
Na minha querida Santa Luzia estão celebrando, nesta semana, a festa de Nossa Senhora do Rosário. É uma grande festa, na qual se destacam os festejos dos negros do Rosário.
UMA LENDA DA SENHORA DO ROSÁRIO
Ao povo bom sertanejo
Eu quero agora dizer
Há muita coisa passada
Que jamais vamos esquecer
São lembranças valiosas
Que nos faz enriquecer.
Como sou uma amante
Da cultura popular
Pra vocês faço questão
De com orgulho mostrar
Aquilo que mais me recorda
E também dela falar
Das lembranças que eu guardo
No meu humilde coração
Cito uma para vocês
Que nunca vou esquecer, não,
É da festa do Rosário
Que pra mim é um festão.
Nossa Festa do Rosário
É assim denominada
Culturalmente ela é
Pelo povo pesquisada
Reúne uma multidão
Por ser uma festa animada.
Sempre no mês de outubro
Essa festa é celebrada
A Senhora do Rosário
Que por todos é amada
Traz os seus filhos de longe
Querendo lhe ver ornada.
Ornada por seus festejos
Chamando muita atenção
Com os negros do Rosário
Arrasando coração
Mostram seus reis e rainhas
No meio da multidão.
Manifestações folclóricas
É o que você vai encontrar
São muitos grupos formados
Querendo se destacar
Congos, reisado e pontões
E outros lá vão estar.
Tem a cabaçal, uma banda,
E um cortejo real
Tudo em grande comitiva
Faz uma mostragem legal
Mostram o ciclo do rosário
Que pra eles é ideal.
O novenário e a quermesse
A comida típica, então,
Muita dança e muito canto
É assim a manifestação
Alegram nossa cidade
Nos enchendo de emoção.
Pra entender essa festa
Decidi ir pesquisar
Isso que eu falo aqui
Fui em Santa Luzia encontrar
Agradeço a Bernadete
Que muito veio me ajudar.
Destrincho com muito orgulho
Aquilo que pesquisei
Com a ajuda da amiga
Muita informação busquei
E digo para você:
Muito emocionada fiquei.
O social elevado
Do ex-escravo irmão
Foi idéia de um padre
Jesuíta em ação
Chamava-se Gabriel
Um homem de coração.
Formou uma irmandade
Com essa veneração
Foi fundada no Brasil
Com uma preocupação
Elevar o social
Também a religião.
Irmandade do Rosário
É bonita a sua história
Fala de uma aparição
Que pros negros foi uma glória
Receberam a proteção
De Nossa Senhora, uma vitória!
Essa virgem apareceu
Com um rosário na mão
Na cidade de Luanda
Só não foi no Brasil, não,
Foi numa cidade africana
Que se viu sua aparição.
No alto de uma montanha
Nossa Senhora se via
O homem branco tentou
Trazer a imagem queria
Para uma igreja local
Mas o homem não conseguia.
Lá sempre estava a imagem
Com um rosário na mão
Todo dia amanhecia
No lugar da aparição
E os negros observando
Pois lhes chamava a atenção.
Resolveram um belo dia
Aquela imagem buscar
Prepararam instrumentos
Esperaram a folga chegar
Com pífano, bombo e outras coisas
Foram a imagem encontrar.
Foi uma grande surpresa
O que viram acontecer
Os brancos ficaram mudos
E a você vou dizer
Foi muito fácil pros negros
Conseguir a virgem trazer.
Os negros trouxeram a virgem
E na capela colocaram
Foi um dia de emoção
A muitos emocionaram
Eles ganharam o dia
Porque a imagem buscaram.
A partir desse momento
A virgem permaneceu
Na capela do local
E o branco entendeu
Aquele valor histórico
E um bom nome lhe deu.
Os brancos deram seu nome
Pra ficar reconhecida
“A protetora dos negros”
Ficou assim conhecida
A nação negra então
Ficou bem agradecida.
Observe os detalhes,
A riqueza encontrada
Na lenda da aparição
Pelo negro cultivada
São os louros da cultura
Do negro valorizada.
Nelcimá – J. Pessoa – 20 /05/09.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Nossa Senhora do Rosário
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O arcanjo Rafael

Em homenagem ao padroeiro da minha paróquia, que está em festa, resolvi contar a sua história do meu jeitinho.
