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terça-feira, 2 de agosto de 2011

O pico do yayu





O Pico do Yayu, ou Pedra do Yayu, localiza-se a 10 km da cidade de Santa Luzia, com uma altitude de 606 m. O pico é exce­lente para a prática de escalada e rapel, com uma belíssima paisagem para contemplação. O por do sol no alto do Yayú apre­senta beleza única.
Já a Serra do Yayu, fica distante 14 quilômetros de Santa Luzia, apresenta diferentes formas até ser alcançada, dependendo do ângulo em que é observada. Em determinado momento, lembra o Pão de Açúcar, do Rio de Janeiro. Localizada a 300 metros de altitude do nível do mar, é um convite natural à escalada. Uma boa dica é iniciar a subida por volta das 15 horas para chegar a tempo de ver o pôr-do-sol lá do alto. A experiência é inesquecível. Quem não se incomodar de descer à noite, pode demorar um pouco mais no pico da serra e, com um pouco de sorte, ter a lua à disposição em um cenário magnífico. Depois, é só fazer rapel. Para as pessoas que não querem se submeter a riscos desnecessários, o apoio de equipes experientes na prática deste tipo de esporte é imprescindível. Qualquer vacilo, será fatal. O uso de protetor solar, além de roupas e calçados adequados para andar no solo seco e, em alguns trechos, pedregoso e espinhoso, também é obrigatório para evitar arranhões.
O nome da Serra do Yayu tem origem em uma história que atravessa gerações em Santa Luzia. Contam os mais velhos que uma índia perseguida por um morador local, Teodósio Oliveira Ledo, procurou refúgio na serra. Encontrada, ela foi açoitada até a morte. Antes de morrer, teria gritado a expressão Yayu, que possui significados divergentes entre os historiadores. Alguns traduzem a expressão como "Ali, Deus" e outros como "Morro Espinhoso".

Fontes: http://praibasimsenhor.blogspot.com/2009/01/pico-yay.html
http://www.santaluzia.pb.gov.br/index.php?pg=noticias&id=89

A PERSEGUIÇÃO DE UMA ÍNDIA NO PICO DO YAYU

Aqui em Santa Luzia
Existe um monte isolado
Indo para São Mamede
Ele fica bem dum lado
Dividindo as duas cidades
De YAYU é chamado.

YAYU é gigante
Um filho da natureza
Quem olha de bem distante
Vê quão grande é sua riqueza
Aqueles que passam ali
Admiram a sua grandeza.

Muitos índios lutadores
Ao teu lado batalharam
Vivendo com suas mulheres
Que a ele as confiaram
Redemoinho e tempestade
Nunca lhe incomodaram.

Gigante observador
Fitando o céu com ternura
Vem nos trazer emoção
Tanta beleza perdura
Mostre bem para os seus filhos
Essa tão bela figura.

Há uma lenda que diz
Das sílabas pronunciadas
Que formando YA YU
Duas podem ser contadas
Ditas por uma mulher
E até hoje lembradas.

Essa lenda ainda conta
Que era indígena a mulher
Fugindo de Teodósio
Por ser um branco qualquer
Correu em busca do morro
Que pra ela era um Pajé.

Ficou lá refugiada
Uma cabana construiu
E quando à procura d’água
Um dia a índia saiu
Não reparou que um branco
Bem de longe a perseguiu.

A índia foi perseguida
E quando foi alcançada
Diante dos traidores
Ela ficou acuada
Olhava sempre pro pico
Querendo ser abençoada.

Na subida desse monte
A índia não escapou
Sabia que ia morrer
E para o monte apontou
Fitando bem o seu pico
E YAYU exclamou.

YAYU foi um grito
No instante de sua morte
Era uma mulher anônima
Imaginamos seu porte
Seria uma linda história
Se ali houvesse um repórter.

