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sábado, 11 de agosto de 2012

Saudades do meu pai

É para o senhor, painho!!

Pra painho que está no céu
Agora eu quero mandar
Um abraço bem apertado
Que aqui não posso abraçar
E dizer que a cada dia
Saudades, só faz aumentar.

Ainda é grande a angustia
Que resolveu me envolver
Mas lhe prometo, meu pai,
Que isso eu quero esquecer
A alegria procuro
Pra minha vida engrandecer.

O senhor foi escolhido
Por Deus, para ir morar
Num mundo cheio de paz
E pra sempre descansar.
Viveu aqui com esforço
Pra sua família alegrar.

Painho, oh, meu painho!
Eu quero agora dizer
Que o seu ensinamento
Eu nunca vou esquecer
Com muito orgulho eu guardo
Pra melhorar o meu viver.

Que o bom Deus nos abençoe
E nos faça acostumar
Celebrar a sua ausência
E em orações mergulhar
Viva a dádiva celeste!
E me abençoe! Nelcimá.

( reedição)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Desabafos dum alcoólatra


Desabafos dum alcoólatra
1
Olá, meu caro leitor
Mais uma tarefa a cumprir
Preparei mais um poema
Para você me ouvir
Uso o tema alcoolismo
Venha a mim se unir.
2
Trabalho com educação
Hoje estou aposentada
E como educar é pra sempre
Por isso não estou parada
Educo de outra forma

Uso o cordel, camarada!
3
Foi grande a minha labuta
Com o analfabetismo
Depois procurei um jeito
De combater o tabagismo
Tive uma boa resposta
Agora é a vez do alcoolismo.
4
Grande é o efeito do álcool
Saiba dessa informação
Tem um lado que estimula
O da desinibição
Mas o outro é arrasante
A sua moral vai pro chão.
5
O álcool traz euforia
Deixa você bem contente
E também descontrolado
Até ficar deprimente
Vai comendo os seus miolos
Até deixá-lo demente.
6
Vai mudando o seu humor
Primeiro vem a euforia
Um comportamento estranho
Você acha que é alegria
Noutro dia nem percebe
Está com melancolia.
7
Como isso tudo acontece
Começa a agitação
Confunde os pensamentos
Vai partindo pra agressão
Não demora muito tempo
Surge logo a depressão.
8
É triste ver uma pessoa
Na bebida se entregando
Está perdendo o seu controle
E a saúde estragando
Faz sofre toda a família
E os amigos afastando.
9
Demência é um grande mal
Pelo alcoolismo trazido
Convulsão, cirrose e morte
Tudo tem acontecido
Por causa desse maldito
Muita gente tem sofrido.
 10
Vou citar alguns exemplos
Dum alcoólatra inconformado
O mundo dos seus “amigos”
Hoje por ele contado
Eu cito aqui pra você
Mas com nome inventado.
11
José, um homem bem novo
Porém não tinha confiança
Mexia com mulher casada
Não respeitava criança
Perdeu a integridade
A sua autoconfiança.
12
Um cidadão bem vistoso
Duma família exemplar
Uma pessoa inteligente
Conquistava com o olhar
Tem filhos maravilhosos
Nada pra ele se queixar.
13
Dizia: ninguém é besta
De no bêbado confiar
O seu Joaquim quando bebe
Só faz cagar e mijar
No povo que tá dormindo
Quando vem lhe visitar.
14
Maria, uma dona de casa
Uma mulher respeitada
Engajou-se na bebida
Até ficar viciada
O álcool lhe transformou
E deixou-a esclerozada.
15
Um branco dava em Tião
E sem saber o que fazia
A calcinha da mulher
Sempre, sempre ele vestia
E quando ia pro banheiro
A sua bosta comia.
16
Depois na sobriedade
A sua mulher lhe contava.
E tudo o que lhe dizia
A sua alma judiava
Sofria que dava dó
Muitas vezes ele chorava.
17
Luzia, linda mulher!
Pelo mundo se mandou
Bebia com todo mundo
Foi perdendo o seu vigor
Muito sexo e muita droga
O seu corpo transformou.
18
Sua filha desgostosa
Que na sarjeta a mãe via
Rezava pedindo a Deus
Pra ela também um guia
Porque essa vida triste
Pra ela nunca queria.
19
Tomara que essa história
Vá servindo de lição
Ver assim um ser humano
Hoje me corta o coração
E faço a todos um convite:
Venha salvar-se, meu irmão!
20
Hoje eu vivo escapando
Correndo para o AA
Tentando com muito esforço
Do maldito me livrar
É um vício desgraçado
Mas de mim não vai ganhar.
21
Termino aqui um desabafo
Dum homem prejudicado
Aguardo esperançosa
Que ele tenha lhe ajudado
Veja os ensinamentos
Não se sinta incomodado.
22
Não sinta irmãos, por favor!
Que isso é preconceito
É só uma forma diferente
De eu arranjar um jeito
De lhe mostrar que é doença
Não penso que é defeito.
23
Alcoolismo é doença
E difícil de tratar
Deixe que a sua família
Possa de você cuidar
Dê o seu consentimento
Pra ela colaborar
24
Agora findo a minha parte
Que é de lhe transmitir
Os males da humanidade
Que podem lhe destruir.
Grande é a beleza da vida
Pra você usufruir.

