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sexta-feira, 30 de julho de 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO









O livro, Vozes femininas na Literatura Ocidental, reúne ensaios de alunos que frequentaram o curso "Vozes femininas na Literatura Medieval" ministrado pela professora do Programa de Pós-graduação da UFPB Luciana Calado. Os ensaios que nele se inserem tem a perspectiva de resgate da memória feminina. Nós, os escritores contempladas, pertencemos a épocas diversas: do século X aos nossos dias, e com variada produção literária.

Produções do público





OFICINA DE CORDEL NO SHOPPING TAMBIÁ






A oficina foi ministrada por mim com a parceria do SENAC/PB.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Às três Fátimas do Auzanir

Às três Fátimas do Auzanir

Eu quero neste momento
Momento de comoção
Dizer algumas palavras
Que estão no meu coração
Vou falar de três mulheres
Que merecem saudação.

Fui professora em Patos
Com três Fátimas trabalhei
Eram três mulheres dignas
Que no Auzanir encontrei
Com treze anos na lida
Delas eu me separei.

Mandei-me pra capital
Continuei trabalhando
Mas dessas heroínas
Eu sempre tava lembrando
Trouxe comigo lições
Pra irem me ajudando.

Três mulheres guerreiras
De idéias inovadoras
Todas três muito distintas
Também grandes professoras
Pra este mundo elas foram
Grandes colaboradoras.

Eu lembro bem de Fatinha
Que sua alegria externava
Irmã de Neuma Candeia
Era assim que eu a chamava
Deus a chamou muito cedo
Porque dela precisava.

Membro de Pastoral
Atuou como ninguém
Na Pastoral da Criança
E sempre ajudando alguém
Hoje eu sei que ela trabalha
Na Pastoral do Além.

Fátima Marques também
Por Deus ela foi chamada
Focada na educação
Assim ela trabalhava
Mulher de fibra, vaidosa
A todos admirava.

Fátima Lacerda, agora
O nosso Deus a chamou
Mulher ativa, marcante
Nas lutas do professor
Por um salário mais digno
Ela sempre batalhou.

Três Fátimas educadoras
Três mulheres corajosas
Passaram pelo Auzanir
E talvez noutras escolas
Zelaram pelo ensino
Eram muito caprichosas.

Ao Trio eu quero deixar
Esta singela homenagem
Neste mundo ele foi
Exemplo de muita coragem
Deixou aqui registrada
Uma esplendosa passagem.

Nelcimá Morais
30/06/10.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cordel apimentado

A MULHER QUE BOTOU PIMENTA NO PINTO DO MARIDO


Eu vou falar dum assunto
Um assunto corriqueiro
Duma cena que há anos
Percorre o mundo inteiro
Falo bem das baixarias
Do cabra raparigueiro.

Numa cidade pequena
O nome não vou dizer
É cidade sertaneja
Onde me viu crescer
Eu conheci um casal
Que brigava pra valer.

Com um nome fictício
O casal eu vou chamar
Inácio o nome do homem
E Inácia pra combinar
A história desse povo
Merece alguém contar.

Inácio era homem bom
Porém galanteador
Bebia muita cachaça
E ficava namorador
Quando ele tava bebendo
Esquecia o seu amor.

Inácia era o seu amor
Com quem muitos filhos tinha
Inácio era um viajante
Que de vez em quando vinha
Visitar a sua família
E tomar sua cachacinha.

Lá pelos anos setenta
Essa historia acontecia
Na época em que cabaré
Os homens abastecia
Bem distante da cidade
Assim ninguém percebia.

O transporte era jipe
Bicicleta ou a pé
Caminhoneta, cavalo
E o mais importante é
Que se formavam uns grupos
Para ir pro cabaré.

Naquele tempo me lembro
Como o povo chamava
As mulheres que serviam
Ao homem que procurava
Rapariga ou prostituta
Sempre pronta ela estava.

Era mulher conhecida
Diferente se vestia
Com as mulheres de hoje
Jamais ela competia
Hoje são belas mulheres
Que agrada a freguesia.

Volto a falar de Inácio
Da zona frequentador
Aperriava Inácia
Que guardava muita dor
Queria o seu marido
Do seu lado sem rancor.

Fez de tudo essa mulher
Queria com ele viver
Mas Inácio não enxergava
Esse precioso ser
Preferia as raparigas
Era esse o seu querer.

Virou um homem alcoólatra
Caiu na depravação
Envergonhou a família
Que aguentou humilhação
Inácia já bem ferida
Roxo era seu coração.

Um belo dia Inácia
Uma ação planejou
Queria vingar-se de Inácio
E um bom plano montou
Fez que tava boazinha
Quando o marido chegou.

Inácio bem inocente
Na cama ele foi deitar
Inácia criou coragem
Pro plano arquitetar
Deixou Inácio dormir
Esperou ele roncar.