YA seria advérbio
Depois de bem pesquisado
Significando ALI
E o YU estudado
Seria o “SER SUPREMO”
Dando esse resultado.

YAYU é um pico
Com muita interpretação
Seu Ademar pesquisou
Essa esquisita expressão
Pra ele seria ALI, DEUS!
Será que há tradução?

Aquela mulher indígena
Que ao sozinha ficar
Num morro bem desolado
Tivesse a procurar
O mistério do YU
Para uma história deixar.

Talvez dentro dela houvesse
Muita pergunta a fazer
Por que essa destruição
De sua gente ao querer
Viver com honestidade
Sem a ninguém ofender?

Para aqueles bárbaros brancos
Muito queria dizer
Que destruíram sua gente
Sem mesmo a ninguém temer
Que ali estava DEUS
O GRANDE E SUPREMO SER.

Por isso digo a vocês
De tanta interpretação
Essa é mística e inspirada
Parece na solidão
Na imponência do morro
Caracterizando a impressão.

Mostro aqui mais um estudo
Dum grande pesquisador
De José Elias Borges
Um profundo conhecedor
Dos topônimos indígenas
Dessa estória um sabedor.

Ele decifra outra coisa
Do YAYU uma tradição
Diz que é morro espinhoso
Mostrando convicção
Mas o que importa é que a lenda
Envolve a população.
Nelcimá Morais

A Cruz da Menina




A Cruz da Menina
Eu vou contar pra vocês
a história d´uma menina
que nasceu lá no sertão
uma alma nordestina
e que teve sua infância
tirada na ignorância
de uma madrasta malina.

Seu nome era Francisca
Chiquinha devia ser
uma menina querida
com as irmãs a crescer
quando uma seca maldita
lhe fez a pior desdita
botando tudo a correr.

Foi aqui na Paraíba
que o ocorrido se deu
lá em Patos de Espinharas
foi bem lá que aconteceu
essa história interessante
dessa família penante
e que até já morreu.

Quem nasce lá no sertão
duas coisas pode ter
ou ser muito abençoado
ou ter vindo pra sofrer
ter vindo viver uma graça
ou pagar uma desgraça
na medida do viver.

Lá se conta uma história
de uma nordestinada
que nasceu só pra sofrer
desde o dia da chegada
a seca tirou-lhe o brilho
e a dor foi o seu trilho
de inocência apagada.

Uma família sem nome
sofrendo uma seca cruel
passando de arretirada
a pé debaixo do céu
confiou em adoção
uma filha do coração
a um casal bem fiel.

Para não morrer de fome
essa menina foi dada
a esse casal de nome
foi assim tão confiada
e partiram pelo mundo
o primeiro e o segundo
sem saber qual das estradas.

Neste sertão sem porteira
o sol faz sua seara
o mundo nos apresenta
dizendo logo de cara
que a vida nasce de cacho
quem quiser saia de baixo
em Patos das Espinharas.

Nessa ribeira querida
onde a beleza existe
na fulorada da terra
na vida que sempre insiste
sou obrigado a contar
no decorrer do narrar
uma história bem triste.

Em pleno século XX
no ano de 23
arreparem a tragédia
em outubro, 11 do mês
numa noite escurecida
Francisca perdeu a vida
vou contar só pra vocês.

Nasceu em família pobre
fugida de seca braba
um casal de arretirante
por amor a filha salva
e dando por doação
a filha do coração
para outras duas almas.

Domila e Absalão
o casal agraciado
em vez de criar Francisca
com amor e com cuidado
aproveitaram a questão
usaram da escravidão
cometeram esse pecado.

Francisca, pobre coitada
não podia nem brincar
vivia sua infância
somente pra trabalhar
olhando pela janela
c´uns olhos brincava ela
com as crianças do lugar.

Domila saiu à noite
foi buscar Absalão
deixando Francisca em casa
ainda lavando o chão
que depois de terminado
devia dar por fechado
janela, porta e portão.

