbordante
E de forma apimentada
(Rosário Pinto)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A natureza jorrando






(fotos minhas - mostram um pouco da trilha feita p/ chegar à cachoeira)

A Cachoeira do Roncador

Merece um grande registro
O que vou apresentar
Cachoeira do Roncador
É um belíssimo lugar
No brejo paraibano
Aonde se vai encontrar.

Local de grande beleza
Nos passa tranqüilidade
É só sair do seu ninho
Em busca de qualidade
O seu destino é o brejo
Lá tem possibilidade.

Andando por uma trilha
Pro sossego usufruir
Se depara com o belo
Para um espetáculo assistir
É o som da cachoeira
Querendo lhe atrair.

Atrai todo ser humano
Que vive em busca de paz
Amantes da natureza
Uma visita sempre lhe faz
Um lençol d’água estrondoso
De relaxar é capaz.

Atrai muitos praticantes
Do montanhismo, então
São 45 metros
Caindo em busca do chão
É um jorrar d’água bonito
Que faz bem pro coração.
poema postado anteriormente, mas que merece ser revisto. 05/10

cordel no carnaval do salgueiro

CORDEL NO SALGUEIRO
*
O Cordel que já vivia
Nos cafundó do sertão
Primeiro chegou ao rádio
Depois a televisão
Agora na mão de bamba
Será enredo de samba
Embalando a multidão.
*
Quero ver o salgueirense
Levantar a arquibancada
Na cadência do cordel
Quero ouvir a batucada
Vou fazer um escarcéu
Vou tirar o meu chapéu
Vou pra avenida animada.
*
Eu quero ver o triângulo
Repinicando alegria,
O zabumba e a sanfona
Unindo-se a bateria
O som vindo do agreste
É som de cabra da peste
Que de fato contagia.
*
Eu quero ver o salgueiro
Dando conta do recado
Enaltecendo o cordel
Com este enredo arretado
Quero ver a multidão
Saudando com animação
O meu cordel encantado.
*
É o branco e o encarnado
Dando cor ao carnaval.
É o cordel desfilando
Num enredo sem igual.
É no Rio de Janeiro
Que faz bonito o salgueiro
E o cordel dá seu aval.
*

Texto Dalinha Catunda

sábado, 11 de fevereiro de 2012

texto de Rosário Pinto em resposta ao poema O Tempo de ser feliz

O TEMPO DE SER FELIZ

Dizia Mário Quintana
Sobre a felicidade
Que pro homem ser feliz
Só existe uma idade
Pra se sonhar, fazer planos
E enfrentar dificuldade.

Somente um tempo na vida
De cada pessoa é possível
Ter energia bastante
E se tornar invensível
Se encantar com a vida
Pra nada ser impossível.

Se encantar com a vida
E apaixonado viver
Desfrutar do nosso mundo
E em harmonia se manter
Não ter medo e não ter culpa
De demonstrar o prazer.

Viver uma fase dourada
E ser capaz de criar
Criar a felicidade
Uma boa vida recriar
Investir na própria imagem
Pro seu ego melhorar.

Vestir-se de todas as cores
Alegrar o coração
Provar de vários sabores
Sempre com educação
Valorizar a saúde
E às vezes dizer não.

Tempo de entusiasmo
E coragem pra mostrar
Que todos os desafios
São convites pra lutar
Esses convites à luta
Não se deve ignorar.

Lutar por disposição
E enfrentar novidade
Tentar de novo e de novo
Pra encontrar felicidade
Quantas vezes for preciso
Sempre há possibilidade.

Essa idade que falo
Não está distante, não!
Tão fugaz na nossa vida
Do INSTANTE tem a duração
É o PRESENTE, é o AGORA,
Aproveite-a meu irmão!

Um beijão pra todos!
Nelcimá
*


Querida Nelcimá Cordel de saia agradece sua contribuição.
Visite: www.cantinhodadalinha.com
www.rosarioecordel.blogspot.com

Obrigada Nelcimá,
Por aqui chegar e ficar.
Este blog é das mulheres,
As que sabem poetar.
Estamos muitos felizes,
Por trazer suas raizes
Na arte de versejar.

Esperamos as demais
Amigas do Ceará.
Paraíba já chegou
Deixando o nome por cá
Cheguem, sem aparato!
Todas mulheres do Crato!
Dona Josenir, venha cá.

Não podemos esquecer
Da xará, dona Lustosa
Que é poeta de porte,
E também muito famosa.
Contou a história do Crato,
Em versos, mostrou o retrato.
Numa saga primorosa.

Beijão pra vocês,
Rosário

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Santa Luzia - padroeira da minha cidade natal



Vou falar de uma virgem
Que muita história deixou
História de vida e fé
De sofrimento e de dor
Conto orgulhosa e atenta
Tudo o que a moça passou.

Luzia foi uma jovem
Que através da humildade
Foi proclamar ao Deus vivo
Vivendo em castidade
Com amor pelos humildes
Praticando a caridade.
Uma cidade paganada.

O mundo inteiro conhece
A história de Luzia
Viveu no sul da Itália
E todo mundo sabia
Do seu exemplo de fé
Do bem que a todos fazia.
...
Ameaçada de estupro
Mas firme na decisão
Queria sempre ser casta
Pra sua santificação
Templo do espírito Santo
Era assim seu coração.

