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sábado, 24 de janeiro de 2009

Oficina de cordel nas escolas


As oficinas de cordel do meu projeto serão ministradas a partir de fevereiro. Vejam o cartaz acima.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

XILOGRAVURA

xilo de Inajara Morais, capa do cordel O Tormento de Mirinha com as botijas, de minha autoria.

(...)
Muito cansada da lida
De trabalhar no festão
Essa moça adormecia
Quando lhe veio uma visão
A sua língua engrossou
E Mirinha acreditou
Que aquilo era assombração.

Depois de muita peleja
Como uma luz avistava
Uma moça, que de branco,
Na frente dela ficava
Chegou a ver mais uma luz
Riscando pra ela uma cruz
Dava a botija e piscava.

Aquela alma que vira
Pedia que fosse ajudada
Trocava a sua salvação
Pela botija doada
Só dependia de Mirinha
Que tremia feito varinha
Chorava desconsolada.

Essa alma aperreada
Falava: Não tenho paz!
No lugar que ela vivia
Pra Deus era incapaz
De alcançar a vitória
Que pra se entrar na glória
Depende do que aqui faz.


Mirinha pulou da rede
Ainda muito assustada
Dizendo pra sua irmã
Que estava amedrontada
_Chame aqui o meu cunhado,
Não quero papo furado,
Vou botar o pé na estrada.
(...)

XILOGRAVURA é uma técnica de gravar imagens em madeira enquanto matriz, para fins de reprodução dessa imagem sobre papel, tecido ou outro suporte adequado. Os estudiosos atribuem a origem da xilogravura aos chineses, por volta do séc. VI da nossa era cristã, porém, em épocas simultâneas, já era conhecida dos egípcios, indianos e persas, que a utilizavam para a estampagem em tecidos. Mais tarde, foi utilizada como carimbo sobre folhas de papel para a impressão de orações budistas na China e no Japão No Ocidente a xilogravura se afirma durante a Idade Média, mas foi a partir do séc. XVIII que duas inovações revolucionaram essa forma de expressão:
a) a chegada à Europa das gravuras japonesas a cores, que tiveram grande influência sobre as artes do séc. XIX;
b) a técnica da gravura de topo, criada por Thomas Bewick
Com a expansão do papel pela Europa, a xilogravura começa a aparecer com maior frequência no Ocidente no final da Idade Média, ao ser empregada em cartas de baralho e imagens sacras. No séc. XV,pranchas de madeira eram gravadas com texto e imagens para a impressão de livros que, até então, eram escritos e ilustrados à mão. Com os tipos móveis de Gutemberg, as xilogravuras passaram a ser utilizadas somente para as ilustrações. A xilogravura popular é uma premanência do traço medieval da cultura
portuguesa transplantada par o Brasil e que se desenvolveu na Literatura de Cordel. No quase todos os xilogravadores populares brasileiros, principalmente no Nordeste, provêm do Cordel. Há no Brasil. em nossos dias, um grande interesse pelas obras dos nossos xilógrafos populares. Também no Estados Unidos da América, na Europa e no Oriente. Hoje a xilogravura campeia o mundo inteiro, sendo apreciada e adquirida por um público de muito bom gosto e de nível de cultura elevado.
(A bibliografia utilizada aqui, segundo o poeta Nelson, consta numa apostila de Marcelo Soares).



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cordel e Xilogravura

Exposição no São João de Santa Luzia-Pb





Os artistas de J. Pessoa fizeram um lindo trabalho que encantou a muita gente. Algumas xilos foram contempladas para uma exposição na via pública da cidade. Esta xilo é de Inajara Morais, dentre muitas que embelezaram a capital.


Exposição dos meus cordéis com xilogravuras de Inajara Morais, no São João de Santa Luzia- 2008.
Quase todos os cordéis de minha autoria estão agora com capas em xilogravura, onde tenho o prazer de apresentar a minha irmã como a feitora destas xilos.

Entrevista aos pesquisadores da UFPB em outubro de 2008. Este cordel apresentado é um dos que eu fiz com temas infantis.













segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O NATAL DE NELI




Estou editando este cordel com um pouco de atraso, mas é importante registrá-lo aqui.

O Natal de Neli

Amigo, caro amiguinho
Uma história eu vou contar
O natal de uma menina
Que pra vocês vou mostrar
Era uma criança humilde
Mas deu muito o que falar.