Francisca se esqueceu
de fechar a tal janela
Domila quando chegou
estufou logo a titela
pensando qu´era ladrão
depois de buscar em vão
se lembrou loguinho dela.

Acordou a pequenina
debaixo de cacetada
com a trave da janela
lhe castigou de pancada
e sem a menor razão
tentada lá pelo cão
matou Francisca a paulada.

Embrulharam a menina
ainda de madrugada
e lá fora da cidade
entre pedras foi jogada
encontrada noutro dia
foi aquela agonia
e a Deus encomendada.

Botaram ali uma cruz
enfeitaram c´umas fitas
Justiniano passava
sofrendo uma seca maldita
e se botou a pedir
numa oração pr´ela ouvir
numa promessa bendita.

O pedido era de água
pro mundo não padecer
o que já vinha sofrendo
não deu outra, pode crer
água veio de montão
um mar saía do chão
o milagre era de ver.

Pelo milagre alcançado
necessidade suprida
Justiniano agradece
fazendo ser construída
uma Capela formosa
para a menina bondosa
por sua prece atendida.

Por conta dessa Capela
um parque ali se formou
abriu-se a boca do céu
pra terra esse anjo olhou
intercedendo por quem
rezando dizendo amém
precise do Criador.

Quem recebe um milagre
pedido numa oração
sabe do qu´estou falando
sabe dessa emoção
pois quem tem crença na terra
esperança não enterra
enquanto for um cristão.

Cheio dessa devoção
o romeiro agradecido
vem no parque humildemente
vem trazer em seu sentido
e assim como eu boto
deposita seu ex-voto
do milagre merecido.

Tem um dia todo ano
calendário da Igreja
que todo romeiro sonha
todo coração almeja
enfeitar todos os postes
festejar o Pentecostes
o fiel assim deseja.

A festa começa cedo
entra pela madrugada
procissão levando a Santa
o luzeiro na estrada
o romeiro agradecido
reza o terço no sentido
de Francisca abençoada.

A menina dessa cruz
inda não reconhecida
hoje é Santa do Povo
é fiel e é querida
e ao lado do sacrário
ilumina o santuário
de Maria concebida.

Foi escrava nessa terra
mas ganhou o paraíso
fulorou nosso sertão
aguou o mais preciso
deu perfume a nossa vida
nesse chão de tanta lida
com o ar de seu sorriso.

Francisca, nossa menina!
ajude nossos irmãos
rogai pelos desprovidos
amansai nosso patrão
enchei a vida de flores
recebei nossos amores
em troca desse sertão.

Construído pelo Estado em 1993, com o apoio da
Prefeitura de Patos-PB e sua Diocese, o Santuário da
Cruz da Menina se presta a lembrar a pequena
Francisca, morta no ano de 1923, adorada e vene-
rada nos dias de hoje como uma Santa do Povo.

Cordelista Marco di Aurélio

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A pedra do Tendó










(Fotos minhas)

É muito gratificante ficarmos por algum tempo nesse local que nos enche de emoção. Como são belos e grandiosos os feitos do Nosso Criador. Além de curtirmos a vista panorâmica, ainda podemos degustar das comidas típicas (buchada) e lavarmos as mãos como fazíamos nos tempos da vovó.