Luzia disse ao juiz:
―Meu Deus não vai me julgar
Se à força oferecer
Incensos para adorar
Aos ídolos, sem vontade
Para os homens agradar.

Foi dando provas de fé
Que a virgem confiou
Numa proteção divina
Ao juiz desafiou
Uma mensagem de Paulo
Pr’aquele homem citou.

O “Tudo posso Naquele
Naquele que fortalece”
Dito pela virgem Luzia
Pr’aquele homem parece
Causou ainda mais ira
O homem quase enlouquece.

O seu nobre pretendente
Que a tudo assistia
Fez uma outra tentativa
Para convencer Luzia
Dava outra oportunidade
Casar com ela queria.

Fez-lhe muitos elogios
Falou da convicção,
Enalteceu sua beleza,
E de anjo a sua feição,
Do seu olhar a pureza,
De fiel o coração.

A legenda popular
Narra a sua decisão
De arrancar os seus olhos
Pra oferecer ao então,
Jovem fidalgo e ao mundo
Causando admiração.

Contam ainda de outros olhos
Que em Luzia surgiram
Mais perfeitos e radiantes
No seu rosto todos viram
Que era Santa, acreditaram
E isso não omitiram.

A virgem foi resistindo
A investida jogada
Com sua superioridade
Que por Jesus foi lhe dada
Mas piche, azeite e resina
No seu corpo foi jogada.

Fizeram grande fogueira
Do seu corpo padecido
Subiram as labaredas
Mas Luzia, tenho lido,
Saiu ilesa da fúria
Daquele povo perdido.

Demonstrativo de fé
Dessa jovem sofredora
Que quando de olhos fechados
Era uma boa oradora
Chamava sempre por Deus
Da Palavra uma cumpridora.

O juiz com grande raiva
Ao seu soldado ordenou
A morte da virgem Santa
Que na história ficou
Atravessando uma espada
No seu pescoço, a matou.
...

Era 13 de dezembro
Do ano 303
Luzia deixava o mundo
E muita falta ela fez
Deixou como ensinamento
Exemplo de fé, altivez.

Na cidade Siracusa
Seu corpo foi sepultado
E para Constantinopla
Bem depois foi transportado
À Imperatriz Teodora
Esse corpo foi doado.

A virgem de quem eu falo
É a nossa Santa Luzia
Que belo exemplo de fé
Nessa donzela se via
Fazer homenagem a ela
Há muito tempo eu queria.


trechos do poema "O martírio de uma virgem" de minha autoria

sábado, 10 de dezembro de 2011

convite de casamento em cordel


Estamos preparando o casamento do bombeiro Rodolfo e da enfermeira Sheila



Convite feito em cordel ( este não foi entregue)

Aos 21 de janeiro
Queremos lhe convidar
Fique este dia conosco
Venha nos prestigiar
Rodolfo e Sheila irão
Bem felizes para o altar.

Contamos com a sua presença
Para esses jovens abençoar
Igreja de Nossa Senhora
Da Conceição, será lá
Que juntos vamos torcer
Para esse amor sempre durar!

Para uma festa bonita
Estamos nos preparando
Veja nas fotos acima
No que estamos trabalhando
Pra lhe oferecer docinhos
Rosas vamos confeccionando.

nelcimá morais (a mãe do noivo)

sábado, 15 de outubro de 2011

Parabéns, professor!

HOMENAGEM AO DIA DO PROFESSOR*

Migro pelo universo
No reverso do que sou
Para descrever em verso
O dia do Professor
Incluindo ele e ela
O signo MESTRE revela
Num sentido mais profundo
A constância de um querer
Arquitetando um saber
Na estrutura do mundo

Não seja apenas durante
A passagem desse dia
Mas, que perdure adiante
Essa homenagem sadia
Que toda a humanidade
Tome sensibilidade
E consciência do amor
E sinta na substância
O valor, a importância
Da função de Professor.

Mais que ator e atriz
No espetáculo da sala
Procura fazer feliz
A geração a quem fala
Às vezes estira o passo
E mediante o cansaço
Se vale da devoção
Supera a corrida louca
Busca força onde tem pouca
Mas cumpre sua missão.

Enfrenta horas de pico
Nos valores de um querer
E muitas vezes faz bico
Pra poder sobreviver
Mas, o poder, sem piedade,
Nega ao povo, na verdade,
O saber que ele merece
E o poderoso malvado
Torna o povo alienado
E ao professor desconhece.

O mandante vive rindo
No paraíso de Adão
Desfrutando e se nutrindo
Para os tempos de eleição
Muita conversa bonita
Promessa e banda que agita
Para melhor convencer
Custe o preço que custar
Tudo ele pode gastar
Pra se manter no poder

O povo padece as dores
Por ele não tem ninguém
Senão esses professores
Que o valorizam tão bem
Nas vastas salas de aula
Nos lugares onde falam
Com muita simplicidade
A mensagem de ação
Faculta ao povo a noção
Da sua realidade.