Eu ouvi num belo dia
Alguém contar uma história
Sobre a vida de uma jovem
Que conseguiu uma vitória
Ela tinha uma maldição
E um anjo a fez cantar glória.
Foi aí que decidi
Para mim era importante
Mostrar ao povo cristão
Esse fato interessante
Preste atenção, meu amigo
O caso é impressionante.
A história desse anjo
Eu queria muito contar
Mas as minhas informações
Não davam pra completar
Este humilde cordel
E tive que pesquisar.
Pesquisei na Internet
Ao povo fui perguntar
Procurei a vida dos anjos
E o que eu queria encontrar
Busquei na Bíblia Sagrada
No livro de Tobias está.
No Antigo Testamento
Cita o anjo Rafael
Simbolizando poder
Como também Gabriel
Fidelidade e glória
E mais um anjo Miguel.
Seu nome significa
A expressão “Deus te cura”
Sua maior característica
Nunca perde a estrutura
Está naquele que pede
E sua ajuda procura.
Esse Deus que cura leva
Os homens a encontrar
O caminho que procura
Para crises superar,
Pedem a São Rafael
Pra sua doença curar.
O grande anjo Rafael
Da saúde é um guardião
Age também no espírito
Deixando-o forte e são
Nas horas de desespero
Nos acalma o coração.
O arcanjo Rafael
Dizia ser Azarias
Apareceu disfarçado
Filho do grande Ananias
Companheiro de viagem
Daquele jovem Tobias.
Rafael foi enviado
Para Tobit curar
De sua grande cegueira
E para sara livrar
Do demônio Asmodeu
Que lhe vinha atormentar.
Ela vivia perseguida
Pelo demônio jurada
Que matou sete maridos
Com quem Sara foi casada
Durante noite de núpcias
Deixando-a desesperada.
Tobias tinha um destino
Pra com a moça casar
Temia que aquele demônio
Fosse também lhe matar
Mas Rafael prometeu:
Nenhum mal vai lhe afetar.
Foi aí que Rafael
Um remédio lhe ensinou:
No quarto nupcial,
Na hora que você for,
Faça o que vou lhe dizer
Não se esqueça, por favor!
Com o queimador de incenso
Pode pra Sara pedir
Queime o coração e o fígado
Fazendo a fumaça subir
O demônio fugirá
Quando o seu cheiro subir.
Os pais da moça ali
Não continham a agonia
Ficaram lá esperando
O que sempre acontecia
Mas Tobias confiou
No que Rafael dizia.
Obedecendo ao amigo
Fez o que foi lhe mandado
Livrou Sara do demônio
Executou com cuidado
O dever que por um anjo
A Tobias foi confiado.
A fama de São Rafael
Como um bom curador,
Isso, também pesquisei,
Num belo rio começou
Tobias foi lavar os pés
E um peixe da água saltou.
Esse peixe que saltou
Queria seu pé devorar
Rafael disse ao jovem
Você pode o peixe pegar
Não deixe ele fugir
Tobias consegue agarrar.
Atendeu àquele anjo
Queria nele confiar
Que mandou pegar o peixe
E fosse o seu fel tirar
Dizendo que era remédio
E muito mal ia curar.
Pediu que tirasse o fígado
E também o coração
Que pra espantar demônio
Fazia-se uma queimação
Demônio sumia pra sempre
No meio do fumação.
Vou falar também do fel
Que por Tobias foi tirado
Pra mancha branca nos olhos
Ele era muito indicado
Provou assim com Tobit
De sua cegueira curado.
São Rafael, grande santo
Veio pro mundo em missão
Curar os pobres e ricos
E sem pedir permissão
Chegou com função divina
Não admitia omissão.
Na história de Rafael
Ensinamento de vida ficou
Lutar pelos seus irmãos
Com muito afinco lutou
Indo em busca de Deus
Medicina para os seus
Amando e sendo doutor.
Nelcimá Morais
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
APRESENTAÇÃO DE CORDEL NO DIA DO FOLCLORE
Aproveitei o momento de comemoração de Dia do Folclore para recitar o cordel de minha autoria: Travessuras do Saci Pererê.
A Escola Estadual Antônio Pessoa recebe a contribuição de um grupo de amigos da escola que a torna cada vez mais inovadora. Como é o caso do poeta Polibio Alves, entre outros.
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Aldeia Flor D'água
Um paraíso,minha gente!