De família muito pobre
Uma boa infância viveu
Valorizando os momentos
Felizes que Deus lhe deu
No tempo da inocência
Com sua família cresceu.

Entre painho e mainha
Assim a menina os chamava
Foi uma vida difícil
Mas essa menina não olhava
Só percebia a bondade
Naqueles que a rodeava.

No tempo da sua infância
Televisão não existia
Computador muito menos
Mas sabe o que acontecia?
Brincava com a natureza
Com coisas que ela fazia.

Brincadeira desse tempo
Todo mundo ia querer
Melhor que o vídeo game
Que faz criança esquecer
Do ar e da liberdade
Que lá fora pode ter.

Esse lá fora que falo
Não é meio da rua não
Pode ser o seu quintal
Ou brincar com seu irmão
Tirar os olhos da tela
Pra ver o nosso mundão.

Observar nosso céu
O fruto que Deus nos dá
Também pode com as estrelas
Junto aos amigos contar
Contar bastante estrelinha
E brincar até cansar.

De barra-bandeira e boi passa
De roda, anel e melancia
De se esconder, minha gente
Assim a menina vivia
Mas do Papai Noel eu lhe digo
Crer nele não impedia.

Continuando a história
Uma coisa eu vou contar
O nome dessa menina
Que agora eu vou lhe dar
É um nome que eu dei
Neli nós vamos chamar.

Ela teve nove irmãos
E com todos conviveu
O seu pai era pedreiro
E a mãe que Deus lhe deu
Amiguinhos, vou dizer:
Eu sei que ela sofreu.

Todo ano no Natal
A criançada esperava
Um presente do papai
Papai Noel aguardava
Ele só trazia bombons
E ali perto deixava.

Só podiam ser bombons
Os presentes que trazia
Papai Noel era pobre
Mas muita questão fazia
Agradar a todos nove
Isso ele sempre queria.

Na casa da tal Neli
Cama não se encontrava
Só do painho e mainha
Era que ali se achava
Dormiam todos de rede
Mas nunca se reclamava.

Neli contava aos amigos
As coisas que acontecia
Quando chegava o Natal
O que a criança queria?
Esperar papai Noel
Mas mesmo assim adormecia.

Papai Noel de mansinho
Com o seu presente chegava
E embaixo de cada rede
O presentinho deixava
Aquele, o mais sabido
Seu presentinho roubava.

Papai Noel não é tolo
E logo a história mudou
Deixar presente embaixo
Da rede não mais deixou
Colocar dentro da rede
A inteligência ele usou.

Mas o melhor da história
Agora já vai saber
Sabem o que acontecia?
Grande salada ia ter
Mijo e bombons com força
No outro dia ia se ver.

Não estranhe amiguinhos
Esta história de Neli
Por que qual foi a criança
Que não tenha feito xixi?
Se isso não acontecia
Venha me dizer aqui.

Amigo, caro amiguinho
Um recado eu vou deixar
Seja rico, ou seja pobre,
Faça o seu natal chegar
Não importa o seu presente
O que você vai ganhar.

Seja beijo, ou seja abraço,
O importante é guardar
Guarde bem no coração
E saiba aproveitar
Porque o maior presente
Mais tarde Deus vai lhe dar.

Neli a dona da história
Muitos presentes ganhou
Com a força de vontade
Por muito tempo estudou
Juntou trabalho e estudo
Até que um dia se formou.

Digo o grande presente
É encontrar felicidade
Na pobreza ou na riqueza
Com o coração sem maldade
Seja sempre amiguinho
Mande embora a falsidade.

Nelcimá
27/12/2008

A todos que visitaram este blog eu desejo um Ano Novo repleto de realizações bem sucedidas e que o Bom Deus encha de graças os nossos corações. Obrigada pelos comentários e um grande abraço!

sábado, 8 de novembro de 2008

Trabalhos a serem publicados
EXPRESSÕES DO CORDEL PARAIBANO: vozes femininas
(trecho) Recentemente, vem se destacando neste mundo da poesia popular a presença cada vez mais forte de autorias femininas fazendo e publicando suas obras. Muitas escritoras, no estado da Paraíba, têm um grande vínculo com a Literatura de Cordel, embora poucas tenham se tornado conhecidas como cordelistas. Enfatizando o nome de algumas já citadas anteriormente, faço restritamente uma representação, dentre dezenas que serão apresentadas em outro momento. O que nos resta é pesquisar e trazer para o seio da literatura de cordel o nome dessas autoras que merecem destaque, como narradoras de uma grande diversidade de temas: sejam jornalísticos, religiosos, políticos, sociais ou até mesmo familiares.