                     Nelcimá morais
                              João pessoa-PB                                  
                                      30/07/12

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Abrace a preservação



*
Estão derrubando as matas
É grande a devastação.
O clima anda mudando
Falta conscientização
Chora a mãe natureza
Que perde sua riqueza
Vendo mais pobre seu chão
*
Tudo vai virando cinzas
Só por conta das queimadas.
A fumaça vai subindo
Poluindo outras camadas,
E a desertificação,
Vai aniquilando o chão,
Cumprindo suas jornadas.
*
Preservar a natureza,
Garanto-lhe meu irmão,
Muito mais do que modismo
Hoje é nossa obrigação
O planeta está doente
Seja bem mais consciente
Abrace a preservação.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda

terça-feira, 22 de maio de 2012

A trajetória de D. Gilô

Quero registrar aqui o meu orgulho por saber que muita gente ainda valoriza a poesia de cordel. Fui procurada por uma familia que resolveu embelezar as mesas da festa do aniversário de sua matriarca, com um cordel contada a sua história por ela ser uma pessoa que valoriza muito a cultura popular. Eis aqui o que pude fazer:
 Hoje é dia de festa
 Grande comemoração
 90 anos de vida
 Recheados de emoção
 Vive assim D. Gilô
Filha de Sebastião.

 Nascida aos 15 de maio
Em Poço de Pedra morou
 No estado do Piauí
 E pouco ela estudou
 Sua mãe Maria Luíza
 Nessa filha caprichou.

 Pouco estudo ela teve
 Porque seu pai não aceitava
 Somente assinar o nome
Naquele tempo bastava
 Era o costume da época
 E a moça se conformava.

 Brasilina, no registro,
 Como Gilô conhecida
 Desde menina mostrou
 Que era bem destemida
 Grande a sua inteligência
 A Deus muito agradecida.

 Quando ainda era jovem
 Começou a trabalhar
 Fazia as tarefas de casa
 E ao seu pai ia ajudar
 Uma criação de bodes
 Ela ajudou a formar.

 Aos 16 anos de idade
Era uma moça faceira
Costurando aos pouquinhos
 Fazia roupas de primeira
 E quando mal acreditava
Tornou-se uma boa costureira.

 Essa mocinha Gilô
Muito bem ela dançava
 Aos bailes que ela ia
 Só quando o seu pai deixava
 Mostrava-se uma boa dançarina
 Todo mundo admirava.

 Foi num baile de família
Que o seu príncipe encontrou
 Seu namoro durou pouco
 Porque logo ela casou
 E pra sua lua de mel
Esse casal viajou.

 Uma viagem inesquecível
 Vocês podem acreditar
 Passaram dias na estrada
 Dormindo sob o luar
 Guardaram muitas lembranças
 Para o amor testemunhar.