Encontrei neste lugar
E fica aqui no Nordeste
D'uma beleza sem par
É fonte de água jorrando
E seu corpo vai banhando
Até lhe purificar.
Isto aqui é uma prova
Que Deus também visitou
Nossa terra que sofrida
Brota também o amor
Zela pela natureza
Que a mão divina deixou.
Textos e fotos de Nelcimá Morais
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terça-feira, 2 de agosto de 2011
O pico do yayu


O Pico do Yayu, ou Pedra do Yayu, localiza-se a 10 km da cidade de Santa Luzia, com uma altitude de 606 m. O pico é excelente para a prática de escalada e rapel, com uma belíssima paisagem para contemplação. O por do sol no alto do Yayú apresenta beleza única.
Já a Serra do Yayu, fica distante 14 quilômetros de Santa Luzia, apresenta diferentes formas até ser alcançada, dependendo do ângulo em que é observada. Em determinado momento, lembra o Pão de Açúcar, do Rio de Janeiro. Localizada a 300 metros de altitude do nível do mar, é um convite natural à escalada. Uma boa dica é iniciar a subida por volta das 15 horas para chegar a tempo de ver o pôr-do-sol lá do alto. A experiência é inesquecível. Quem não se incomodar de descer à noite, pode demorar um pouco mais no pico da serra e, com um pouco de sorte, ter a lua à disposição em um cenário magnífico. Depois, é só fazer rapel. Para as pessoas que não querem se submeter a riscos desnecessários, o apoio de equipes experientes na prática deste tipo de esporte é imprescindível. Qualquer vacilo, será fatal. O uso de protetor solar, além de roupas e calçados adequados para andar no solo seco e, em alguns trechos, pedregoso e espinhoso, também é obrigatório para evitar arranhões.
O nome da Serra do Yayu tem origem em uma história que atravessa gerações em Santa Luzia. Contam os mais velhos que uma índia perseguida por um morador local, Teodósio Oliveira Ledo, procurou refúgio na serra. Encontrada, ela foi açoitada até a morte. Antes de morrer, teria gritado a expressão Yayu, que possui significados divergentes entre os historiadores. Alguns traduzem a expressão como "Ali, Deus" e outros como "Morro Espinhoso".
Fontes: http://praibasimsenhor.blogspot.com/2009/01/pico-yay.html
http://www.santaluzia.pb.gov.br/index.php?pg=noticias&id=89
A PERSEGUIÇÃO DE UMA ÍNDIA NO PICO DO YAYU
Aqui em Santa Luzia
Existe um monte isolado
Indo para São Mamede
Ele fica bem dum lado
Dividindo as duas cidades
De YAYU é chamado.
YAYU é gigante
Um filho da natureza
Quem olha de bem distante
Vê quão grande é sua riqueza
Aqueles que passam ali
Admiram a sua grandeza.
Muitos índios lutadores
Ao teu lado batalharam
Vivendo com suas mulheres
Que a ele as confiaram
Redemoinho e tempestade
Nunca lhe incomodaram.
Gigante observador
Fitando o céu com ternura
Vem nos trazer emoção
Tanta beleza perdura
Mostre bem para os seus filhos
Essa tão bela figura.
Há uma lenda que diz
Das sílabas pronunciadas
Que formando YA YU
Duas podem ser contadas
Ditas por uma mulher
E até hoje lembradas.
Essa lenda ainda conta
Que era indígena a mulher
Fugindo de Teodósio
Por ser um branco qualquer
Correu em busca do morro
Que pra ela era um Pajé.
Ficou lá refugiada
Uma cabana construiu
E quando à procura d’água
Um dia a índia saiu
Não reparou que um branco
Bem de longe a perseguiu.
A índia foi perseguida
E quando foi alcançada
Diante dos traidores
Ela ficou acuada
Olhava sempre pro pico
Querendo ser abençoada.
Na subida desse monte
A índia não escapou
Sabia que ia morrer
E para o monte apontou
Fitando bem o seu pico
E YAYU exclamou.
YAYU foi um grito
No instante de sua morte
Era uma mulher anônima
Imaginamos seu porte
Seria uma linda história
Se ali houvesse um repórter.
YA seria advérbio
Depois de bem pesquisado
Significando ALI
E o YU estudado
Seria o “SER SUPREMO”
Dando esse resultado.
YAYU é um pico
Com muita interpretação
Seu Ademar pesquisou
Essa esquisita expressão
Pra ele seria ALI, DEUS!
