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sábado, 4 de setembro de 2010

A caipira que perdeu seu amor por causa da lata d'água




Essa moça de quem falo
Com sua mãe só saia
Era duma grande família
E seus costumes seguia
Uma jovem bem inocente
Da vida nada sabia.

Hoje é bem diferente
Assim não tem moça não
Elas são muito sabidas
Cheias de informação
Imitam moças da rua
Vêem na televisão.

Aquele estilo matuto
Para sempre abandonado
A família observando
Sempre com muito cuidado
O pai fica desgostoso
Vendo o estilo mudado.

Aquela menina moça
Começou a despertar
A vontade dos rapazes
Pra com ela namorar
Pedia às amiguinhas
Para o namoro ajeitar.

Ainda muito ingênua
Sem saber o que fazia
Dos moços, os pretendentes
Maria só se escondia
Mas no fundo, no fundinho
Namorar ela queria.

Era uma moça mimosa
Dum brilho especial
Seus olhos muito azuis
Que não existia igual
Chamava atenção dos moços
Para um namoro formal.

Maria, este é o nome
O nome que eu vou lhe dar
Não lhe digo o verdadeiro
Para não incomodar
Mas esta história, garanto
Você vai muito gostar.

Naquele tempo, lá longe...
Foi isso o que me passaram
Bem pelos anos 50
As meninas que casaram
Tinham de 13 a 15 anos
Assim se acostumaram.

A partir dos 13 anos
Maria já disputava
O olhar de um mocinho
Que aos seus pais agradava
A menina encabulada
Nunca na sala estava.

A mais velha dos irmãos
Muito ciúme causava
Apesar de ser novinha
Ela muito labutava
Foi criada na lavoura
Ate água carregava.

Vida na roça era dura
Do pesado se vivia
Não tinha água encanada
Também não tinha energia
Ferro elétrico nem se fala
Liquidificador não existia.

Morava numa casinha
Que eu até conheci
Ao escutar a história
Não acreditei no que ouvi
Fui à procura de um lápis
E bem ligeiro escrevi.

Voltando a falar do moço
Que seu amor disputava
Vindo em busca de Maria
Da estrada se avistava
Ao vê-la pelo roçado
Seu coração palpitava.

Maria que vinha do açude
De nada desconfiou
Com uma lata na cabeça
De água que ela buscou
Bem faceira caminhava
Quando pra frente olhou.

Aquele rapaz bem vestido
De paletó encorpado
Já quase perto de casa
Olhava pro seu sapato
Observando se ele
Estava bem engraxado.

Se aquilo era verdade
Maria não acreditou
Meteu o pé na carreira
E com a porta se topou.
Era a porta da cozinha
Aonde a moça chegou.

A pancada foi tão grande
Que fez a lata cair
Essa jovem muito tonta
Nada podia ouvir
O moço bem espantado
Falar não ia conseguir.

Ficou só observando
O fato acontecido
Que Maria era tímida
Ele já tinha percebido
Mas pro velho, pai da moça,
Era um favorecido.

A mocinha ao despertar
Ficou muito envergonhada
Com o rapaz bem na frente
Ela se sentiu humilhada
Não merecia o transtorno
Que a deixou abalada.

O moço já meio sem jeito
Não sabia o que fazer
Deu meia volta pra sala
Não deixava perceber
Que aquela situação
Ia lhe aborrecer.

Não sabia esse jovem
Pra Maria como olhar
Matutava em seus miolos
Como ia lhe enfrentar
Maria, zonza da queda
Com suas irmãs foi ficar.

Manezim, agora digo,
Esse moço se chamava
Ficou com tanta vergonha
Que na hora só pensava
No furor da lata dágua
Que seu namoro acabava.

Maria, ele tinha certeza
Nunca mais avistaria
Por causa da lata dágua
Esse amor perderia
A moça já decidida
Pra ele nunca olharia.

Certamente esse amor
Não era concreto não
Os dois casaram-se com outros
E viveram em união
Mas essa queda, jamais
Maria não esqueceu não.

Nelcimá Morais
05-08-10.

Ilustração da capa: Inajara Morais

sexta-feira, 30 de julho de 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO









O livro, Vozes femininas na Literatura Ocidental, reúne ensaios de alunos que frequentaram o curso "Vozes femininas na Literatura Medieval" ministrado pela professora do Programa de Pós-graduação da UFPB Luciana Calado. Os ensaios que nele se inserem tem a perspectiva de resgate da memória feminina. Nós, os escritores contempladas, pertencemos a épocas diversas: do século X aos nossos dias, e com variada produção literária.

Produções do público





OFICINA DE CORDEL NO SHOPPING TAMBIÁ






A oficina foi ministrada por mim com a parceria do SENAC/PB.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Às três Fátimas do Auzanir

Às três Fátimas do Auzanir

Eu quero neste momento
Momento de comoção
Dizer algumas palavras
Que estão no meu coração
Vou falar de três mulheres
Que merecem saudação.