Enquanto o mestre prepara
As aulas com mui labor
O mandante fecha a cara
Pra punir o professor
Faz-lhe a vida complicada
Aumenta sua jornada
Tira gratificação
Mas o mestre não se abate
Embora o salário falte
Se orgulha da profissão.

O Professor tem a luz
Que vem das auras silvestres
Descendente de Jesus
Que foi o mestre dos mestres
Provou que o ensino muda
O conhecimento ajuda
Na constante evolução
Que funciona mudando
Pra mudar funcionando
Conforme a superação.

O exemplo da grandeza
De São Francisco de Assis
Que buscou na natureza
Um modo de ser feliz
Ao falar aos animais
Do jeito que um mestre faz
Dinamizando harmonia
Da vida una e serena
Embala o ecossistema
Com suma sabedoria.

Outros Mestres, cuja chama
Ao mundo iluminou
Buda, Confúcio e Brahma
Fraternas luzes de amor
E outros sábios da história
Que marcaram na memória
Os grandes ensinamentos
Paulo Freire, o Professor
Na voz do povo o valor
E na palavra o alimento.

Converte em felicidade
O que seriam agruras
Prepara a sociedade
Para as gerações futuras
Desde que a gente é criança
Vem dos Mestres a substância
Fruto da experiência
Ensina e também aprende
E o aluno compreende
A sua eficiência.

Mas, às vezes, seu dilema
Sensivelmente extravasa
Vem aluno com problemas
Originados em casa
O professor acha um jeito
De corrigir o defeito
Deixando a tal questão pronta
Mas essa pessoa crua
Às vezes, o vê na rua
Mas nem sequer lhe fez conta.

Somente a educação
Traz ao povo o seu valor
O novo e a tradição
Pela voz do Professor
Êta, que profissão bela!
Tanto dele quanto dela
Gêneros unificados
Deles depende o futuro
Esses Heróis tão seguros
Merecem ser respeitados.

Viva o Dia dos Mestres!
....................................................................

João Pessoa, PPLP - 14. 10. 2011

(*) Nélson Barbosa de Araújo
Doutor em Letras

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nossa Senhora do Rosário


Na minha querida Santa Luzia estão celebrando, nesta semana, a festa de Nossa Senhora do Rosário. É uma grande festa, na qual se destacam os festejos dos negros do Rosário.




UMA LENDA DA SENHORA DO ROSÁRIO

Ao povo bom sertanejo
Eu quero agora dizer
Há muita coisa passada
Que jamais vamos esquecer
São lembranças valiosas
Que nos faz enriquecer.

Como sou uma amante
Da cultura popular
Pra vocês faço questão
De com orgulho mostrar
Aquilo que mais me recorda
E também dela falar

Das lembranças que eu guardo
No meu humilde coração
Cito uma para vocês
Que nunca vou esquecer, não,
É da festa do Rosário
Que pra mim é um festão.

Nossa Festa do Rosário
É assim denominada
Culturalmente ela é
Pelo povo pesquisada
Reúne uma multidão
Por ser uma festa animada.

Sempre no mês de outubro
Essa festa é celebrada
A Senhora do Rosário
Que por todos é amada
Traz os seus filhos de longe
Querendo lhe ver ornada.

Ornada por seus festejos
Chamando muita atenção
Com os negros do Rosário
Arrasando coração
Mostram seus reis e rainhas
No meio da multidão.

Manifestações folclóricas
É o que você vai encontrar
São muitos grupos formados
Querendo se destacar
Congos, reisado e pontões
E outros lá vão estar.

Tem a cabaçal, uma banda,
E um cortejo real
Tudo em grande comitiva
Faz uma mostragem legal
Mostram o ciclo do rosário
Que pra eles é ideal.

O novenário e a quermesse
A comida típica, então,
Muita dança e muito canto
É assim a manifestação
Alegram nossa cidade
Nos enchendo de emoção.

Pra entender essa festa
Decidi ir pesquisar
Isso que eu falo aqui
Fui em Santa Luzia encontrar
Agradeço a Bernadete
Que muito veio me ajudar.

Destrincho com muito orgulho
Aquilo que pesquisei
Com a ajuda da amiga
Muita informação busquei
E digo para você:
Muito emocionada fiquei.

O social elevado
Do ex-escravo irmão
Foi idéia de um padre
Jesuíta em ação
Chamava-se Gabriel
Um homem de coração.

Formou uma irmandade
Com essa veneração
Foi fundada no Brasil
Com uma preocupação
Elevar o social
Também a religião.

Irmandade do Rosário
É bonita a sua história
Fala de uma aparição
Que pros negros foi uma glória
Receberam a proteção
De Nossa Senhora, uma vitória!

Essa virgem apareceu
Com um rosário na mão
Na cidade de Luanda
Só não foi no Brasil, não,
Foi numa cidade africana
Que se viu sua aparição.

No alto de uma montanha
Nossa Senhora se via
O homem branco tentou
Trazer a imagem queria
Para uma igreja local
Mas o homem não conseguia.

Lá sempre estava a imagem
Com um rosário na mão
Todo dia amanhecia
No lugar da aparição
E os negros observando
Pois lhes chamava a atenção.

Resolveram um belo dia
Aquela imagem buscar
Prepararam instrumentos
Esperaram a folga chegar
Com pífano, bombo e outras coisas
Foram a imagem encontrar.