 Uma grande cavalgada
 Do Piauí ao Maranhão
 Galopando com os tropeiros
 Ela nunca esqueceu, não,
 Seu aconchego era o mato
 Assim selou sua união.

 D. Gilô com sua força
 É uma privilegiada
Aproveitou a natureza
 Nela se sentiu muito amada
 Ficou grávida, sete vezes
 Sentindo-se bem agraciada.

 Foi mulher comerciante
 Também mulher fazendeira
 Mulher de caminhoneiro
 E uma boa cozinheira
 E hoje aos 90 anos
Ainda é mulher redeira.

 No estado do Piauí
 E também do Maranhão
 Iniciou a família
 Com seu esposo  Adão
 Encerraram a sua prole
 Ana Luíza e Tião.


 Em 23 de abril
 Data jamais esquecida
 Perdeu o pai de seus filhos
 Que lhe causou uma ferida
 Ficou Gilô transtornada
Uma mulher entristecida.

 Olhando para as crianças
 Viu que tinha que lutar
 Confiou no Pai eterno
 E começou a costurar
 Foi assim com inteligência
 Que passou a se orgulhar.

 Criou, assim, cinco filhos
 Viúva, mas corajosa
 Vivia dum lado pro outro
 Pra costurar não tinha hora
 Mantinha todos na escola
 E se sentia orgulhosa.

 Hoje ela tem Vilani
 Tem Lulu, não tem Tião
 Tem Socorro e tem Assis
 E ainda tem o Adão
 É um conjunto de filhos
 Que alegra o seu coração.

 Morando na Paraíba
 Pra família acompanhar
 Foi ficando e foi gostando
 Até se apaixonar
 Apaixonar-se daqui
 Não lhe queiram censurar.

 Mas da terra natal
 Ela nunca esqueceu
 Vive sempre viajando
 Levando um parente seu
 Faz questão de usufruir
 Da cultura que aprendeu.

  Sabemos de uma história
 Que achamos engraçada
 Foi numa dessas viagens
 Que ficou atrapalhada
 Trazendo o seu periquito
 Ela ia sendo multada.

  Bem no meio da estrada
 Veio uma fiscalização
 Dona Gilô quase pasma
 Tremia até o coração
 Um neto dizia: não traga
 Mais seu periquito, não!

 Ainda come de tudo
 É amante do toucinho
 Sua comida é gostosa
 Refogada com carinho
 E também conta piadas
 Esse aqui é que é o caminho.

 É divertida com os netos
 Orgulha esse timão
 É um exemplo de avó
 Mas não tem paciência, não,
 Mesmo assim vai cultivando
  Seus amores do coração.

 Grande mulher, ela merece
Uma festa de arrombar
 E pedimos ao Deus Pai
 Para lhe abençoar
 Dona Gilô, parabéns!
 Até o outro ano chegar.

                J. Pessoa-PB Maio de 2012
 Texto poético: Nelcimá Morais
 Texto informativo: suas filhas Vilani e Socorro.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Mãe, mainha, mamãe

MÃE É um ser sublime
Mulher em forma de flor
 Sua bondade é tanta
 Que até esconde sua dor
 Exprime as suas maravilhas
 Jorrando faíscas de amor.

 Mãe que também é ternura
 Mãe que também é emoção
 Mãe que contenta seu filho
 Com sua suave expressão
 De um amor que nunca encerra
 Dentro do seu coração.

 Seja jovem ou idosa
 Seja pobre, tem amor.
 Seja rica ou sem estudo
 Prá nós é sempre uma flor.
 Está sempre com seu filho
Seja na alegria ou na dor.

 Para todas as mamães
Eu quero aqui dedicar
Todo carinho do mundo
 Pra esta rainha do lar
 E pedir ao Pai Eterno
 Para sempre lhe abençoar.
 Feliz dia das mães!

Outros malefícios do tabaco

Vou apresentar pra vocês
 Uma coisa impressionante
 O poder do tabagismo
 Veja como é desgastante
 Agride o nosso planeta
 E também seu habitante.

 A natureza agradece
 O seu bom entendimento
 Eu quero neste poema
 Prestar-lhe um conhecimento
 Dos males do tabagismo
 E esperar procedimento.