Escrito por Administrator
As várias lendas da Pedra do Tendó

A pedra do Tendó serviu de inspiração a vários poetas e sobre ela correm inúmeras lendas. Distante, aproximadente, três quilômetros de Teixeira, faz parte da Reserva Ecológica criada em 16 de outubro de 1992.
Segundo alguns, o nome Tendó é atribuído ao grito desesperado de uma vítima que, após ferrenha discussão e luta com um inimigo, teria caído no abismo. Tem dó Era o apelo que ecoava ao longe captado por moradores das proximidades, como pedido de clemência.
Em registro vernacular, Tendó significa abrigo. O local de fato, era usado pelos tropeiros, servindo de pouso durante as viagens feitas pelos comerciantes que partiam das Espinharas em destino a Pernambuco.
Com uma altitude aproximadamente 800 metros, o bloco cristalino que aflora de cima do morro é circundado por rochas graníticas isoladas. Conhecida como a "pedra que geme", ou que chora, tem apavorado muitas pessoas e aguçado a curiosidade de outras. Na realidade, o fenômeno é explicado pelo eco produzido pela propagação do som.
Como a pedra do Tendó está localizada à margem da estrada que liga Patos a Teixeira, a ela é atribuído outro fato extraordinário. Uma força energética age possibilitando a subida dos veículos na ladeira, mesmo estando desligado o moto. O fenômeno, para alguns viajantes e moradores da área, é atribuído aos poderes da pedra.(NOTA do WebMaster: "Na verdade este é um fenômeno explicado pela Física, como a inclinação da Serra é maior que a inclinação da ladeira que é de sentido oposto, faz com que o carro esteja descendo a serra e não subindo a ladeira pelo efeito da força da gravidade).
Outra lenda diz respeito aos inúmeros acidentes envolvendo pessoas atraídas pela imensidão do precipício.
Há o caso dos irmãos Clarindo e Ramiro. Este último, noivo de Juliana, teria encontrado a sua amada juntamente com o irmão, num passeio romântico, sobre a pedra. Assustados por terem sido flagrados, teriam perdido o equilíbrio e mergulhado para a morte.
Contam os antigos que Ramiro não teve mais sossego depois desse acidente, tendo desaparecido. Tempos depois, caçadores teriam encontrado trapos de pano, servindo de ninho às aves da redondeza, e afirmaram ser restos da roupa do rapaz.
Segundo narram o crédulos, em noite de lua aparece ao longe a imagem de um casal, passeando sobre a rocha; noutro local, surge uma figura, lamentando-se da traição sofrida e do complexo de culpa por ter provocado a morte dos entes queridos.
Há ainda a versão de que o irmão traído se atracara com o traidor e este teria caído no abismo aos gritos tem dó, e que Juliana, tendo enlouquecido, vivera por muito tempo, rondando o local em busca do seu amado.
A ex-prefeita de Teixeira, Sra. Rita Nunes Pereira, construiu uma santuário, onde colocou uma imagem de Nossa Senhora das Graças, que é visitada por diversas romarias. A prefeita teria recebido uma carta de um funcionário do Detran em João Pessoa, que nunca teria ouvido falar na tal pedra, e que sonhara com Nossa Senhora das Graças e no sonho ela dizia que enviasse uma carta a prefeita de Teixeira para que ela colocasse numa pedra, chamada tendó, uma imagem de Nossa Senhora das Graças, pois Teixeira fora escolhida para a passagem do seu filho quando voltasse à Terra.
O mais interessante foi quando, abriram a pedra pra fazer a gruta para Santa e já estava lá o local oco, e até um pequeno pedestal, para ser colocada a imagem. Algumas pessoas que fizeram promessas lá, já tiveram seus pedidos atendidos.

Xavier, Maria do Socorro Batista. De Canudos a Teixeira.,2000
Escrito por Administrator
A maldição do Teixeira pelo Padre Ibiapina
Na gente do Teixeira, perdurou por muito tempo a memória da maldição que o Pe. Ibiapina lançou sobre o Teixeira. Quando surgia alguma desgraça ou tragédia, logo se ouvi o comentário: " E' a poeira das sandálias do Padre Ibiapina, que paira sobre o Teixeira".