Foi uma grande surpresa
O que viram acontecer
Os brancos ficaram mudos
E a você vou dizer
Foi muito fácil pros negros
Conseguir a virgem trazer.

Os negros trouxeram a virgem
E na capela colocaram
Foi um dia de emoção
A muitos emocionaram
Eles ganharam o dia
Porque a imagem buscaram.

A partir desse momento
A virgem permaneceu
Na capela do local
E o branco entendeu
Aquele valor histórico
E um bom nome lhe deu.

Os brancos deram seu nome
Pra ficar reconhecida
“A protetora dos negros”
Ficou assim conhecida
A nação negra então
Ficou bem agradecida.

Observe os detalhes,
A riqueza encontrada
Na lenda da aparição
Pelo negro cultivada
São os louros da cultura
Do negro valorizada.

Nelcimá – J. Pessoa – 20 /05/09.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O arcanjo Rafael



Em homenagem ao padroeiro da minha paróquia, que está em festa, resolvi contar a sua história do meu jeitinho.

Eu ouvi num belo dia
Alguém contar uma história
Sobre a vida de uma jovem
Que conseguiu uma vitória
Ela tinha uma maldição
E um anjo a fez cantar glória.

Foi aí que decidi
Para mim era importante
Mostrar ao povo cristão
Esse fato interessante
Preste atenção, meu amigo
O caso é impressionante.

A história desse anjo
Eu queria muito contar
Mas as minhas informações
Não davam pra completar
Este humilde cordel
E tive que pesquisar.

Pesquisei na Internet
Ao povo fui perguntar
Procurei a vida dos anjos
E o que eu queria encontrar
Busquei na Bíblia Sagrada
No livro de Tobias está.

No Antigo Testamento
Cita o anjo Rafael
Simbolizando poder
Como também Gabriel
Fidelidade e glória
E mais um anjo Miguel.

Seu nome significa
A expressão “Deus te cura”
Sua maior característica
Nunca perde a estrutura
Está naquele que pede
E sua ajuda procura.

Esse Deus que cura leva
Os homens a encontrar
O caminho que procura
Para crises superar,
Pedem a São Rafael
Pra sua doença curar.

O grande anjo Rafael
Da saúde é um guardião
Age também no espírito
Deixando-o forte e são
Nas horas de desespero
Nos acalma o coração.

O arcanjo Rafael
Dizia ser Azarias
Apareceu disfarçado
Filho do grande Ananias
Companheiro de viagem
Daquele jovem Tobias.

Rafael foi enviado
Para Tobit curar
De sua grande cegueira
E para sara livrar
Do demônio Asmodeu
Que lhe vinha atormentar.

Ela vivia perseguida
Pelo demônio jurada
Que matou sete maridos
Com quem Sara foi casada
Durante noite de núpcias
Deixando-a desesperada.

Tobias tinha um destino
Pra com a moça casar
Temia que aquele demônio
Fosse também lhe matar
Mas Rafael prometeu:
Nenhum mal vai lhe afetar.

Foi aí que Rafael
Um remédio lhe ensinou:
No quarto nupcial,
Na hora que você for,
Faça o que vou lhe dizer
Não se esqueça, por favor!

Com o queimador de incenso
Pode pra Sara pedir
Queime o coração e o fígado
Fazendo a fumaça subir
O demônio fugirá
Quando o seu cheiro subir.

Os pais da moça ali
Não continham a agonia
Ficaram lá esperando
O que sempre acontecia
Mas Tobias confiou
No que Rafael dizia.

Obedecendo ao amigo
Fez o que foi lhe mandado
Livrou Sara do demônio
Executou com cuidado
O dever que por um anjo
A Tobias foi confiado.


A fama de São Rafael
Como um bom curador,
Isso, também pesquisei,
Num belo rio começou
Tobias foi lavar os pés
E um peixe da água saltou.

Esse peixe que saltou
Queria seu pé devorar
Rafael disse ao jovem
Você pode o peixe pegar
Não deixe ele fugir
Tobias consegue agarrar.

Atendeu àquele anjo
Queria nele confiar
Que mandou pegar o peixe
E fosse o seu fel tirar
Dizendo que era remédio
E muito mal ia curar.

Pediu que tirasse o fígado
E também o coração
Que pra espantar demônio
Fazia-se uma queimação
Demônio sumia pra sempre
No meio do fumação.

Vou falar também do fel
Que por Tobias foi tirado
Pra mancha branca nos olhos
Ele era muito indicado
Provou assim com Tobit
De sua cegueira curado.

São Rafael, grande santo
Veio pro mundo em missão
Curar os pobres e ricos
E sem pedir permissão
Chegou com função divina
Não admitia omissão.

Na história de Rafael
Ensinamento de vida ficou
Lutar pelos seus irmãos
Com muito afinco lutou
Indo em busca de Deus
Medicina para os seus
Amando e sendo doutor.


