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terça-feira, 4 de maio de 2010

As marcas do machismo

Eu vou falar de uma coisa
Que é de todos conhecida
É da herança machista
Que por muitos é mantida
Deixa marcas abundantes
Até se formar feridas.

O machismo é uma doença
Há um bom tempo registrada
Que desaguou nesse mundo
Desde época passada
Prejudicando a todos
Devia ser ultrapassada.

O machismo está no sangue
E veio pra prejudicar
O homem e sua mulher
Jamais iam precisar
Desse tal comportamento
Que só nos faz humilhar.

Derruba uma relação
Conjugal estruturada
Porque vai sempre batendo
Como grande martelada
A mulher por sua vez
É a mais prejudicada.

Amar um homem machista
É viver no amargamento
O homem quer ser seu dono
Não respeita sentimento
Da mulher que do seu lado
Vive em constrangimento.

Não há amor que resista
Ao maldito machismo
O homem não dá o braço
A torcer pelo orgulhismo
Sua esposa que é sua posse
Vai viver no saudosismo.

Ela é sempre dependente
Das idéias do marido
Guarda o seu sentimento
Que jamais é proferido
Vai viver como robô
Com seu homem preferido.

Não tem direito a defesas
Tem sempre que concordar
Por mai amor que exista
O homem não quer aceitar
Que ela exponha seu saber
Pra ele não se humilhar.

No machista não se vê
Uma boa compreensão
Uma conversa agradável
Firmada na união
Do casal que sempre tenta
Uma boa relação.

Não quero dizer que o homem
Nunca queira amar não
Mas seu amor se transforma
Numa grande obsessão
Isso é base do machismo
Pra dizer que é machão.

O ser humano, meu povo
É livre para pensar
Não precisa ser carrasco
Pra uma mulher conquistar
Pondere o seu pensamento
Pra um grande amor conquistar.

Eu não sou uma feminista
Porque assim estou falando
Isso é tudo resultado
Do que eu vou observando
Vejo todos os dias
Famílias se desgastando.

Nelcimá Morais
J. Pessoa- PB. 05/10.

MÃE



( Eu, minha mãe e minha filha)

É um ser sublime
Mulher em forma de flor
Sua bondade é tanta
Que até esconde sua dor
Exprime as suas maravilhas
Jorrando faíscas de amor.

Mãe que também é ternura
Mãe que também é emoção
Mãe que contenta seu filho
Com sua suave expressão
De um amor que nunca encerra
Dentro do seu coração.

Seja jovem ou idosa
Seja pobre, tem amor.
Seja rica ou sem estudo
Prá nós é sempre uma flor.
Está sempre com seu filho
Seja na alegria ou na dor.

Para todas as mamães
Eu quero aqui dedicar
Todo carinho do mundo
Pra esta rainha do lar
E pedir ao Pai Eterno
Para sempre lhe abençoar.

Feliz dia das mães!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma visita à capital do Brasil






Foi um orgulho pra nós
Ir na nossa capital
Desde que nos casamos
Este era nosso ideal
Viva o Oscar projetista
Com seus traços sem igual.

É sensação agradável
Nessa cidade ficar
Apesar da corrupção
Que tende a desgastar
Uma imagem que é tão bela
Difícil de acreditar!

quarta-feira, 24 de março de 2010

A poesia popular e a Demanda do Santo Graal

A Demanda do Santo Graal, possivelmente, uma das mais famosas e populares das novelas de cavalaria, originárias da Inglaterra e da França, é, provavelmente, um manuscrito do século XII. Chrétien de Troyes, que fazia sucesso na corte francesa, escreveu cinco romances sobre os personagens da Távola Redonda e o seu último trabalho teria sido: O Conto do Graal. O autor morreu antes de concluí-lo. Robert de Boron, no final do século XII, desenvolveu o tema Cálice Sagrado, a partir do romance inacabado de Chrétien, ligando-o à tradição arturiana. Uma lenda que, inicialmente foi glosada em versos e pertencia às canções de gesta francesas - poemas medievais cantados em linguagem popular – narrava os feitos heróicos dos reis e de seus cavaleiros e apresentava Percival como cavaleiro que "daria fim à Demanda do Graal".