Um punhado de pimenta
Esmagou num bom pilão
A pimenta malaguete
Ficou feito um pirão
Inácia com muita raiva
Tremia até o coração.

Desceu as calças do homem
E começou a fitar
O lugar que preferia
A pimenta colocar
Era o pinto do homem
Que ela queria queimar.

Naquele sono pesado
Inácio nunca ia saber
Dos planos de sua Inácia
Do que ela ia fazer
Dormia feito um anjo
Sem a nada perceber

Inácia na sua frente
Decidida a começar
Pegou a pimenta toda
E foi logo massagear
Aquele pinto perverso
Que desejava matar.

A coisa já foi queimando
E Inácio acordou
Numa gritaria alarmante
Que atenção do povo chamou
Aquele homem sofrendo
Era grande o seu pavor.

Inácio jamais pensava
Que Inácia era capaz
De tão ardente astúcia
Pra conquistar sua paz
Eita mulher porreta
Deixou o homem incapaz.

Daquele dia pra frente
Inácio passou a ter
Medo de enfrentar Inácia
Porque ele nunca ia saber
Dos planos de sua esposa
Do que ela ia fazer.

O homem foi amansando
Sua atitude melhorou
Respeitou mais a esposa
E o seu fogo abaixou
Passou a temer Inácia
Que muito feliz ficou.

Daquele dia em diante
Inácia usou seu poder
Virou o galo da casa
E respeito queria ter
Conquistou o que queria
E a Deus foi agradecer.

Nelcimá Morais
Dez/09

Cordeis de duplo sentido

O HOMEM QUE PERDEU A ROLA

Ao Tuca pedi licença,
Pra sua história contar.
É fato não brincadeira
O que tenho pra narrar.
Esta tragédia, amigos,
Foi mesmo de amargar.

Este Caso sucedeu
Em Ipueiras Ceará.
E fez minha cidade
De tristeza até chorar.
A cidade combalida
Nunca viu tanto pesar.

Todos conhecem Tuca,
Nem precisa apresentar.
Dono de um restaurante.
Que é muito popular.
Comerciante querido,
Tem o dom de agradar.

Tuca era muito feliz,
Com filhos e sua mulher.
Também tinha sua rola,
Que sempre estava de pé,
Não largava sua pomba
Um instantinho sequer.

Não sei se foi mau olhado,
Praga ou coisa assim.
Só sei que sua alegria.
De repente teve fim.
O homem perdeu a rola,
Meu Deus que coisa ruim!

Ipueiras toda chorou
Foi grande a comoção.
Não era uma rolinha,
Na verdade era um rolão.
Muita gente importante,
Já tinha passado a mão.

A mulher soluçava
Abraçada ao marido.
E ele se lamentava
Por a rola ter perdido.
Tudo virou tristeza,
Depois do acontecido.

Quando era à tardinha,
Na hora da ave Maria,
Tuca pegava sua rola
Com jeito recolhia,
E agradecia aos céus.
A rola que possuía.

Sua querida esposa,
Entrou numa depressão
Pois sua maior alegria
Era ter a rola na mão.
Ela chora de saudades
Pela rola do patrão.

Tuca perdeu a alegria
Perdeu a satisfação.
Vivia coçando a rola
Por debaixo do balcão
Sem rola e sem alegria
É grande a aflição.

Amigos afagavam
Aquela rola singela
Tuca sempre exibia
Pondo ela na janela.
Era uma boa atração
Todos gostavam dela.

Muita gente chorou
É a mais pura verdade,
Homem que perde a rola
É digno de piedade.
Tem uma vida vazia
Perde a felicidade.

A história dessa rola,
Ainda não acabou.
Não estou de sacanagem,
E lhes peço, por favor.
A rola é um passarinho,
Não o que você pensou!

O martírio dessa rola,
Foi de cortar coração.
Um dia Tuca encontrou
A pomba ferida no chão.
E tratou do passarinho,
Que virou de estimação.

A rolinha vivia solta,
Andando pra lá e pra cá
No ombro de Tuca ela,
Gostava de passear.
Era bem interessante
Era mesmo de admirar.

Até hoje não se sabe,
O que de fato aconteceu.
Se ela foi atrás de Tuca,
E no caminho se perdeu.
Ou se ela foi roubada
Por um infame ateu

Só sei que a rolinha
Foi e deixou saudades.
A família e os amigos
Gostavam de verdade,
Da graciosa rolinha
Que era a novidade.

Tuca perdeu a sua rola,
Porém ganhou um cordel.
Quem pensou em sacanagem.
Não fez bonito papel.
Peço desculpa ao Tuca
Se no relato fui cruel.

Amigos,
Este é um cordel de minha autoria que ainda está na gráfica mas já estou apresentando aos amigos que gostam desse tipo de literatura. Eu tenho paixão pela cultura popular. Principalmente pelas histórias típicas do Nordeste que quase sempre resultam e cordéis engraçados.
Meu abraço a todos Dalinha Catunda.