Nelcimá Morais

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

APRESENTAÇÃO DE CORDEL NO DIA DO FOLCLORE







Aproveitei o momento de comemoração de Dia do Folclore para recitar o cordel de minha autoria: Travessuras do Saci Pererê.
A Escola Estadual Antônio Pessoa recebe a contribuição de um grupo de amigos da escola que a torna cada vez mais inovadora. Como é o caso do poeta Polibio Alves, entre outros.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aldeia Flor D'água





Um paraíso,minha gente!
Encontrei neste lugar
E fica aqui no Nordeste
D'uma beleza sem par
É fonte de água jorrando
E seu corpo vai banhando
Até lhe purificar.

Isto aqui é uma prova
Que Deus também visitou
Nossa terra que sofrida
Brota também o amor
Zela pela natureza
Que a mão divina deixou.

Textos e fotos de Nelcimá Morais

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O pico do yayu





O Pico do Yayu, ou Pedra do Yayu, localiza-se a 10 km da cidade de Santa Luzia, com uma altitude de 606 m. O pico é exce­lente para a prática de escalada e rapel, com uma belíssima paisagem para contemplação. O por do sol no alto do Yayú apre­senta beleza única.
Já a Serra do Yayu, fica distante 14 quilômetros de Santa Luzia, apresenta diferentes formas até ser alcançada, dependendo do ângulo em que é observada. Em determinado momento, lembra o Pão de Açúcar, do Rio de Janeiro. Localizada a 300 metros de altitude do nível do mar, é um convite natural à escalada. Uma boa dica é iniciar a subida por volta das 15 horas para chegar a tempo de ver o pôr-do-sol lá do alto. A experiência é inesquecível. Quem não se incomodar de descer à noite, pode demorar um pouco mais no pico da serra e, com um pouco de sorte, ter a lua à disposição em um cenário magnífico. Depois, é só fazer rapel. Para as pessoas que não querem se submeter a riscos desnecessários, o apoio de equipes experientes na prática deste tipo de esporte é imprescindível. Qualquer vacilo, será fatal. O uso de protetor solar, além de roupas e calçados adequados para andar no solo seco e, em alguns trechos, pedregoso e espinhoso, também é obrigatório para evitar arranhões.
O nome da Serra do Yayu tem origem em uma história que atravessa gerações em Santa Luzia. Contam os mais velhos que uma índia perseguida por um morador local, Teodósio Oliveira Ledo, procurou refúgio na serra. Encontrada, ela foi açoitada até a morte. Antes de morrer, teria gritado a expressão Yayu, que possui significados divergentes entre os historiadores. Alguns traduzem a expressão como "Ali, Deus" e outros como "Morro Espinhoso".

Fontes: http://praibasimsenhor.blogspot.com/2009/01/pico-yay.html
http://www.santaluzia.pb.gov.br/index.php?pg=noticias&id=89

A PERSEGUIÇÃO DE UMA ÍNDIA NO PICO DO YAYU

Aqui em Santa Luzia
Existe um monte isolado
Indo para São Mamede
Ele fica bem dum lado
Dividindo as duas cidades
De YAYU é chamado.

YAYU é gigante
Um filho da natureza
Quem olha de bem distante
Vê quão grande é sua riqueza
Aqueles que passam ali
Admiram a sua grandeza.

Muitos índios lutadores
Ao teu lado batalharam
Vivendo com suas mulheres
Que a ele as confiaram
Redemoinho e tempestade
Nunca lhe incomodaram.

Gigante observador
Fitando o céu com ternura
Vem nos trazer emoção
Tanta beleza perdura
Mostre bem para os seus filhos
Essa tão bela figura.

Há uma lenda que diz
Das sílabas pronunciadas
Que formando YA YU
Duas podem ser contadas
Ditas por uma mulher
E até hoje lembradas.

Essa lenda ainda conta
Que era indígena a mulher
Fugindo de Teodósio
Por ser um branco qualquer
Correu em busca do morro
Que pra ela era um Pajé.

Ficou lá refugiada
Uma cabana construiu
E quando à procura d’água
Um dia a índia saiu
Não reparou que um branco
Bem de longe a perseguiu.

A índia foi perseguida
E quando foi alcançada
Diante dos traidores
Ela ficou acuada
Olhava sempre pro pico
Querendo ser abençoada.

Na subida desse monte
A índia não escapou
Sabia que ia morrer
E para o monte apontou
Fitando bem o seu pico
E YAYU exclamou.

YAYU foi um grito
No instante de sua morte
Era uma mulher anônima
Imaginamos seu porte
Seria uma linda história
Se ali houvesse um repórter.

YA seria advérbio
Depois de bem pesquisado
Significando ALI
E o YU estudado
Seria o “SER SUPREMO”
Dando esse resultado.

YAYU é um pico
Com muita interpretação
Seu Ademar pesquisou
Essa esquisita expressão
Pra ele seria ALI, DEUS!
Será que há tradução?

Aquela mulher indígena
Que ao sozinha ficar
Num morro bem desolado
Tivesse a procurar
O mistério do YU
Para uma história deixar.

Talvez dentro dela houvesse
Muita pergunta a fazer
Por que essa destruição
De sua gente ao querer
Viver com honestidade
Sem a ninguém ofender?

Para aqueles bárbaros brancos
Muito queria dizer
Que destruíram sua gente
Sem mesmo a ninguém temer
Que ali estava DEUS
O GRANDE E SUPREMO SER.