 Sabe aqueles incêndios
 Que queimam sem compaixão?
 Muitos são frutos do tal
 Do conhecido piolão
 Que são jogados à toa
 Acesos como um tochão.

 Sejam “chepas” ou “bitucas”
 Assim também são chamadas
 As piolas, oh! meu povo,
 Quando elas são jogadas
 Numa beira de estradas
 Provocam muitas queimadas.

 Uma ponta de cigarro
 Em área de preservação
 Se for jogada acesa
 Mesmo sem ter a intenção
 Provoca em mata seca
 Uma grande queimação.

 Também tem outro efeito
 Pelo cigarro causado
 O acúmulo do piolão
 Que nas águas é jogado
 Causa um grande impacto
 É caso de ser pensado.

 O fumo é prejudicial
 Você pode ter certeza
 Para o homem e o planeta
 Você não sabe a grandeza
 Do suicídio do campo
 Por causa dessa moleza.

 Moleza do ser humano
 Por não querer evitar
 O vício do tabagismo
 Vai com o homem acabar
 O seu habitat e seu corpo
 E um deserto deixar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Homenagem à Dalinha Catunda

Academia dos Cordelistas do Crato homenageia Dalinha Caunda


CORDEL DE SAIA divulga homenagem prestada à poeta Dalinha Catunda feitas pelo acadêmicos da Academia dos Cordelista do Crato – ACC. Josenir Lacerda, como de costume, feliz em suas composições, não deixou a desejar sobre a parceira de blog. Captou com muita sensibilidade a saga desta mulher valente, guerreira e que ultrapassou todas as dificuldades que a vida lhe apresentou, sem contudo curvar-se à adversidade, antes pelo contrário, retirou dela a energia e a inspiração para transformar a dor em prazer de poetar. Josenir Lacerda afirma a saga de Dalinha Catundo nos versos abaixo:
*
Dalinha Catunda a Abelha do Sertão
1
Vieram me perguntar
Quem é mesmo essa Dalinha
Que tão faceira caminha
Sem no verso tropeçar
Que sabe tão bem falar
Com carinho e precisão
Das belezas do sertão
Empolgada e sem preguiça
Nossa saudade ela atiça
No forno do coração
2
Essa “cabôca” sem par
Respondo sem ter receio
É daqui do nosso meio
Digo sem medo de errar
Da cultura popular
É ferrenha protetora
É mestra e divulgadora
Enaltece o seu valor
Com zelo e com destemor
Do cordel é defensora
3
Em Ipueiras nascida
Na sua história mergulha
Da sua terra se orgulha
Fala dela comovida
É temática preferida
No verso e na poesia
Visita com alegria
O seu berço abençoado
Onde viveu no passado
E se dedica hoje em dia
4
É poeta cordelista
Com destaque no cenário
E no palco literário
Ela é protagonista
Não perde a cena de vista
Pois sabe como atuar
Nem precisa simular
O enredo lhe pertence
Essa brava cearense
Tem história pra contar
5
Para falar de Dalinha
Tem que falar de roçado
De floresta, rio e gado
Fogão de lenha e cozinha
Do baú na camarinha
Guardando sonho e segredo
Da chuva e do arvoredo
Emoldurando a paisagem
Do vaqueiro de coragem
Que enfrenta a vida sem medo
6
Tem que citar reza e fé
História de assombração
E o ribombar do trovão
No dia de São José
O canto do caboré
A cantiga do vim-vim
O orvalho do capim
Depois de fina garoa
Falar de cantiga e loa
Mel de engenho e alfenim
7
É a típica sertaneja
Tão criativa e prendada
Que do pouco ou quase nada
Retira o que ela deseja
Conquista tudo que almeja
Pela determinação
Busca sempre a solução
Com base no otimismo
Contorna qualquer abismo
Com fé, garra e devoção
8
Dalinha é flor agrestina
Sem laço com a primavera
É a certeza da espera
No sorriso de menina
É professora que ensina
A regra do bem viver
Sempre disposta a aprender
Retira a lição na dor
Na certeza que o amor
