quinta-feira, 30 de setembro de 2010
II OFICINA DE CORDEL NA ESCOLA ESTADUAL PROFª Mª GENI
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sábado, 4 de setembro de 2010
A caipira que perdeu seu amor por causa da lata d'água
Essa moça de quem falo
Com sua mãe só saia
Era duma grande família
E seus costumes seguia
Uma jovem bem inocente
Da vida nada sabia.
Hoje é bem diferente
Assim não tem moça não
Elas são muito sabidas
Cheias de informação
Imitam moças da rua
Vêem na televisão.
Aquele estilo matuto
Para sempre abandonado
A família observando
Sempre com muito cuidado
O pai fica desgostoso
Vendo o estilo mudado.
Aquela menina moça
Começou a despertar
A vontade dos rapazes
Pra com ela namorar
Pedia às amiguinhas
Para o namoro ajeitar.
Ainda muito ingênua
Sem saber o que fazia
Dos moços, os pretendentes
Maria só se escondia
Mas no fundo, no fundinho
Namorar ela queria.
Era uma moça mimosa
Dum brilho especial
Seus olhos muito azuis
Que não existia igual
Chamava atenção dos moços
Para um namoro formal.
Maria, este é o nome
O nome que eu vou lhe dar
Não lhe digo o verdadeiro
Para não incomodar
Mas esta história, garanto
Você vai muito gostar.
Naquele tempo, lá longe...
Foi isso o que me passaram
Bem pelos anos 50
As meninas que casaram
Tinham de 13 a 15 anos
Assim se acostumaram.
A partir dos 13 anos
Maria já disputava
O olhar de um mocinho
Que aos seus pais agradava
A menina encabulada
Nunca na sala estava.
A mais velha dos irmãos
Muito ciúme causava
Apesar de ser novinha
Ela muito labutava
Foi criada na lavoura
Ate água carregava.
Vida na roça era dura
Do pesado se vivia
Não tinha água encanada
Também não tinha energia
Ferro elétrico nem se fala
Liquidificador não existia.
Morava numa casinha
Que eu até conheci
Ao escutar a história
Não acreditei no que ouvi
Fui à procura de um lápis
E bem ligeiro escrevi.
Voltando a falar do moço
Que seu amor disputava
Vindo em busca de Maria
Da estrada se avistava
Ao vê-la pelo roçado
Seu coração palpitava.
Maria que vinha do açude
De nada desconfiou
Com uma lata na cabeça
De água que ela buscou
Bem faceira caminhava
Quando pra frente olhou.
Aquele rapaz bem vestido
De paletó encorpado
Já quase perto de casa
Olhava pro seu sapato
Observando se ele
Estava bem engraxado.
Se aquilo era verdade
Maria não acreditou
Meteu o pé na carreira
E com a porta se topou.
Era a porta da cozinha
Aonde a moça chegou.
A pancada foi tão grande
Que fez a lata cair
Essa jovem muito tonta
Nada podia ouvir
O moço bem espantado
Falar não ia conseguir.
Ficou só observando
O fato acontecido
Que Maria era tímida
Ele já tinha percebido
Mas pro velho, pai da moça,
Era um favorecido.
A mocinha ao despertar
Ficou muito envergonhada
Com o rapaz bem na frente
Ela se sentiu humilhada
Não merecia o transtorno
Que a deixou abalada.
O moço já meio sem jeito
Não sabia o que fazer
Deu meia volta pra sala
Não deixava perceber
Que aquela situação
Ia lhe aborrecer.
Não sabia esse jovem
Pra Maria como olhar
Matutava em seus miolos
Como ia lhe enfrentar
Maria, zonza da queda
Com suas irmãs foi ficar.
Manezim, agora digo,
Esse moço se chamava
Ficou com tanta vergonha
Que na hora só pensava
No furor da lata dágua
Que seu namoro acabava.
Maria, ele tinha certeza
Nunca mais avistaria
Por causa da lata dágua
Esse amor perderia
A moça já decidida
Pra ele nunca olharia.
Certamente esse amor
Não era concreto não
Os dois casaram-se com outros
E viveram em união
Mas essa queda, jamais
Maria não esqueceu não.
Nelcimá Morais
05-08-10.
Ilustração da capa: Inajara Morais
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
LANÇAMENTO DE LIVRO
O livro, Vozes femininas na Literatura Ocidental, reúne ensaios de alunos que frequentaram o curso "Vozes femininas na Literatura Medieval" ministrado pela professora do Programa de Pós-graduação da UFPB Luciana Calado. Os ensaios que nele se inserem tem a perspectiva de resgate da memória feminina. Nós, os escritores contempladas, pertencemos a épocas diversas: do século X aos nossos dias, e com variada produção literária.
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OFICINA DE CORDEL NO SHOPPING TAMBIÁ
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
Às três Fátimas do Auzanir
Às três Fátimas do Auzanir
Eu quero neste momento
Momento de comoção
Dizer algumas palavras
Que estão no meu coração
Vou falar de três mulheres
Que merecem saudação.
Fui professora em Patos
Com três Fátimas trabalhei
Eram três mulheres dignas
Que no Auzanir encontrei
Com treze anos na lida
Delas eu me separei.