Por isso digo a vocês
De tanta interpretação
Essa é mística e inspirada
Parece na solidão
Na imponência do morro
Caracterizando a impressão.

Mostro aqui mais um estudo
Dum grande pesquisador
De José Elias Borges
Um profundo conhecedor
Dos topônimos indígenas
Dessa estória um sabedor.

Ele decifra outra coisa
Do YAYU uma tradição
Diz que é morro espinhoso
Mostrando convicção
Mas o que importa é que a lenda
Envolve a população.
Nelcimá Morais

A Cruz da Menina




A Cruz da Menina
Eu vou contar pra vocês
a história d´uma menina
que nasceu lá no sertão
uma alma nordestina
e que teve sua infância
tirada na ignorância
de uma madrasta malina.

Seu nome era Francisca
Chiquinha devia ser
uma menina querida
com as irmãs a crescer
quando uma seca maldita
lhe fez a pior desdita
botando tudo a correr.

Foi aqui na Paraíba
que o ocorrido se deu
lá em Patos de Espinharas
foi bem lá que aconteceu
essa história interessante
dessa família penante
e que até já morreu.

Quem nasce lá no sertão
duas coisas pode ter
ou ser muito abençoado
ou ter vindo pra sofrer
ter vindo viver uma graça
ou pagar uma desgraça
na medida do viver.

Lá se conta uma história
de uma nordestinada
que nasceu só pra sofrer
desde o dia da chegada
a seca tirou-lhe o brilho
e a dor foi o seu trilho
de inocência apagada.

Uma família sem nome
sofrendo uma seca cruel
passando de arretirada
a pé debaixo do céu
confiou em adoção
uma filha do coração
a um casal bem fiel.

Para não morrer de fome
essa menina foi dada
a esse casal de nome
foi assim tão confiada
e partiram pelo mundo
o primeiro e o segundo
sem saber qual das estradas.

Neste sertão sem porteira
o sol faz sua seara
o mundo nos apresenta
dizendo logo de cara
que a vida nasce de cacho
quem quiser saia de baixo
em Patos das Espinharas.

Nessa ribeira querida
onde a beleza existe
na fulorada da terra
na vida que sempre insiste
sou obrigado a contar
no decorrer do narrar
uma história bem triste.

Em pleno século XX
no ano de 23
arreparem a tragédia
em outubro, 11 do mês
numa noite escurecida
Francisca perdeu a vida
vou contar só pra vocês.

Nasceu em família pobre
fugida de seca braba
um casal de arretirante
por amor a filha salva
e dando por doação
a filha do coração
para outras duas almas.

Domila e Absalão
o casal agraciado
em vez de criar Francisca
com amor e com cuidado
aproveitaram a questão
usaram da escravidão
cometeram esse pecado.

Francisca, pobre coitada
não podia nem brincar
vivia sua infância
somente pra trabalhar
olhando pela janela
c´uns olhos brincava ela
com as crianças do lugar.

Domila saiu à noite
foi buscar Absalão
deixando Francisca em casa
ainda lavando o chão
que depois de terminado
devia dar por fechado
janela, porta e portão.

Francisca se esqueceu
de fechar a tal janela
Domila quando chegou
estufou logo a titela
pensando qu´era ladrão
depois de buscar em vão
se lembrou loguinho dela.

Acordou a pequenina
debaixo de cacetada
com a trave da janela
lhe castigou de pancada
e sem a menor razão
tentada lá pelo cão
matou Francisca a paulada.

Embrulharam a menina
ainda de madrugada
e lá fora da cidade
entre pedras foi jogada
encontrada noutro dia
foi aquela agonia
e a Deus encomendada.

Botaram ali uma cruz
enfeitaram c´umas fitas
Justiniano passava
sofrendo uma seca maldita
e se botou a pedir
numa oração pr´ela ouvir
numa promessa bendita.

O pedido era de água
pro mundo não padecer
o que já vinha sofrendo
não deu outra, pode crer
água veio de montão
um mar saía do chão
o milagre era de ver.

Pelo milagre alcançado
necessidade suprida
Justiniano agradece
fazendo ser construída
uma Capela formosa
para a menina bondosa
por sua prece atendida.

Por conta dessa Capela
um parque ali se formou
abriu-se a boca do céu
pra terra esse anjo olhou
intercedendo por quem
rezando dizendo amém
precise do Criador.

Quem recebe um milagre
pedido numa oração
sabe do qu´estou falando
sabe dessa emoção
pois quem tem crença na terra
esperança não enterra
enquanto for um cristão.

Cheio dessa devoção
o romeiro agradecido
vem no parque humildemente
vem trazer em seu sentido
e assim como eu boto
deposita seu ex-voto
do milagre merecido.

Tem um dia todo ano
calendário da Igreja
que todo romeiro sonha
todo coração almeja
enfeitar todos os postes
festejar o Pentecostes
o fiel assim deseja.

A festa começa cedo
entra pela madrugada
procissão levando a Santa
o luzeiro na estrada
o romeiro agradecido
reza o terço no sentido
de Francisca abençoada.

A menina dessa cruz
inda não reconhecida
hoje é Santa do Povo
é fiel e é querida
e ao lado do sacrário
ilumina o santuário
de Maria concebida.