Será que há tradução?
Aquela mulher indígena
Que ao sozinha ficar
Num morro bem desolado
Tivesse a procurar
O mistério do YU
Para uma história deixar.
Talvez dentro dela houvesse
Muita pergunta a fazer
Por que essa destruição
De sua gente ao querer
Viver com honestidade
Sem a ninguém ofender?
Para aqueles bárbaros brancos
Muito queria dizer
Que destruíram sua gente
Sem mesmo a ninguém temer
Que ali estava DEUS
O GRANDE E SUPREMO SER.
Por isso digo a vocês
De tanta interpretação
Essa é mística e inspirada
Parece na solidão
Na imponência do morro
Caracterizando a impressão.
Mostro aqui mais um estudo
Dum grande pesquisador
De José Elias Borges
Um profundo conhecedor
Dos topônimos indígenas
Dessa estória um sabedor.
Ele decifra outra coisa
Do YAYU uma tradição
Diz que é morro espinhoso
Mostrando convicção
Mas o que importa é que a lenda
Envolve a população.
Nelcimá Morais
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A Cruz da Menina


A Cruz da Menina
Eu vou contar pra vocês
a história d´uma menina
que nasceu lá no sertão
uma alma nordestina
e que teve sua infância
tirada na ignorância
de uma madrasta malina.
Seu nome era Francisca
Chiquinha devia ser
uma menina querida
com as irmãs a crescer
quando uma seca maldita
lhe fez a pior desdita
botando tudo a correr.
Foi aqui na Paraíba
que o ocorrido se deu
lá em Patos de Espinharas
foi bem lá que aconteceu
essa história interessante
dessa família penante
e que até já morreu.
Quem nasce lá no sertão
duas coisas pode ter
ou ser muito abençoado
ou ter vindo pra sofrer
ter vindo viver uma graça
ou pagar uma desgraça
na medida do viver.
Lá se conta uma história
de uma nordestinada
que nasceu só pra sofrer
desde o dia da chegada
a seca tirou-lhe o brilho
e a dor foi o seu trilho
de inocência apagada.
Uma família sem nome
sofrendo uma seca cruel
passando de arretirada
a pé debaixo do céu
confiou em adoção
uma filha do coração
a um casal bem fiel.
Para não morrer de fome
essa menina foi dada
a esse casal de nome
foi assim tão confiada
e partiram pelo mundo
o primeiro e o segundo
sem saber qual das estradas.
Neste sertão sem porteira
o sol faz sua seara
o mundo nos apresenta
dizendo logo de cara
que a vida nasce de cacho
quem quiser saia de baixo
em Patos das Espinharas.
Nessa ribeira querida
onde a beleza existe
na fulorada da terra
na vida que sempre insiste
sou obrigado a contar
no decorrer do narrar
uma história bem triste.
Em pleno século XX
no ano de 23
arreparem a tragédia
em outubro, 11 do mês
numa noite escurecida
Francisca perdeu a vida
vou contar só pra vocês.
Nasceu em família pobre
fugida de seca braba
um casal de arretirante
por amor a filha salva
e dando por doação
a filha do coração
para outras duas almas.
Domila e Absalão
o casal agraciado
em vez de criar Francisca
com amor e com cuidado
aproveitaram a questão
usaram da escravidão
cometeram esse pecado.
Francisca, pobre coitada
não podia nem brincar
vivia sua infância
somente pra trabalhar
olhando pela janela
c´uns olhos brincava ela
com as crianças do lugar.
Domila saiu à noite
foi buscar Absalão
deixando Francisca em casa
ainda lavando o chão
que depois de terminado
devia dar por fechado
janela, porta e portão.
Francisca se esqueceu
de fechar a tal janela
Domila quando chegou
estufou logo a titela
pensando qu´era ladrão
depois de buscar em vão
se lembrou loguinho dela.
Acordou a pequenina
debaixo de cacetada
com a trave da janela
lhe castigou de pancada
e sem a menor razão
tentada lá pelo cão
matou Francisca a paulada.
Embrulharam a menina
ainda de madrugada
e lá fora da cidade
entre pedras foi jogada
encontrada noutro dia
foi aquela agonia
e a Deus encomendada.
Botaram ali uma cruz
enfeitaram c´umas fitas
Justiniano passava
sofrendo uma seca maldita
e se botou a pedir
numa oração pr´ela ouvir
numa promessa bendita.