A DEMANDA DO SANTO GRAAL:uma prosa medieval na Literatura de Cordel
(trecho) A Demanda do Santo Graal,da autora Zilma Ferreira Pinto e publicado em 1978, é um poema composto em sextilhas com versos tradicionais, rimados e metrificados cuidadosamente nas 79 estrofes distribuídas por 27 páginas. A capa em xilogravura, confeccionada por Pádua Belmont, artista plástico, compositor e cantor da música popular, já expressa um teor medieval, onde se configura um cavaleiro e o “Cálice Sagrado”. Esta reflete uma síntese do conteúdo e sugere um acontecimento medieval, aonde vai abrindo um leque para nossa imaginação.





Eventos
I seminário de Estudos Medievais da Paraíba: memória, gênero e resistência
(homenagem ao medievalista Maurice Van Woensel)
10 a 14 de novembro de 2008 - UFPB
ver: estudos medievais.blogspot.com

terça-feira, 23 de setembro de 2008

mulheres cordelistas

Muitas mulheres, no estado da Paraíba, têm um grande vínculo com a Literatura de Cordel, embora poucas tenham se tornado conhecidas como cordelistas. Na minha pesquisa, o objetivo é ampliar uma pesquisa já feita, cujo tema “As cordelistas paraibanas”, também apresentada por mim em seminário na disciplina: Vozes Femininas na Era Medieval, ministrada pela profª.drª. Luciana Eleonora de F. Calado Deplagne. Nessa busca, fomos surpreendidos com a quantidade e a qualidade de poesias populares encontradas no meio feminino. Judith Jovithe das Neves, natural de Santa Luzia – PB morreu na década de quarenta e já deixou um cordel intitulado “A Morte da Inditosa Maria barbaramente assassinada por Lino Goiaba”, que é uma narrativa jornalística, poema composto de 85 estrofes de sextilhas com redondilha maior. Este, considerado um importante registro que, embora fale de crime, não deixou de ser admirado pela beleza de sua estrutura poética, atingindo profundamente o sentimento popular. Citando alguns nomes dessas mulheres, tais como: Maria Diva, Maria Godelivie, Maria De Fátima Coutinho, Clotilde Tavares, Zilma Ferreira Pinto, Mª Julita Nunes, Francisquinha Medeiros, Maria De Lourdes Nunes Ramalho, Maria Das Graças Cavalcante Freitas, Maria Das Neves Batista Pimentel, Maria Do Socorro Cavalcante Soares, Judith Jovithe Das Neves, Rumana e sua irmã Clarice, Narli Dias de Oliveira e Mª Nelcimá de Morais Santos, conclui-se que temos um vasto campo de estudo nessa área.
Estando suprimida ou esquecida durante séculos, a Literatura de cordel passa por uma reviravolta, a partir da década de 70. Nesse período, o crescimento da indústria da comunicação, para se valer desse tipo de manifestação literária e grupos artísticos tentam recriá-la; fazem-se inclusive filmes, novelas, explorando a temática e linguagem. Desse modo, a publicação de cordéis aumenta gradativamente.
As cordelistas paraibanas Clotilde Tavares e Zilma Ferreira Pinto têm desenvolvido trabalhos considerados de alto nível chegando a receber prêmios pela sua criatividade quando, de seus cordéis, fizeram adaptações para o teatro, entre outros. Também existem aquelas poetisas que se especializam em fazer versos para serem transformados em grandes hinos políticos. Enfatizo, aqui, uma poetisa popular de Santa Luzia-PB, a senhora Rumana, que é bastante convidada para compor músicas, utilizando o cordel em benefício dos políticos, não só de sua cidade como também do vale do Sabugi. Também a sua irmã Clarice, que com mais de setenta anos ainda guarda na memória versos que foram utilizados para discursos, feitos pela autora, que segundo seus conterrâneos nunca foi reconhecida como poeta popular, apenas beneficiou os políticos daquela região.