Essas canções, de caráter noticioso, narravam de perto o acontecido, tendo como predominante o cavaleiro medieval que está diretamente incluído no combate em defesa da Europa Ocidental, sempre instigando a fé cristã e obtendo a aprovação da população em favor do movimento. Por volta de 1220, na França, o tema é colocado em novela e essa lenda, que antes era pagã situa-se como cristianizada; e é transformada em novela de cavalaria, mística e simbólica. Os cavaleiros passavam por situações perigosíssimas para defender o bem e o mal. Percival, anteriormente o escolhido, é substituído pelo cavaleiro Galaaz na busca pelo Santo Graal, transformando alguns símbolos, dentre eles: o Vaso e a Espada, em objetos de valor místico. Em estudos anteriores, verificamos que inúmeras traduções foram feitas para outras línguas, além do latim, francês e inglês, e cada país europeu somou suas próprias lendas às aventuras do Rei Artur e seus cavaleiros.

O tema, estudado, é bastante utilizado nos escritos da literatura e cobiçado entre os críticos literários. Por ser bastante complexo, deixa asas para uma vasta interpretação. Beliza (2001:145) encontra na Demanda do Santo Graal brechas para enfocar a presença feminina no universo cavaleiresco, quando observa que “a mulher representa a passagem para a atividade do cavaleiro como herói combatente e, assim, introduzi-lo a uma das mais relevantes ordens da sociedade medieval: a ordem do terceiro estado”. Ela ainda faz o seguinte comentário: A demanda é a busca da experiência humana com o Feminino enquanto vaso procriador da vida. Buscá-lo, demandá-lo é procurar a nutrição: “abastecer tôdalas mesas [ com o ] manjar “Característica do estágio matricial, o Grande Feminino, representado pelas oposições da vida e da morte, de Eva e da Virgem Maria [...]


Aos olhos de Zilma, escritora paraibana, poetisa e cordelista, a Demanda do Santo Graal é um texto, exclusivamente, de cunho religioso, onde a autora enfatiza com grande exaltação o herói Galaaz na busca pelo Cálice Sagrado – o cálice que Jesus usava na santa ceia.

Não tinha ouro nem prata
O penhor da Caridade
O Cálice da Aliança
Relíquia da Cristandade!
A taça que guarda o sangue
Que salvou a humanidade.


Os cavaleiros, na sua maioria, eram homens voltados para a comunhão, onde apenas um deles, Galaaz, obteve a sua realização. Jovem reconhecido como o "puro dos puros", o próprio Messias, simboliza um novo Cristo, atingindo o fim almejado depois de inúmeras aventuras – algumas relatadas no desfecho do cordel de Zilma Ferreira Pinto - que põem à prova todas as suas virtudes.

Tinha o porte de um Apolo
O rosto de um querubim
A força dos santos mártires
E a proteção de Merlim
Galaaz é o seu nome
E o Santo Graal o seu fim.

( Texto apresentado por mim no 1º Seminário Estadual de Estudos Medievais na UFPB)

Um cordel feminino em Santa Luzia

Em pesquisa realizada na cidade de Santa Luzia do Sabugi-PB, em 2007, deparei-me com um cordel da autoria de Judith Jovithe das Neves, natural daquela cidade, que morreu na década de quarenta e deixou um cordel intitulado “A Morte da Inditosa Maria barbaramente assassinada por Lino Goiaba”, poema composto de 85 estrofes de sextilhas com redondilha maior. Este considerado um importante registro, narração de um acontecimento trágico, onde a autora usa a criatividade de um bom repórter jornalístico, sem deixar a cadência da poesia popular, utilizando na sua forma de escrita o popular e o erudito. Segundo a família da poetisa e a irmã da jovem assassinada, da qual trata o poema, a senhora Luzia Araújo dos Santos, que entrevistei no dia 21 de junho de 2008, na cidade de Santa Luzia, o poema foi escrito mais ou menos em 1937, ano em que ocorreu o crime e que a autora estaria na época com uns quinze anos. Seria Judith Jovithe das Neves a primeira cordelista? Vejamos as 1ª e 2ª estrofes do poema acima citado, composto de 85 estrofes de sextilhas que se encontra no Museu Cultural de Santa Luzia:



Leitor ouvi fervoroso
Esta minha narração
Quero contar uma história
Que faz cortar coração
De um crime que um bandido
Fez bem aqui no sertão.


Foi no Riacho da Serra
Este quadro doloroso
Nunca aqui aconteceu
Um crime tão horroroso
Parece que este homem era
Um bárbaro vil criminoso.