O pedido era de água
pro mundo não padecer
o que já vinha sofrendo
não deu outra, pode crer
água veio de montão
um mar saía do chão
o milagre era de ver.
Pelo milagre alcançado
necessidade suprida
Justiniano agradece
fazendo ser construída
uma Capela formosa
para a menina bondosa
por sua prece atendida.
Por conta dessa Capela
um parque ali se formou
abriu-se a boca do céu
pra terra esse anjo olhou
intercedendo por quem
rezando dizendo amém
precise do Criador.
Quem recebe um milagre
pedido numa oração
sabe do qu´estou falando
sabe dessa emoção
pois quem tem crença na terra
esperança não enterra
enquanto for um cristão.
Cheio dessa devoção
o romeiro agradecido
vem no parque humildemente
vem trazer em seu sentido
e assim como eu boto
deposita seu ex-voto
do milagre merecido.
Tem um dia todo ano
calendário da Igreja
que todo romeiro sonha
todo coração almeja
enfeitar todos os postes
festejar o Pentecostes
o fiel assim deseja.
A festa começa cedo
entra pela madrugada
procissão levando a Santa
o luzeiro na estrada
o romeiro agradecido
reza o terço no sentido
de Francisca abençoada.
A menina dessa cruz
inda não reconhecida
hoje é Santa do Povo
é fiel e é querida
e ao lado do sacrário
ilumina o santuário
de Maria concebida.
Foi escrava nessa terra
mas ganhou o paraíso
fulorou nosso sertão
aguou o mais preciso
deu perfume a nossa vida
nesse chão de tanta lida
com o ar de seu sorriso.
Francisca, nossa menina!
ajude nossos irmãos
rogai pelos desprovidos
amansai nosso patrão
enchei a vida de flores
recebei nossos amores
em troca desse sertão.
Construído pelo Estado em 1993, com o apoio da
Prefeitura de Patos-PB e sua Diocese, o Santuário da
Cruz da Menina se presta a lembrar a pequena
Francisca, morta no ano de 1923, adorada e vene-
rada nos dias de hoje como uma Santa do Povo.
Cordelista Marco di Aurélio
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
A pedra do Tendó
(Fotos minhas)
É muito gratificante ficarmos por algum tempo nesse local que nos enche de emoção. Como são belos e grandiosos os feitos do Nosso Criador. Além de curtirmos a vista panorâmica, ainda podemos degustar das comidas típicas (buchada) e lavarmos as mãos como fazíamos nos tempos da vovó.
Escrito por Administrator
As várias lendas da Pedra do Tendó
A pedra do Tendó serviu de inspiração a vários poetas e sobre ela correm inúmeras lendas. Distante, aproximadente, três quilômetros de Teixeira, faz parte da Reserva Ecológica criada em 16 de outubro de 1992.
Segundo alguns, o nome Tendó é atribuído ao grito desesperado de uma vítima que, após ferrenha discussão e luta com um inimigo, teria caído no abismo. Tem dó Era o apelo que ecoava ao longe captado por moradores das proximidades, como pedido de clemência.
Em registro vernacular, Tendó significa abrigo. O local de fato, era usado pelos tropeiros, servindo de pouso durante as viagens feitas pelos comerciantes que partiam das Espinharas em destino a Pernambuco.
Com uma altitude aproximadamente 800 metros, o bloco cristalino que aflora de cima do morro é circundado por rochas graníticas isoladas. Conhecida como a "pedra que geme", ou que chora, tem apavorado muitas pessoas e aguçado a curiosidade de outras. Na realidade, o fenômeno é explicado pelo eco produzido pela propagação do som.
Como a pedra do Tendó está localizada à margem da estrada que liga Patos a Teixeira, a ela é atribuído outro fato extraordinário. Uma força energética age possibilitando a subida dos veículos na ladeira, mesmo estando desligado o moto. O fenômeno, para alguns viajantes e moradores da área, é atribuído aos poderes da pedra.(NOTA do WebMaster: "Na verdade este é um fenômeno explicado pela Física, como a inclinação da Serra é maior que a inclinação da ladeira que é de sentido oposto, faz com que o carro esteja descendo a serra e não subindo a ladeira pelo efeito da força da gravidade).
Outra lenda diz respeito aos inúmeros acidentes envolvendo pessoas atraídas pela imensidão do precipício.