Sempre irá prevalecer
9
Posso dizer que ela é
Da mulher representante
Pois a postura garante
Da sertaneja de fé
Nadando contra a maré
Conquistou a calmaria
Hoje abriga a alegria
Dela faz repouso e leito
Tem no carisma e no jeito
A doçura de Maria
10
É esposa dedicada
Mãe amiga e exemplar
Porém sabe regular
Na hora necessitada
Pra ela, a palavra dada
Pode bater, mas não volta
Com o errado se revolta
Enfrenta pedra e espinho
Até achar o caminho
Achando, pega e não solta
11
Dalinha quando verseja
Não precisa de viola
O verso sai da cachola
Da forma que ela deseja
Feito um manjar na bandeja
Dourada da inspiração
Faz da rima refeição
Se der um tema ela aceita
Se o mote é fraco ela ajeita
Com seu toque de condão
12
É exímia cordelista
E ao cordel é dedicada
No verso sabe ser fada
No palco já é artista
No jornal e na revista
Sua foto eu avistei
Confesso que me orgulhei
Porque já sou sua fã
E um sentimento de irmã
Por ela sempre terei
13
Já ouvi ela falar
Que é abelha do sertão
Que faz mel, mas tem ferrão
Pra hora que precisar
Ela não sabe atacar
Mas sabe se defender
Se a marmota aparecer
Não corre, fica e enfrenta
A peleja ela agüenta
Até botar pra correr
14
Só quem conhece é que sabe
O valor dessa mulher
Que luta pelo que quer
Nem que a muralha desabe
Mas só entra onde lhe cabe
Porque tem discernimento
Escolhe a hora e o momento
O rumo e a direção
Porque só entra em ação
Pra garantir o evento
15
Modesta apresentação
Eu ousei oferecer
E quem quiser mais saber
Vai ter que entrar em ação
Buscar rumo e direção
A ela se dirigir
Então irá assistir
A um atraente relato
Enredo de sonho e fato
Que dá prazer de ouvir
16
Pois pra definir Dalinha
Carece mais que um cordel
Haja verso, haja papel
Pra falar dessa rainha
Mas no espaço que eu tinha
Dei meu singelo recado
O resto fica guardado
Nossa amizade é quem diz
Que ela seja bem feliz
E o seu lar abençoado
(Josenir Lacerda)
*
Nos primórdios de nossa literatura, à mulher cabia o papel de musa – a bela mulher que inspirava a todos,como: mãe, esposa, e filha exemplar. Responsável pela condução do lar (a organização dos afazeres domésticos, à satisfação social do marido, a educação dos filhos, etc). Dalinha recusa-se a engrossar o caldo das musas passivas e objeto temático de poetas. Rompe fronteiras e quebra preconceitos e esteriótipos. Veja no poema abaixo:
*
Sou assim...
Não peço licença à musa
Quando quero poetar.
Na hora que o santo arreia
Meto pau a registrar
Minha simples poesia,
Onde não vejo heresia
Em meu modo de atuar.
*
Tenho dois nomes de santa,
Que me foi dado na pia.
O segundo é Lourdes
O primeiro é Maria.
Mas pra fugir desta linha
Preferi usar Dalinha,
Que é a cara desta cria.
*
Da minha mãe eu herdei
O sobrenome Aragão,
O herdado de meu pai
Causa certa confusão
Mesmo rimando com bunda
Gosto do nome Catunda
E uso com satisfação.
*
Não curto meias palavras
Meu pavio é meio curto,
Mesmo assim sou atinada
Por pouco, não entro em surto.
Não sou de mandar recado
Não sei o que é pecado
E de viver não me furto
(Dalinha Catunda)
*
Sua coragem e generosidade são contagiantes, nos anima na busca de novos caminhos. Por esta razão me atrevo a dizer que Dalinha Catunda é o que os grandes menestréis identificam como poeta “musa cheia”.
Os versos que dedico a ela, fruto de sua generosidade são:
*
Apresento para vocês
Uma Cobra bem criada
Versos de Dalinha são,
Pra ficar embasbacada
Seu humor é transbordante
E de forma apimentada
(Rosário Pinto)