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terça-feira, 26 de março de 2013

Invocação a Jesus pela seca no meu sertão

Jesus! tende piedade
Do povo do meu sertão.
Conviver com essa seca
Ninguém aguenta, não,
Com os animais morrendo
Vai faltar também o pão.

Sabíamos que tudo isso
Já podia acontecer
No sertão, por natureza,
É difícil de chover
O que sustenta é a fé
Que temos no Seu poder.

Peçamos também, Senhor!
Pro político esclarecer
Da grande necessidade
De reservatórios fazer
É só isso que precisa
Pra região se abastecer.

Água é nosso alimento
A coisa mais preciosa
Quando a temos em abundancia
A vida é bem mais gostosa
Mas o que sentimos agora
É sensação pavorosa.

Peço-vos, por caridade!
Acode esse povo sofrido
Derrama nessas torneiras
Esse líquido preferido
Reacende aquela chama
Do nosso torrão querido.
                              Nelcimá morais

sábado, 23 de março de 2013

Para as mulheres

TODAS AS MULHERES
*
Mulher melindrosa
Bonita e faceira
Safada brejeira,
Rude perigosa
Desfila garbosa
Com sua bandeira
Na missa na feira
No lar no bordel
Cumpre seu papel
Com ar de guerreira.
*
Mulher mal-amada
Sem eira nem beira
Que fala besteira
E desatinada
Se diz estudada
E bate no peito
Botando defeito
Em tudo que ver
Não sabe crescer
Mas deve ter jeito.
*
Mulher atrevida
 Que rir e graceja
Que toma cerveja
Que é seduzida
Que gosta da vida
De amor e paixão
Sem elo ou prisão
Tem autonomia
E sem ser vadia
Respira emoção.
*
A mártir do lar
Mulher não quer ser
Aprendeu bater
Pra não apanhar
Se o homem tentar
Ele entra na lenha
Maria da Penha
É lei que vigora
Quem bate agora
Algema desenha.
*
Mulher quer carinho
Não foge do laço
E sem embaraço
Refaz seu caminho
Quer flor sem espinho
E quer ser querida
Ser reconhecida
Em tudo que faz
Ser igual lhe apraz
Por ser aguerrida.
           ( Dalinha Catunda)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

encerramento de uma formação p/ agente de saúde: medicina alternativa ao vivo e com a apresentação de um cordel de minha autoria A cura de outrora



Antigamente meu povo
Na natureza se achava
Remédio pra todo mal
No mato se procurava
A nossa avó com cuidado
Com as raízes curava.

Eram raízes e folhas
Cascas e flores também
E tudo era preparado
Pronto pra fazer o bem
Tomado com muita fé
Era só dizer Amém.

Hortelã folha miúda
Na AFTA podia usar
Ou a alfazema braba
Você não vai duvidar
Os dois em forma de chá
Pra bochechar e tomar.
...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Natal

NATAL  AGRESTE
*
O natal que vejo agora
É um natal diferente
É só compra e presente
Jesus, o povo ignora.
Saudades tenho d’outrora
Do natal que antes tinha
O presépio era lapinha,
Montado lá na matriz,
 Na igreja o povo feliz
Rezava sua ladainha.
*
Se era simples o presente
Nunca vi reclamação,
Era só animação
Da criançada contente
Animando ambiente
Que hoje não vejo igual.
A árvore de natal
De garrancho era feita
E eu ficava satisfeita
De ajudar no ritual.
*
Era mesmo devoção
Ir para missa do galo,
A ceia era um regalo,
Nos natais do meu sertão
Tinha comemoração
Mas tinha o Deus menino
No templo nordestino
Nos meus natais do agreste
Onde a estrela celeste
Guiava nosso destino.
Dalinha Catunda

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O poeta e o folheteiro


O poeta e o folheteiro
(Rosário Pinto)
1
Duas figuras importantes
Neste mundo do cordel
Um compõe o outro vende
Andando de léu em léu
Marcando assim, uma vida
De poesia, sortida
Divulgando o menestrel
2
Leandro foi o primeiro
A narrar toda esta saga
Do folheto de cordel
De história encantada
Certamente é o pioneiro
Com certeza, o primeiro
A levar pela estrada
3
Poeta e grande tipógrafo
Seu romance imprimia
Entregando ao folheteiro
Que logo distribuía
A correr feiras e vilas
E o povo fazendo filas
P’ra comprar sua poesia
4
Poucos recursos havia
Um comércio bem precário
Sustentou muita família
Vendiam abecedário
Na lida do dia a dia
Todo folheto imprimia
E também anedotário
5
De cidade em cidade
Fazia a sua vida
Seu Leandro produzindo
E o folheteiro na lida
Recebia seus mil réis
Vendia muitos cordéis
Tinha a renda garantida
6
Folheteiro não conhece
Impasse ou obstáculo
Andando de sol a sol
Em busca do espetáculo
De ver o povo sorrir
Pensar, amar, refletir
Parecia um oráculo

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Cordel de Saia, por meio de suas gestoras Dalinha Catunda e Rosário Pinto vem desenvolve estudos para localizar quem são essas mulheres POETAS/POETIZAS & CATADORAS/CANTADEIRAS!

MULHERES CANTANDO
O QUADRÃO À BEIRA-MAR

1-Dalinha Catunda
O sol empalidecendo
Ondas subindo e descendo
Nossa paixão acendendo
E o barco a sacolejar.
No balanço do veleiro
Um amor aventureiro
Vivi com meu timoneiro
No quadrão à beira-mar.

“ Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar
*
2-Rosário Pinto
Lá no Planalto Central
Em Brasília a capital
Numa noite magistral
A lua a desmaiar
Uma paixão, de repente
Na vida se fez presente
Na cidade reluzente
No quadrão à beira-mar

“ Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar
*
ABRA O LINK para conhecer as demais poetas/poetizas que entraram nessa RODA.

sábado, 11 de agosto de 2012

Saudades do meu pai

É para o senhor, painho!!

Pra painho que está no céu
Agora eu quero mandar
Um abraço bem apertado
Que aqui não posso abraçar
E dizer que a cada dia
Saudades, só faz aumentar.

Ainda é grande a angustia
Que resolveu me envolver
Mas lhe prometo, meu pai,
Que isso eu quero esquecer
A alegria procuro
Pra minha vida engrandecer.

O senhor foi escolhido
Por Deus, para ir morar
Num mundo cheio de paz
E pra sempre descansar.
Viveu aqui com esforço
Pra sua família alegrar.

Painho, oh, meu painho!
Eu quero agora dizer
Que o seu ensinamento
Eu nunca vou esquecer
Com muito orgulho eu guardo
Pra melhorar o meu viver.

Que o bom Deus nos abençoe
E nos faça acostumar
Celebrar a sua ausência
E em orações mergulhar
Viva a dádiva celeste!
E me abençoe! Nelcimá.

( reedição)