O Padre Ibiapina fizera missões na serra do Teixeira, e ali iniciara com auxilio do povo a construção do cemitério, que posteriormente recebeu a benção (07/06/1860) em outra santa missão pregada pelo capuchinho Frei Serafim. Isso, antes do inicio do paroquiato do vigário Bernardo. Logo que este chega, desencadeia-se uma onda de crimes e cangacerismo, enlutando as famílias Teixeirenses e criando um abismo de ódio e vinganças. E' nesse ambiente que volta o Pe. Ibiapina. A 20 de janeiro de 1864, escrevia o Teixeirense em seus ataques polêmicos: "Tivemos também a honrosa visita do Rev. Ibiapina; prestou revenatas serviços. Deixou em começo uma casa de Caridade. Caridade nesta terra, teatro de malversações e de crimes! Procurou conciliar os espíritos, mas uns tais Dantas que aqui temos para nosso flagelo e dos habitantes do lugar, não quiseram conciliar". Diante disso, o Padre Ibiapina lançou o seu repto profético.

"O estado deste termo e' horrível, seu paradeiro será fatal. Por sua devassidão e' uma Sodoma. O Reverendo Ibiapina já' declarou que o castigo dos céus estava iminente. Sendo convidado para vir de novo aqui missionar, recusou, declarando que em lugar, onde a virtude vive suplantada e aterrada, e o vicio e o crime progredindo e florescendo, não podia assistir sem que primeiro o castigo de Deus se fizesse conhecido certo".

Como o contexto da a entrever, o objetivo da maldição não foi diretamente o povo Teixeirense, mas sim "o vicio do crime", bem como a recusa de conciliação. Alias, a politicagem suja, o banditismo, a desunião das famílias foram sempre visto por muitos Teixeirenses como a verdadeira maldição do Teixeira. O Pe. Ibiapina só' teria denunciado a causa de uma " maldição " já' existente.

Textos retirados do site: Teixeirapb.com.br

terça-feira, 26 de julho de 2011

Divulgando o cordel

Amigos,
Se for possivel divulguem este evento para mim.
Um abraço a todos,
Dalinha

CORDEL NA FLIT

O Governo do Estado do Tocantins, por meio da Secretaria de Educação realizará, no período de 25 de julho a 03 de agosto de 2011, em Palmas, a Feira Literária Internacional do Tocantins – FLIT.

O cordel que vem tendo um ano promissor terá um espaço especial na FLIT. Além de cordelistas, repentista e declamadores de vários Estados a ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, convidada, terá boa parte de seu colegiado participando deste evento.
O Presidente Gonçalo Ferreira da Silva, Mestre Azulão, Chico Salles Moreira de Acopiara, Manoel Monteira e eu Dalinha Catunda uma saia entre tantas calças.

Farei o recital: “Sertaneja, Sim Senhor!” Em duas apresentações, nos dias 30 e 31. Além de nossas apresentações teremos o espaço Estação Cordel na Praça dos Girassóis para expor e vender nossos cordéis
O Cordel de Saia dará mais informações no decorrer da semana.
Abaixo um poema de minha autoria para Palmas:
*
BELA DAMA DO CERRADO

Palmas, linda capital
No centro desta nação
Totalmente programada
Assim foi tua construção
Muito bem arborizada
E vendo-a fico encantada
E até faço louvação.
*
És maior em Tocantins
Mimosa flor do cerrado,
Tão jovem e tão bonita
Bem segura em teu traçado
Olhando tuas palmeiras
Relembro minha Ipueiras
Que até hoje é meu condado.
*
A Palma do buriti
Que é farta no Jalapão
E também é encontrada
Pras bandas do meu sertão.
Bela dama do cerrado,
Neste encontro bem marcado
Roubaste meu coração


--

Dalinha Catunda
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com

domingo, 3 de julho de 2011

Paraíba em verso










tema: Literatura popular - O caso do cordel

Objetivo: Fomentar a discussão sobre a importância deste tipo de literatura na cultura nordestina, a utilização de tecnologias da informação e divulgação a produção regional da literatura de cordel.
Dia: 05 de julho de 2011
Local: Auditório 211 do CCSA, ás 19:30h.