Fui professora em Patos
Com três Fátimas trabalhei
Eram três mulheres dignas
Que no Auzanir encontrei
Com treze anos na lida
Delas eu me separei.

Mandei-me pra capital
Continuei trabalhando
Mas dessas heroínas
Eu sempre tava lembrando
Trouxe comigo lições
Pra irem me ajudando.

Três mulheres guerreiras
De idéias inovadoras
Todas três muito distintas
Também grandes professoras
Pra este mundo elas foram
Grandes colaboradoras.

Eu lembro bem de Fatinha
Que sua alegria externava
Irmã de Neuma Candeia
Era assim que eu a chamava
Deus a chamou muito cedo
Porque dela precisava.

Membro de Pastoral
Atuou como ninguém
Na Pastoral da Criança
E sempre ajudando alguém
Hoje eu sei que ela trabalha
Na Pastoral do Além.

Fátima Marques também
Por Deus ela foi chamada
Focada na educação
Assim ela trabalhava
Mulher de fibra, vaidosa
A todos admirava.

Fátima Lacerda, agora
O nosso Deus a chamou
Mulher ativa, marcante
Nas lutas do professor
Por um salário mais digno
Ela sempre batalhou.

Três Fátimas educadoras
Três mulheres corajosas
Passaram pelo Auzanir
E talvez noutras escolas
Zelaram pelo ensino
Eram muito caprichosas.

Ao Trio eu quero deixar
Esta singela homenagem
Neste mundo ele foi
Exemplo de muita coragem
Deixou aqui registrada
Uma esplendosa passagem.

Nelcimá Morais
30/06/10.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cordel apimentado

A MULHER QUE BOTOU PIMENTA NO PINTO DO MARIDO


Eu vou falar dum assunto
Um assunto corriqueiro
Duma cena que há anos
Percorre o mundo inteiro
Falo bem das baixarias
Do cabra raparigueiro.

Numa cidade pequena
O nome não vou dizer
É cidade sertaneja
Onde me viu crescer
Eu conheci um casal
Que brigava pra valer.

Com um nome fictício
O casal eu vou chamar
Inácio o nome do homem
E Inácia pra combinar
A história desse povo
Merece alguém contar.

Inácio era homem bom
Porém galanteador
Bebia muita cachaça
E ficava namorador
Quando ele tava bebendo
Esquecia o seu amor.

Inácia era o seu amor
Com quem muitos filhos tinha
Inácio era um viajante
Que de vez em quando vinha
Visitar a sua família
E tomar sua cachacinha.

Lá pelos anos setenta
Essa historia acontecia
Na época em que cabaré
Os homens abastecia
Bem distante da cidade
Assim ninguém percebia.

O transporte era jipe
Bicicleta ou a pé
Caminhoneta, cavalo
E o mais importante é
Que se formavam uns grupos
Para ir pro cabaré.

Naquele tempo me lembro
Como o povo chamava
As mulheres que serviam
Ao homem que procurava
Rapariga ou prostituta
Sempre pronta ela estava.

Era mulher conhecida
Diferente se vestia
Com as mulheres de hoje
Jamais ela competia
Hoje são belas mulheres
Que agrada a freguesia.

Volto a falar de Inácio
Da zona frequentador
Aperriava Inácia
Que guardava muita dor
Queria o seu marido
Do seu lado sem rancor.

Fez de tudo essa mulher
Queria com ele viver
Mas Inácio não enxergava
Esse precioso ser
Preferia as raparigas
Era esse o seu querer.

Virou um homem alcoólatra
Caiu na depravação
Envergonhou a família
Que aguentou humilhação
Inácia já bem ferida
Roxo era seu coração.

Um belo dia Inácia
Uma ação planejou
Queria vingar-se de Inácio
E um bom plano montou
Fez que tava boazinha
Quando o marido chegou.

Inácio bem inocente
Na cama ele foi deitar
Inácia criou coragem
Pro plano arquitetar
Deixou Inácio dormir
Esperou ele roncar.

Um punhado de pimenta
Esmagou num bom pilão
A pimenta malaguete
Ficou feito um pirão
Inácia com muita raiva
Tremia até o coração.

Desceu as calças do homem
E começou a fitar
O lugar que preferia
A pimenta colocar
Era o pinto do homem
Que ela queria queimar.

Naquele sono pesado
Inácio nunca ia saber
Dos planos de sua Inácia
Do que ela ia fazer
Dormia feito um anjo
Sem a nada perceber

Inácia na sua frente
Decidida a começar
Pegou a pimenta toda
E foi logo massagear
Aquele pinto perverso
Que desejava matar.

A coisa já foi queimando
E Inácio acordou
Numa gritaria alarmante
Que atenção do povo chamou
Aquele homem sofrendo
Era grande o seu pavor.

Inácio jamais pensava
Que Inácia era capaz
De tão ardente astúcia
Pra conquistar sua paz
Eita mulher porreta
Deixou o homem incapaz.