Foi escrava nessa terra
mas ganhou o paraíso
fulorou nosso sertão
aguou o mais preciso
deu perfume a nossa vida
nesse chão de tanta lida
com o ar de seu sorriso.

Francisca, nossa menina!
ajude nossos irmãos
rogai pelos desprovidos
amansai nosso patrão
enchei a vida de flores
recebei nossos amores
em troca desse sertão.

Construído pelo Estado em 1993, com o apoio da
Prefeitura de Patos-PB e sua Diocese, o Santuário da
Cruz da Menina se presta a lembrar a pequena
Francisca, morta no ano de 1923, adorada e vene-
rada nos dias de hoje como uma Santa do Povo.

Cordelista Marco di Aurélio

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A pedra do Tendó










(Fotos minhas)

É muito gratificante ficarmos por algum tempo nesse local que nos enche de emoção. Como são belos e grandiosos os feitos do Nosso Criador. Além de curtirmos a vista panorâmica, ainda podemos degustar das comidas típicas (buchada) e lavarmos as mãos como fazíamos nos tempos da vovó.


Escrito por Administrator
As várias lendas da Pedra do Tendó

A pedra do Tendó serviu de inspiração a vários poetas e sobre ela correm inúmeras lendas. Distante, aproximadente, três quilômetros de Teixeira, faz parte da Reserva Ecológica criada em 16 de outubro de 1992.
Segundo alguns, o nome Tendó é atribuído ao grito desesperado de uma vítima que, após ferrenha discussão e luta com um inimigo, teria caído no abismo. Tem dó Era o apelo que ecoava ao longe captado por moradores das proximidades, como pedido de clemência.
Em registro vernacular, Tendó significa abrigo. O local de fato, era usado pelos tropeiros, servindo de pouso durante as viagens feitas pelos comerciantes que partiam das Espinharas em destino a Pernambuco.
Com uma altitude aproximadamente 800 metros, o bloco cristalino que aflora de cima do morro é circundado por rochas graníticas isoladas. Conhecida como a "pedra que geme", ou que chora, tem apavorado muitas pessoas e aguçado a curiosidade de outras. Na realidade, o fenômeno é explicado pelo eco produzido pela propagação do som.
Como a pedra do Tendó está localizada à margem da estrada que liga Patos a Teixeira, a ela é atribuído outro fato extraordinário. Uma força energética age possibilitando a subida dos veículos na ladeira, mesmo estando desligado o moto. O fenômeno, para alguns viajantes e moradores da área, é atribuído aos poderes da pedra.(NOTA do WebMaster: "Na verdade este é um fenômeno explicado pela Física, como a inclinação da Serra é maior que a inclinação da ladeira que é de sentido oposto, faz com que o carro esteja descendo a serra e não subindo a ladeira pelo efeito da força da gravidade).
Outra lenda diz respeito aos inúmeros acidentes envolvendo pessoas atraídas pela imensidão do precipício.
Há o caso dos irmãos Clarindo e Ramiro. Este último, noivo de Juliana, teria encontrado a sua amada juntamente com o irmão, num passeio romântico, sobre a pedra. Assustados por terem sido flagrados, teriam perdido o equilíbrio e mergulhado para a morte.
Contam os antigos que Ramiro não teve mais sossego depois desse acidente, tendo desaparecido. Tempos depois, caçadores teriam encontrado trapos de pano, servindo de ninho às aves da redondeza, e afirmaram ser restos da roupa do rapaz.
Segundo narram o crédulos, em noite de lua aparece ao longe a imagem de um casal, passeando sobre a rocha; noutro local, surge uma figura, lamentando-se da traição sofrida e do complexo de culpa por ter provocado a morte dos entes queridos.
Há ainda a versão de que o irmão traído se atracara com o traidor e este teria caído no abismo aos gritos tem dó, e que Juliana, tendo enlouquecido, vivera por muito tempo, rondando o local em busca do seu amado.
A ex-prefeita de Teixeira, Sra. Rita Nunes Pereira, construiu uma santuário, onde colocou uma imagem de Nossa Senhora das Graças, que é visitada por diversas romarias. A prefeita teria recebido uma carta de um funcionário do Detran em João Pessoa, que nunca teria ouvido falar na tal pedra, e que sonhara com Nossa Senhora das Graças e no sonho ela dizia que enviasse uma carta a prefeita de Teixeira para que ela colocasse numa pedra, chamada tendó, uma imagem de Nossa Senhora das Graças, pois Teixeira fora escolhida para a passagem do seu filho quando voltasse à Terra.
O mais interessante foi quando, abriram a pedra pra fazer a gruta para Santa e já estava lá o local oco, e até um pequeno pedestal, para ser colocada a imagem. Algumas pessoas que fizeram promessas lá, já tiveram seus pedidos atendidos.

Xavier, Maria do Socorro Batista. De Canudos a Teixeira.,2000
Escrito por Administrator
A maldição do Teixeira pelo Padre Ibiapina
Na gente do Teixeira, perdurou por muito tempo a memória da maldição que o Pe. Ibiapina lançou sobre o Teixeira. Quando surgia alguma desgraça ou tragédia, logo se ouvi o comentário: " E' a poeira das sandálias do Padre Ibiapina, que paira sobre o Teixeira".