Atrações culturais:
Pescoçinho da Paraíba
Beto Brito (lançando seu novo cordel)

palestrantes:
Professora Beth Baltar
e convidados

sexta-feira, 1 de julho de 2011

São João em Sta Luzia/PB






Esta é a minha cidade
Este é o meu São João
Amo demais minha terra
Mas lá eu não vi cordel, não,
Fiquei muita chateada
Por tamanha omissão.

Barraca pra todo lado
Muita gente pra dançar
Mas esqueceram um pouquinho
Da Cultura popular
Cordel e artesanato
Ninguém encontrou por lá.

Terra de grandes poetas
Muito artista popular
É gente bem criativa
Muita coisa pra mostrar
Saindo de sua cidade
Pro seu bem apresentar.

Todo artista merece
O seu produto vender
Não sei qual foi o motivo
Por que quiseram esconder?
Uma barraquinha de cordel
Nos ia favorecer.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os dizê de seu Nem

Tá no cabo da enxada
Na estaca dum mourão
Naquele pau de galão
Com lata dipindurada
Tá na sombra da latada
Tá na páia do coquêro
No claro dum candiêro
No barro dum pé de pote
Ta no estalo do chicote
E no aboio do vaquêro.

No chêrin daquela terra
Assim quando a chuva cai
O Sol se amoita e num sai
Se esconde por trás das serra
Nada mais num se emperra
Fica tudo bem bonito
Desde o boi inté o cabrito
Dos cachorro a gataiada
Homi, véi, muié safada
De feliz se oiçe os grito.

Tá na corda do violão
Plangente na calmaria
Tá num solo, na harmonia
Batida e marcação
Aperriando o coração
Tá no ritmo do pandêro
Na esperteza do violêro
Na maneira do improviso
Que mexe inté com o juízo
De um modo bem verdadêro.

Tá nas prosa nordestina
De toda forma contada
Nas budega, nas calçada
Onde o caba se atina
Bem ligeiro se anima
No embalo ritmado
Do cordel elaborado
Pelo caba bem matuto
Que na vida é tão astuto
Que incanta gente aos punhado.

No sabor de uma aguardente
Tomado de uma lapada
E com a careta armada
O caba até trinca o dente
Debaixo dum solzão quente
O matuto, o beradêro
Nordestino, Brasileiro
Se apruma e sai andando
De feliz cantarolando
Pelo mei do tabulêro.

Tá também é na vivênça
Do povo batalhador
Que sempre com muito amor
Respeita as suas crença
Que sempre que pode pensa
Nas vida tal como é
No povo que tem sua fé
E em todo tipo de santo
E tanto alegre ou em pranto
Sabe bem o que é que quer.

Tá numa arataca armada
Armadilha do destino
Tá nos tempo de menino
Brincadêra, presepada
No decorrer da jornada
Tá nessa revelação
Tá na imaginação
Tá em todo o pensamento
Tá no prazer do momento
E é do todo o coração.

Tá na cara estampada
Toda a fome e a pobreza
Tá na vida sertaneja
Em toda seca enfrentada
Na lavoura castigada
Tá na aridez do sertão
Na esperança do povão
Tá nesse calor ardente
Tá no olhar sempre pra frente
E no amor por esse chão.

Naquela mão calejada
Que desliza suavemente
Por aquele corpo ardente
Da sua mulher amada
Sua musa idolatrada
Onde encontra inspiração
Pra quem o seu coração
Se enche de alegria
Dia e noite, noite e dia
Com muita satisfação.

Todo amor, simplicidade
Esse encanto e a formosura
O sentido e a doçura
Da minha bela cidade
Sem me faltar com verdade
Seu Nem já me dizia
Isso lá em Santa Luzia
Que o matuto paraibano
Seu lugar segue lembrano
Até o fim dos seus dia.

Paulo Cesar Dantas - DO blog Peleja de paraibano