Foram raras as mulheres que enfrentaram preconceitos e discriminações e, em forma de gotículas, se aventuraram num mundo exclusivamente masculino e apresentaram a grandiosidade de seus versos desafiando os acordes da realidade. Muitas mantinham ou ainda mantêm os seus louros em manuscrito. Também existem aquelas poetisas que se especializam em fazer versos para serem transformados em grandes hinos políticos: aqui representadas por Rumana de Santa Luzia-PB , que é bastante convidada para compor músicas, utilizando o cordel em benefício dos políticos, não só de sua cidade como também do vale do Sabugi. Também a sua irmã Clarice, que com mais de setenta anos ainda guarda na memória versos que foram utilizados para discursos, feitos pela autora, que segundo seus conterrâneos nunca foi reconhecida como poeta popular, apenas beneficiou os políticos daquela região, seus improvisos impressionam quem a escuta. Francisquinha Medeiros, outra sertaneja, seus cadernos são recheados de poemas que narram a vida de seus familiares; faz questão de registrar a história de cada propriedade pertencente a cada membro de sua família.

















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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Esta, sim, é um mulherão!

Peço aqui a sua atenção
Para o que vou escrever
Prestar a minha homenagem
E com orgulho dizer
Tem força extraordinária
É batalhador esse ser.

Trabalha de todo jeito
Nada faz se envergonhar
O que importa pra ela
É o seu pão arranjar
Não tem homem neste mundo
Pra com ela comparar.

Quando falo da mulher
Também não posso esquecer
Tem aquelas impulsivas
Que gente, eu vou lhe dizer
Até mancham o nosso nome
Mas isso vamos esquecer.

Quero pensar na mulher
E de sua força falar
Sua grandeza começa
Por Jesus Cristo gerar
Se o homem pensasse assim
Iria nos valorizar.

Destrincho em cada estrofe
De cada uma um poder
Primeiro o de ser mãe
Que nos faz engrandecer
É uma missão tão forte
Só quem é mãe vai saber.

Temos mulher operária
Também mulher enfermeira
Tem mulher comerciante
E também a lavadeira
Temos as advogadas
E juízas de primeira.

Mostro agora a professora
Que seu filho vai educar
Suportando cada uma
Você precisa escutar
Mas às vezes com paciência
Faz esse jovem estudar.

Aliás, a paciência
É da mulher uma virtude
Vive em qualquer ambiente
Mostra a sua magnitude
Muitas vezes por alguém
Acaba a sua juventude.

Tem mulher policial
Chegando a ser delegada
Não tem medo do bandido
E assim bem arrumada
Trabalha no meio dos homens
Sempre bem observada.

Para ser independente
A mulher quer trabalhar
Trabalha fora de casa
Pra o seu dinheiro ganhar
Mas também se preparando
Pro seu trabalho dobrar.

Varre casa, faz comida
Muita roupa pra lavar
Engoma e passa pano
Pra sua casa cheirar
Cuida do marido e filho
E ainda quer trabalhar.

Muito homem não entende
Na mulher esse querer
Ficar só em casa sufoca
Podia o povo entender
Que a mulher também precisa
Com outras pessoas conviver.

Fazer novas amizades
Para muito refrescar
E quando chegar em casa
As tarefas agüentar
Ficar bem pro seu marido
E ter o que conversar.

Esta, sim, merecedora
Do tal termo "mulherão"
Sua bravura é digna
Florido é o seu coração
Nele tem cheias e secas
Os recheios da emoção.

Nelcimá Morais
28/02/10

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um pedido de perdão à Mãe Natureza

Meu Deus tem piedade
Dos povos desta nação
Agora é tanta tragédia
Com tão grande inundação
As pessoas em desespero
Nos deixando em comoção.

Sabemos que é nossa culpa
O que está acontecendo
Pode ser fatalidade
Mas o que está parecendo
É que é grande o descaso
Do homem que aqui tá vivendo.

Essas chuvas vem caindo
Derrubando sem piedade
Tudo que foi construido,
Pelo homem , com crueldade,
Desabrigando famílias
Com muita agressividade.

Isso tudo acontece
Por uma constante agressão
Do homem pro ecossistema
Que devia ter noção
Do mal que está fazendo
Por causa da ambição.

É um grande desrespeito
O que faz a humanidade
O nosso planeta tem vida
E quer uma possibilidade
De ser sempre a nossa casa
Mas só acha dificuldade.

A nossa Mãe Natureza
Não tem como respirar
Nós a estamos sufocando
Vós podeis observar
Queimadas, lixo, egoísmo
Vão o nosso planeta matar.

O consumismo também
Vem muito favorecer
A gente sempre quer mais
E assim sem perceber
Vamos matando a Terra
Sem condição pra viver.

Perdoa-nos, ó Pai querido,
Por tamanha inundação!
Ajuda ao ser humano
A ter melhor coração
Sabemos que já é tarde
Mas está em vossas mãos.
Nelcimá Morais
Em 02/02/10