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segunda-feira, 29 de julho de 2013

A raposa e sua vingança fatal




A raposa que se vingou dum marido traidor
1
Eu vou contar pra vocês
Um causo lá do sertão
Dum casal que era feliz
E tinha muita criação
 Era bode,vaca, giuné...
Falo de Titica e Tonhão. 
2
Titica vivia dizendo
Você, Tonhão, é um amor
Eu sei que és coisa do céu
E foi Deus quem lhe mandou
O que você pedir eu faço
E o que quiser eu dou.
3
Num dia Tonhão saiu
Dizendo , minha querida!
Tranque bem a nossa porta
Que tem raposa de briga
Achando a porta aberta
Ela entra e ninguém tira.
4
Depois dum tempo Titica
Avistou um rapagão
Ele tava ali em pé
Ela não conhecia ele, não!
O rapaz se apresentou
Queria falar com Tonhão.

5
Disse eu sai de São Paulo
E vim aqui sem destino
Pra ver se eu encontrava
O Tonhão que é meu primo
Se não for ele eu volto.
É isso que imagino.
6
Maria já logo dizendo:
O que é que você quer?
Tonhão é aquele ali
Que vem com aquela mulher
O rapaz já foi dizendo
Como esse meu primo é?
7
O homem disse seu nome
Manso, assim sou chamado.
E Titica foi pensando:
Esse cabra é veado
E acenou pra Tonhão
Dizendo tenha cuidado.
8
Tonhão logo que chegou
Viu o tal Manso chorando
Fez um esforço na mente
Ficou ali se lembrando
E disse: foste embora
Só agora tás voltando.
9
 Disse então vamo entrar
Você aqui tá em casa
Titica bote o almoço.
E aí foi grande a farra
Ele dançava e sorria
E também se requebrava.
10
Tonhão foi logo pensando:
É esse que eu quero aqui
Vou mudar a minha vida
E eu não tou nem aí
Vai ser a partir de hoje
Que eu começo a cair.
11
Os dois já foram saindo
E Titica foi atrás
Ela já desconfiava
Do que o homem  era capaz
E  foi logo imaginando:
Estranho é esse rapaz
12
Ela ia pelo caminho
E eles já avistando
Tonhão disse: é minha mulher
Não estou acreditando
Disse  logo pro seu primo:
Ela tá desconfiando.
13
Titica viu uma cena
Que custou a acreditar
Os dois tavam se beijando
E ela começou a chorar
Saiu desesperada
Foi pra casa se armar.
14
Ela partiu pro marido
Ele a tesoura tomou
Ela saiu correndo
Quando uma raposa avistou
Foi correndo e se mijando
Que na sua casa chegou.
15
Titica ao chegar em casa
Todos sentiram um mau cheiro
Ali não tinha só mijo
Tinha outro companheiro
Foi aí que começou
Aquele tal desespero.
16
Tonhão vinha lá atrás.
E foi a porteira fechar
Ele já tinha escondido
Na roupa o celular
E combinou com o rapaz
Aonde ele ia lhe esperar.
17
Titica veio pro terreiro
Chegou com todo vapor
Pegou logo a espingarda
E para ele apontou
Pegou a mala do homem
No meio do terreiro jogou.
18
Na hora João chegou
Disse: Maria o que é isso
E ela: peguei sua mala
Pra jogar no meio do lixo
Pegue também a sua
E pode dar o sumiço.
19
Hoje eu descobri tudo
O que eu queria saber
Ele é um grande veado
Que dá certo com você
Pegue a mala e vá embora
Vou procurar lhe esquecer.
20
Tonhão saiu dizendo
Vamo embora meu amor
Já  estavam de mãos dadas
E nem pra trás ele olhou
Foi passando num galpão
Quando uma  raposa enxergou.
21
Avançou em cima dele
Que disse:  que vou fazer
A raposa me pegou
Eu agora vou morrer
Nem você nem minha esposa
Com nenhum eu vou viver.
22
A danada da raposa
Arrancou seu pingulim
Ele olhou pro veado
E disse: cuide de mim!
Ele disse: eu vou embora
Você se cuide sozim.
23
Hoje o Tonhão ficou
Sem a esposa e o veado
Isso serve de lição
Pro homem que é casado
Ficou em cima da cama
 Homem inutilizado.
24
Aqui eu vou terminar
Seja lá o que Deus quiser
Tem homem que é casado
E não respeita a mulher
Olhe o que aconteceu
Com o Tonhão de José.