Há o caso dos irmãos Clarindo e Ramiro. Este último, noivo de Juliana, teria encontrado a sua amada juntamente com o irmão, num passeio romântico, sobre a pedra. Assustados por terem sido flagrados, teriam perdido o equilíbrio e mergulhado para a morte.
Contam os antigos que Ramiro não teve mais sossego depois desse acidente, tendo desaparecido. Tempos depois, caçadores teriam encontrado trapos de pano, servindo de ninho às aves da redondeza, e afirmaram ser restos da roupa do rapaz.
Segundo narram o crédulos, em noite de lua aparece ao longe a imagem de um casal, passeando sobre a rocha; noutro local, surge uma figura, lamentando-se da traição sofrida e do complexo de culpa por ter provocado a morte dos entes queridos.
Há ainda a versão de que o irmão traído se atracara com o traidor e este teria caído no abismo aos gritos tem dó, e que Juliana, tendo enlouquecido, vivera por muito tempo, rondando o local em busca do seu amado.
A ex-prefeita de Teixeira, Sra. Rita Nunes Pereira, construiu uma santuário, onde colocou uma imagem de Nossa Senhora das Graças, que é visitada por diversas romarias. A prefeita teria recebido uma carta de um funcionário do Detran em João Pessoa, que nunca teria ouvido falar na tal pedra, e que sonhara com Nossa Senhora das Graças e no sonho ela dizia que enviasse uma carta a prefeita de Teixeira para que ela colocasse numa pedra, chamada tendó, uma imagem de Nossa Senhora das Graças, pois Teixeira fora escolhida para a passagem do seu filho quando voltasse à Terra.
O mais interessante foi quando, abriram a pedra pra fazer a gruta para Santa e já estava lá o local oco, e até um pequeno pedestal, para ser colocada a imagem. Algumas pessoas que fizeram promessas lá, já tiveram seus pedidos atendidos.
Xavier, Maria do Socorro Batista. De Canudos a Teixeira.,2000
Escrito por Administrator
A maldição do Teixeira pelo Padre Ibiapina
Na gente do Teixeira, perdurou por muito tempo a memória da maldição que o Pe. Ibiapina lançou sobre o Teixeira. Quando surgia alguma desgraça ou tragédia, logo se ouvi o comentário: " E' a poeira das sandálias do Padre Ibiapina, que paira sobre o Teixeira".
O Padre Ibiapina fizera missões na serra do Teixeira, e ali iniciara com auxilio do povo a construção do cemitério, que posteriormente recebeu a benção (07/06/1860) em outra santa missão pregada pelo capuchinho Frei Serafim. Isso, antes do inicio do paroquiato do vigário Bernardo. Logo que este chega, desencadeia-se uma onda de crimes e cangacerismo, enlutando as famílias Teixeirenses e criando um abismo de ódio e vinganças. E' nesse ambiente que volta o Pe. Ibiapina. A 20 de janeiro de 1864, escrevia o Teixeirense em seus ataques polêmicos: "Tivemos também a honrosa visita do Rev. Ibiapina; prestou revenatas serviços. Deixou em começo uma casa de Caridade. Caridade nesta terra, teatro de malversações e de crimes! Procurou conciliar os espíritos, mas uns tais Dantas que aqui temos para nosso flagelo e dos habitantes do lugar, não quiseram conciliar". Diante disso, o Padre Ibiapina lançou o seu repto profético.
"O estado deste termo e' horrível, seu paradeiro será fatal. Por sua devassidão e' uma Sodoma. O Reverendo Ibiapina já' declarou que o castigo dos céus estava iminente. Sendo convidado para vir de novo aqui missionar, recusou, declarando que em lugar, onde a virtude vive suplantada e aterrada, e o vicio e o crime progredindo e florescendo, não podia assistir sem que primeiro o castigo de Deus se fizesse conhecido certo".
Como o contexto da a entrever, o objetivo da maldição não foi diretamente o povo Teixeirense, mas sim "o vicio do crime", bem como a recusa de conciliação. Alias, a politicagem suja, o banditismo, a desunião das famílias foram sempre visto por muitos Teixeirenses como a verdadeira maldição do Teixeira. O Pe. Ibiapina só' teria denunciado a causa de uma " maldição " já' existente.
Textos retirados do site: Teixeirapb.com.br
Postado por Nelcima De Morais às 18:03 1 comentários Links para esta postagem