Mandei-me pra capital
Continuei trabalhando
Mas dessas heroínas
Eu sempre tava lembrando
Trouxe comigo lições
Pra irem me ajudando.
Três mulheres guerreiras
De idéias inovadoras
Todas três muito distintas
Também grandes professoras
Pra este mundo elas foram
Grandes colaboradoras.
Eu lembro bem de Fatinha
Que sua alegria externava
Irmã de Neuma Candeia
Era assim que eu a chamava
Deus a chamou muito cedo
Porque dela precisava.
Membro de Pastoral
Atuou como ninguém
Na Pastoral da Criança
E sempre ajudando alguém
Hoje eu sei que ela trabalha
Na Pastoral do Além.
Fátima Marques também
Por Deus ela foi chamada
Focada na educação
Assim ela trabalhava
Mulher de fibra, vaidosa
A todos admirava.
Fátima Lacerda, agora
O nosso Deus a chamou
Mulher ativa, marcante
Nas lutas do professor
Por um salário mais digno
Ela sempre batalhou.
Três Fátimas educadoras
Três mulheres corajosas
Passaram pelo Auzanir
E talvez noutras escolas
Zelaram pelo ensino
Eram muito caprichosas.
Ao Trio eu quero deixar
Esta singela homenagem
Neste mundo ele foi
Exemplo de muita coragem
Deixou aqui registrada
Uma esplendosa passagem.
Nelcimá Morais
30/06/10.
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quarta-feira, 9 de junho de 2010
Cordel apimentado
A MULHER QUE BOTOU PIMENTA NO PINTO DO MARIDO
Eu vou falar dum assunto
Um assunto corriqueiro
Duma cena que há anos
Percorre o mundo inteiro
Falo bem das baixarias
Do cabra raparigueiro.
Numa cidade pequena
O nome não vou dizer
É cidade sertaneja
Onde me viu crescer
Eu conheci um casal
Que brigava pra valer.
Com um nome fictício
O casal eu vou chamar
Inácio o nome do homem
E Inácia pra combinar
A história desse povo
Merece alguém contar.
Inácio era homem bom
Porém galanteador
Bebia muita cachaça
E ficava namorador
Quando ele tava bebendo
Esquecia o seu amor.
Inácia era o seu amor
Com quem muitos filhos tinha
Inácio era um viajante
Que de vez em quando vinha
Visitar a sua família
E tomar sua cachacinha.
Lá pelos anos setenta
Essa historia acontecia
Na época em que cabaré
Os homens abastecia
Bem distante da cidade
Assim ninguém percebia.
O transporte era jipe
Bicicleta ou a pé
Caminhoneta, cavalo
E o mais importante é
Que se formavam uns grupos
Para ir pro cabaré.
Naquele tempo me lembro
Como o povo chamava
As mulheres que serviam
Ao homem que procurava
Rapariga ou prostituta
Sempre pronta ela estava.
Era mulher conhecida
Diferente se vestia
Com as mulheres de hoje
Jamais ela competia
Hoje são belas mulheres
Que agrada a freguesia.
Volto a falar de Inácio
Da zona frequentador
Aperriava Inácia
Que guardava muita dor
Queria o seu marido
Do seu lado sem rancor.
Fez de tudo essa mulher
Queria com ele viver
Mas Inácio não enxergava
Esse precioso ser
Preferia as raparigas
Era esse o seu querer.
Virou um homem alcoólatra
Caiu na depravação
Envergonhou a família
Que aguentou humilhação
Inácia já bem ferida
Roxo era seu coração.
Um belo dia Inácia
Uma ação planejou
Queria vingar-se de Inácio
E um bom plano montou
Fez que tava boazinha
Quando o marido chegou.
Inácio bem inocente
Na cama ele foi deitar
Inácia criou coragem
Pro plano arquitetar
Deixou Inácio dormir
Esperou ele roncar.
Um punhado de pimenta
Esmagou num bom pilão
A pimenta malaguete
Ficou feito um pirão
Inácia com muita raiva
Tremia até o coração.
Desceu as calças do homem
E começou a fitar
O lugar que preferia
A pimenta colocar
Era o pinto do homem
Que ela queria queimar.
Naquele sono pesado
Inácio nunca ia saber
Dos planos de sua Inácia
Do que ela ia fazer
Dormia feito um anjo
Sem a nada perceber
Inácia na sua frente
Decidida a começar
Pegou a pimenta toda
E foi logo massagear
Aquele pinto perverso
Que desejava matar.
A coisa já foi queimando
E Inácio acordou
Numa gritaria alarmante
Que atenção do povo chamou
Aquele homem sofrendo
Era grande o seu pavor.
Inácio jamais pensava
Que Inácia era capaz
De tão ardente astúcia
Pra conquistar sua paz
Eita mulher porreta
Deixou o homem incapaz.
Daquele dia pra frente
Inácio passou a ter
Medo de enfrentar Inácia
Porque ele nunca ia saber
Dos planos de sua esposa
Do que ela ia fazer.
O homem foi amansando
Sua atitude melhorou
Respeitou mais a esposa
E o seu fogo abaixou
Passou a temer Inácia
Que muito feliz ficou.
Daquele dia em diante
Inácia usou seu poder
Virou o galo da casa
E respeito queria ter
Conquistou o que queria
E a Deus foi agradecer.
Nelcimá Morais
Dez/09
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