 Nelcimá Morais                        



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terça-feira, 23 de julho de 2013

Feijãozinho Teimoso


domingo, 21 de julho de 2013

DALINHA CATUNDA - PICÃO ROXO - por Edilson Galvão

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mensagem às mamães

MENSAGEIRO*

Mensageiro do teu ventre
Onde recebi abrigo
Projetei signos ancestros
Do saber dos mais antigos
Na maternal hospedagem
Só foi possível a viagem
Porque tinha um grande amigo.

Teu coração veio comigo
A tua essência também
Vi a imagem da vida
À luz dos astros do além
Graças a ti, hoje sou
Espelho do teu amor
À deriva do teu bem.

Deus te abençoe, Amém!
Vida longa para ti
Nas orações me salvaste
Por bem pouco não morri
Aos mimos acalentado
Para cair sossegado
Ao leito para dormir.

Ensinaste, aprendi
Num grande amor é assim
A luz perpassa a montanha
Mas brilha a partir de mim
Teu amor é uma história
Da dinâmica da memória
Que nunca mais terá fim.

João Pessoa, 12 de maio de 2013
Este poema fiz em homenagem a todas as mães do mundo e, em especial à minha mãe, Anália Alves de Araújo, que mora no coração de Princesa, no Sertão paraibano. Ela é responsável também pelo nosso dom poético, minha bola de Ouro espiritual, a quem quero tanto bem. Beijos.
Nélson Barbosa de Araújo

terça-feira, 26 de março de 2013

Invocação a Jesus pela seca no meu sertão

Jesus! tende piedade
Do povo do meu sertão.
Conviver com essa seca
Ninguém aguenta, não,
Com os animais morrendo
Vai faltar também o pão.

Sabíamos que tudo isso
Já podia acontecer
No sertão, por natureza,
É difícil de chover
O que sustenta é a fé
Que temos no Seu poder.

Peçamos também, Senhor!
Pro político esclarecer
Da grande necessidade
De reservatórios fazer
É só isso que precisa
Pra região se abastecer.

Água é nosso alimento
A coisa mais preciosa
Quando a temos em abundancia
A vida é bem mais gostosa
Mas o que sentimos agora
É sensação pavorosa.

Peço-vos, por caridade!
Acode esse povo sofrido
Derrama nessas torneiras
Esse líquido preferido
Reacende aquela chama
Do nosso torrão querido.
                              Nelcimá morais

sábado, 23 de março de 2013

Para as mulheres

TODAS AS MULHERES
*
Mulher melindrosa
Bonita e faceira
Safada brejeira,
Rude perigosa
Desfila garbosa
Com sua bandeira
Na missa na feira
No lar no bordel
Cumpre seu papel
Com ar de guerreira.
*
Mulher mal-amada
Sem eira nem beira
Que fala besteira
E desatinada
Se diz estudada
E bate no peito
Botando defeito
Em tudo que ver
Não sabe crescer
Mas deve ter jeito.
*
Mulher atrevida
 Que rir e graceja
Que toma cerveja
Que é seduzida
Que gosta da vida
De amor e paixão
Sem elo ou prisão
Tem autonomia
E sem ser vadia
Respira emoção.
*
A mártir do lar
Mulher não quer ser
Aprendeu bater
Pra não apanhar
Se o homem tentar
Ele entra na lenha
Maria da Penha
É lei que vigora
Quem bate agora
Algema desenha.
*
Mulher quer carinho
Não foge do laço
E sem embaraço
Refaz seu caminho
Quer flor sem espinho
E quer ser querida
Ser reconhecida
Em tudo que faz
Ser igual lhe apraz
Por ser aguerrida.
           ( Dalinha Catunda)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

encerramento de uma formação p/ agente de saúde: medicina alternativa ao vivo e com a apresentação de um cordel de minha autoria A cura de outrora



Antigamente meu povo
Na natureza se achava
Remédio pra todo mal
No mato se procurava
A nossa avó com cuidado
Com as raízes curava.

Eram raízes e folhas
Cascas e flores também
E tudo era preparado
Pronto pra fazer o bem
Tomado com muita fé
Era só dizer Amém.

Hortelã folha miúda
Na AFTA podia usar
Ou a alfazema braba
Você não vai duvidar
Os dois em forma de chá
Pra bochechar e tomar.
...