Cordel de Dalinha Catunda.
Capa: Xilo de Erivaldo.
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A ROLA DA RÔ
*
Dalinha, se eu tivesse
Uma rola igual ao Tuca,
Certamente não estaria
Metendo mão em cumbuca
A minha levantou vôo,
E sumiu de forma brusca.
**
Agora, vivo nos cantos,
E sempre a procurar
Nova rolinha bonita
Para eu poder criar,
E no meu computador
O seu retrato postar.
***
Depois que perdi aquela
Rolinha afeiçoada,
Não largo da internet
Pesquiso sem achar nada!
Mas outra vou encontrar
Nem que seja a pelada.
****
Uma rolinha elegante
Magrinha e poderosa
Não poria na gaiola
Isto é caçada perigosa,
Mas se eu conseguir uma
Vou ficar é orgulhosa!
*****
Amiga, agora paro,
De em tanta rola falar.
Quero sair desse rolo
Louca eu não vou ficar,
Quando uma rola se vai
Outra pega seu lugar.

(Maria Rosário Pinto)
Rio, 31/05/2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Oficina de cordel nas escolas





Como admiradora da Cultura popular, cordelista e aposentada, agora encontro tempo para mostrar ao mundo e, em especial, aos jovens o prazer da elaboração de um folheto de cordel.Brincando com as palavras,trocando a ordem delas no verso é uma forma de facilitar o encontro da perfeição das rimas.
LITERATURA DE CORDEL
Literatura, no sentido restrito, é a língua usada com o intuito de produzir arte, criar o belo, organizar e usar as palavras de uma forma especial que desperte no leitor a emoção.
O aparecimento da Literatura de Cordel está ligado à divulgação de histórias tradicionais, narrativas de velhas épocas, que a memória popular foi registrando e transmitindo. Inicialmente, usava-se a oralidade que deu lugar às cópias manuscritas e, com a chegada da imprensa, ela ganha uma forma impressa.
O nome “cordel” derivou da forma de venda, expostos, pendurados em cordões. O seu conteúdo (romances ou novelas de cavalaria, de amor, de narrativas de guerra ou conquistas marítimas) agradava não apenas aos simples, mas até reis e sábios .
Os versos na Literatura de Cordel, segundo Ariano Suassuna, estão divididos em vários grupos: Ciclos heróico, trágico e épico; fantástico e do maravilhoso: cômico, satírico, picaresco; histórico e circunstancial; do amor e da fidelidade; heróico e obsceno; político e social; pelejas e desafios; religioso e de moralidades.
O agrupamento de versos forma uma estrofe que, no cordel, podem ser encontrados com seis (sextilhas), sete (setilhas) ou dez versos.
A métrica é a arte que ensina os elementos à feitura de versos medidos. É um sistema de versificação particular a um poeta. É a contagem de sílabas de um verso. Para medi-las, devemos juntar as palavras em número prefixado de pés. Chama-se uma sílaba métrica de pé.
INFORMAÇÕES BÁSICAS PARA UMA ELABORAÇÃO DO CORDEL
Com uma folha de papel ofício, faz-se o folheto dobrando-a em quatro partes.
Na capa, recomenda-se xilogravura, desenho com grafite ou caneta esferográfica de tinta preta ou mesmo carvão vegetal fino. A gravura deve representar o conteúdo do folheto. Na próxima folha, inicia-se o poema, a partir do título. Pode enumerar as páginas. No final do poema, anota-se o local e a data com o nome do autor abaixo. No anverso da última folha, faz-se uma pequena biografia.
MATERIAL PARA PRODUÇÃO DE UM CORDEL
Tesoura, régua, folhas de papel ofício, lápis grafite, caneta preta, grampeador e o uso da imaginação.
BOA SORTE!

Brincando de produzir cordel

Num momento como este
Tudo pode acontecer
Juntando vários alunos
Pra uma boa leitura obter
Consegue-se um resultado
Que vai nos surpreender.

São meninos e meninas
Com vontade de brincar
Vê-se nos olhos deles
Que também querem estudar
É só se ter paciência
E nem tudo escutar.

O que também prevalece
No momento observado
É a curiosidade
Pelo bem apresentado
Fica fácil de entender
O texto que foi formado.

Formaram diversos textos
Exporam seus pensamentos
Mostrando que suas histórias
Com cada ensinamento
Formavam um belo registro
Valorizando o momento.

Eu fiquei muito feliz
Com o resultado obtido
Aquilo que almejei
Do projeto foi mantido
A Deus quero agradecer
O sucesso obtido.
Muito obrigada a todos que participaram do Projeto Oficina de Cordel nas Escolas.
Nelcimá Morais / 2009.