O Padre Ibiapina fizera missões na serra do Teixeira, e ali iniciara com auxilio do povo a construção do cemitério, que posteriormente recebeu a benção (07/06/1860) em outra santa missão pregada pelo capuchinho Frei Serafim. Isso, antes do inicio do paroquiato do vigário Bernardo. Logo que este chega, desencadeia-se uma onda de crimes e cangacerismo, enlutando as famílias Teixeirenses e criando um abismo de ódio e vinganças. E' nesse ambiente que volta o Pe. Ibiapina. A 20 de janeiro de 1864, escrevia o Teixeirense em seus ataques polêmicos: "Tivemos também a honrosa visita do Rev. Ibiapina; prestou revenatas serviços. Deixou em começo uma casa de Caridade. Caridade nesta terra, teatro de malversações e de crimes! Procurou conciliar os espíritos, mas uns tais Dantas que aqui temos para nosso flagelo e dos habitantes do lugar, não quiseram conciliar". Diante disso, o Padre Ibiapina lançou o seu repto profético.

"O estado deste termo e' horrível, seu paradeiro será fatal. Por sua devassidão e' uma Sodoma. O Reverendo Ibiapina já' declarou que o castigo dos céus estava iminente. Sendo convidado para vir de novo aqui missionar, recusou, declarando que em lugar, onde a virtude vive suplantada e aterrada, e o vicio e o crime progredindo e florescendo, não podia assistir sem que primeiro o castigo de Deus se fizesse conhecido certo".

Como o contexto da a entrever, o objetivo da maldição não foi diretamente o povo Teixeirense, mas sim "o vicio do crime", bem como a recusa de conciliação. Alias, a politicagem suja, o banditismo, a desunião das famílias foram sempre visto por muitos Teixeirenses como a verdadeira maldição do Teixeira. O Pe. Ibiapina só' teria denunciado a causa de uma " maldição " já' existente.

Textos retirados do site: Teixeirapb.com.br

terça-feira, 26 de julho de 2011

Divulgando o cordel

Amigos,
Se for possivel divulguem este evento para mim.
Um abraço a todos,
Dalinha

CORDEL NA FLIT

O Governo do Estado do Tocantins, por meio da Secretaria de Educação realizará, no período de 25 de julho a 03 de agosto de 2011, em Palmas, a Feira Literária Internacional do Tocantins – FLIT.

O cordel que vem tendo um ano promissor terá um espaço especial na FLIT. Além de cordelistas, repentista e declamadores de vários Estados a ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, convidada, terá boa parte de seu colegiado participando deste evento.
O Presidente Gonçalo Ferreira da Silva, Mestre Azulão, Chico Salles Moreira de Acopiara, Manoel Monteira e eu Dalinha Catunda uma saia entre tantas calças.

Farei o recital: “Sertaneja, Sim Senhor!” Em duas apresentações, nos dias 30 e 31. Além de nossas apresentações teremos o espaço Estação Cordel na Praça dos Girassóis para expor e vender nossos cordéis
O Cordel de Saia dará mais informações no decorrer da semana.
Abaixo um poema de minha autoria para Palmas:
*
BELA DAMA DO CERRADO

Palmas, linda capital
No centro desta nação
Totalmente programada
Assim foi tua construção
Muito bem arborizada
E vendo-a fico encantada
E até faço louvação.
*
És maior em Tocantins
Mimosa flor do cerrado,
Tão jovem e tão bonita
Bem segura em teu traçado
Olhando tuas palmeiras
Relembro minha Ipueiras
Que até hoje é meu condado.
*
A Palma do buriti
Que é farta no Jalapão
E também é encontrada
Pras bandas do meu sertão.
Bela dama do cerrado,
Neste encontro bem marcado
Roubaste meu coração


--

Dalinha Catunda
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com

domingo, 3 de julho de 2011

Paraíba em verso










tema: Literatura popular - O caso do cordel

Objetivo: Fomentar a discussão sobre a importância deste tipo de literatura na cultura nordestina, a utilização de tecnologias da informação e divulgação a produção regional da literatura de cordel.
Dia: 05 de julho de 2011
Local: Auditório 211 do CCSA, ás 19:30h.

Atrações culturais:
Pescoçinho da Paraíba
Beto Brito (lançando seu novo cordel)

palestrantes:
Professora Beth Baltar
e convidados

sexta-feira, 1 de julho de 2011

São João em Sta Luzia/PB






Esta é a minha cidade
Este é o meu São João
Amo demais minha terra
Mas lá eu não vi cordel, não,
Fiquei muita chateada
Por tamanha omissão.

Barraca pra todo lado
Muita gente pra dançar
Mas esqueceram um pouquinho
Da Cultura popular
Cordel e artesanato
Ninguém encontrou por lá.

Terra de grandes poetas
Muito artista popular
É gente bem criativa
Muita coisa pra mostrar
Saindo de sua cidade
Pro seu bem apresentar.

Todo artista merece
O seu produto vender
Não sei qual foi o motivo
Por que quiseram esconder?
Uma barraquinha de cordel
Nos ia favorecer.