Daquele dia pra frente
Inácio passou a ter
Medo de enfrentar Inácia
Porque ele nunca ia saber
Dos planos de sua esposa
Do que ela ia fazer.

O homem foi amansando
Sua atitude melhorou
Respeitou mais a esposa
E o seu fogo abaixou
Passou a temer Inácia
Que muito feliz ficou.

Daquele dia em diante
Inácia usou seu poder
Virou o galo da casa
E respeito queria ter
Conquistou o que queria
E a Deus foi agradecer.

Nelcimá Morais
Dez/09

Cordeis de duplo sentido

O HOMEM QUE PERDEU A ROLA

Ao Tuca pedi licença,
Pra sua história contar.
É fato não brincadeira
O que tenho pra narrar.
Esta tragédia, amigos,
Foi mesmo de amargar.

Este Caso sucedeu
Em Ipueiras Ceará.
E fez minha cidade
De tristeza até chorar.
A cidade combalida
Nunca viu tanto pesar.

Todos conhecem Tuca,
Nem precisa apresentar.
Dono de um restaurante.
Que é muito popular.
Comerciante querido,
Tem o dom de agradar.

Tuca era muito feliz,
Com filhos e sua mulher.
Também tinha sua rola,
Que sempre estava de pé,
Não largava sua pomba
Um instantinho sequer.

Não sei se foi mau olhado,
Praga ou coisa assim.
Só sei que sua alegria.
De repente teve fim.
O homem perdeu a rola,
Meu Deus que coisa ruim!

Ipueiras toda chorou
Foi grande a comoção.
Não era uma rolinha,
Na verdade era um rolão.
Muita gente importante,
Já tinha passado a mão.

A mulher soluçava
Abraçada ao marido.
E ele se lamentava
Por a rola ter perdido.
Tudo virou tristeza,
Depois do acontecido.

Quando era à tardinha,
Na hora da ave Maria,
Tuca pegava sua rola
Com jeito recolhia,
E agradecia aos céus.
A rola que possuía.

Sua querida esposa,
Entrou numa depressão
Pois sua maior alegria
Era ter a rola na mão.
Ela chora de saudades
Pela rola do patrão.

Tuca perdeu a alegria
Perdeu a satisfação.
Vivia coçando a rola
Por debaixo do balcão
Sem rola e sem alegria
É grande a aflição.

Amigos afagavam
Aquela rola singela
Tuca sempre exibia
Pondo ela na janela.
Era uma boa atração
Todos gostavam dela.

Muita gente chorou
É a mais pura verdade,
Homem que perde a rola
É digno de piedade.
Tem uma vida vazia
Perde a felicidade.

A história dessa rola,
Ainda não acabou.
Não estou de sacanagem,
E lhes peço, por favor.
A rola é um passarinho,
Não o que você pensou!

O martírio dessa rola,
Foi de cortar coração.
Um dia Tuca encontrou
A pomba ferida no chão.
E tratou do passarinho,
Que virou de estimação.

A rolinha vivia solta,
Andando pra lá e pra cá
No ombro de Tuca ela,
Gostava de passear.
Era bem interessante
Era mesmo de admirar.

Até hoje não se sabe,
O que de fato aconteceu.
Se ela foi atrás de Tuca,
E no caminho se perdeu.
Ou se ela foi roubada
Por um infame ateu

Só sei que a rolinha
Foi e deixou saudades.
A família e os amigos
Gostavam de verdade,
Da graciosa rolinha
Que era a novidade.

Tuca perdeu a sua rola,
Porém ganhou um cordel.
Quem pensou em sacanagem.
Não fez bonito papel.
Peço desculpa ao Tuca
Se no relato fui cruel.

Amigos,
Este é um cordel de minha autoria que ainda está na gráfica mas já estou apresentando aos amigos que gostam desse tipo de literatura. Eu tenho paixão pela cultura popular. Principalmente pelas histórias típicas do Nordeste que quase sempre resultam e cordéis engraçados.
Meu abraço a todos Dalinha Catunda.

Cordel de Dalinha Catunda.
Capa: Xilo de Erivaldo.
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A ROLA DA RÔ
*
Dalinha, se eu tivesse
Uma rola igual ao Tuca,
Certamente não estaria
Metendo mão em cumbuca
A minha levantou vôo,
E sumiu de forma brusca.
**
Agora, vivo nos cantos,
E sempre a procurar
Nova rolinha bonita
Para eu poder criar,
E no meu computador
O seu retrato postar.
***
Depois que perdi aquela
Rolinha afeiçoada,
Não largo da internet
Pesquiso sem achar nada!
Mas outra vou encontrar
Nem que seja a pelada.
****
Uma rolinha elegante
Magrinha e poderosa
Não poria na gaiola
Isto é caçada perigosa,
Mas se eu conseguir uma
Vou ficar é orgulhosa!
*****
Amiga, agora paro,
De em tanta rola falar.
Quero sair desse rolo
Louca eu não vou ficar,
Quando uma rola se vai
Outra pega seu lugar.

(Maria Rosário Pinto)
Rio, 31/05/2010