Exposição no São João de Santa Luzia-Pb
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Cordel e Xilogravura
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O NATAL DE NELI
Estou editando este cordel com um pouco de atraso, mas é importante registrá-lo aqui.
O Natal de Neli
Amigo, caro amiguinho
Uma história eu vou contar
O natal de uma menina
Que pra vocês vou mostrar
Era uma criança humilde
Mas deu muito o que falar.
De família muito pobre
Uma boa infância viveu
Valorizando os momentos
Felizes que Deus lhe deu
No tempo da inocência
Com sua família cresceu.
Entre painho e mainha
Assim a menina os chamava
Foi uma vida difícil
Mas essa menina não olhava
Só percebia a bondade
Naqueles que a rodeava.
No tempo da sua infância
Televisão não existia
Computador muito menos
Mas sabe o que acontecia?
Brincava com a natureza
Com coisas que ela fazia.
Brincadeira desse tempo
Todo mundo ia querer
Melhor que o vídeo game
Que faz criança esquecer
Do ar e da liberdade
Que lá fora pode ter.
Esse lá fora que falo
Não é meio da rua não
Pode ser o seu quintal
Ou brincar com seu irmão
Tirar os olhos da tela
Pra ver o nosso mundão.
Observar nosso céu
O fruto que Deus nos dá
Também pode com as estrelas
Junto aos amigos contar
Contar bastante estrelinha
E brincar até cansar.
De barra-bandeira e boi passa
De roda, anel e melancia
De se esconder, minha gente
Assim a menina vivia
Mas do Papai Noel eu lhe digo
Crer nele não impedia.
Continuando a história
Uma coisa eu vou contar
O nome dessa menina
Que agora eu vou lhe dar
É um nome que eu dei
Neli nós vamos chamar.
Ela teve nove irmãos
E com todos conviveu
O seu pai era pedreiro
E a mãe que Deus lhe deu
Amiguinhos, vou dizer:
Eu sei que ela sofreu.
Todo ano no Natal
A criançada esperava
Um presente do papai
Papai Noel aguardava
Ele só trazia bombons
E ali perto deixava.
Só podiam ser bombons
Os presentes que trazia
Papai Noel era pobre
Mas muita questão fazia
Agradar a todos nove
Isso ele sempre queria.
Na casa da tal Neli
Cama não se encontrava
Só do painho e mainha
Era que ali se achava
Dormiam todos de rede
Mas nunca se reclamava.
Neli contava aos amigos
As coisas que acontecia
Quando chegava o Natal
O que a criança queria?
Esperar papai Noel
Mas mesmo assim adormecia.
Papai Noel de mansinho
Com o seu presente chegava
E embaixo de cada rede
O presentinho deixava
Aquele, o mais sabido
Seu presentinho roubava.
Papai Noel não é tolo
E logo a história mudou
Deixar presente embaixo
Da rede não mais deixou
Colocar dentro da rede
A inteligência ele usou.
Mas o melhor da história
Agora já vai saber
Sabem o que acontecia?
Grande salada ia ter
Mijo e bombons com força
No outro dia ia se ver.
Não estranhe amiguinhos
Esta história de Neli
Por que qual foi a criança
Que não tenha feito xixi?
Se isso não acontecia
Venha me dizer aqui.
Amigo, caro amiguinho
Um recado eu vou deixar
Seja rico, ou seja pobre,
Faça o seu natal chegar
Não importa o seu presente
O que você vai ganhar.
Seja beijo, ou seja abraço,
O importante é guardar
Guarde bem no coração
E saiba aproveitar
Porque o maior presente
Mais tarde Deus vai lhe dar.
Neli a dona da história
Muitos presentes ganhou
Com a força de vontade
Por muito tempo estudou
Juntou trabalho e estudo
Até que um dia se formou.
Digo o grande presente
É encontrar felicidade
Na pobreza ou na riqueza
Com o coração sem maldade
Seja sempre amiguinho
Mande embora a falsidade.
Nelcimá
27/12/2008
A todos que visitaram este blog eu desejo um Ano Novo repleto de realizações bem sucedidas e que o Bom Deus encha de graças os nossos corações. Obrigada pelos comentários e um grande abraço!
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sábado, 8 de novembro de 2008
Trabalhos a serem publicados
EXPRESSÕES DO CORDEL PARAIBANO: vozes femininas
(trecho) Recentemente, vem se destacando neste mundo da poesia popular a presença cada vez mais forte de autorias femininas fazendo e publicando suas obras. Muitas escritoras, no estado da Paraíba, têm um grande vínculo com a Literatura de Cordel, embora poucas tenham se tornado conhecidas como cordelistas. Enfatizando o nome de algumas já citadas anteriormente, faço restritamente uma representação, dentre dezenas que serão apresentadas em outro momento. O que nos resta é pesquisar e trazer para o seio da literatura de cordel o nome dessas autoras que merecem destaque, como narradoras de uma grande diversidade de temas: sejam jornalísticos, religiosos, políticos, sociais ou até mesmo familiares.
A DEMANDA DO SANTO GRAAL:uma prosa medieval na Literatura de Cordel
(trecho) A Demanda do Santo Graal,da autora Zilma Ferreira Pinto e publicado em 1978, é um poema composto em sextilhas com versos tradicionais, rimados e metrificados cuidadosamente nas 79 estrofes distribuídas por 27 páginas. A capa em xilogravura, confeccionada por Pádua Belmont, artista plástico, compositor e cantor da música popular, já expressa um teor medieval, onde se configura um cavaleiro e o “Cálice Sagrado”. Esta reflete uma síntese do conteúdo e sugere um acontecimento medieval, aonde vai abrindo um leque para nossa imaginação.
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Eventos
I seminário de Estudos Medievais da Paraíba: memória, gênero e resistência
(homenagem ao medievalista Maurice Van Woensel)
10 a 14 de novembro de 2008 - UFPB
ver: estudos medievais.blogspot.com
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terça-feira, 23 de setembro de 2008
mulheres cordelistas
Muitas mulheres, no estado da Paraíba, têm um grande vínculo com a Literatura de Cordel, embora poucas tenham se tornado conhecidas como cordelistas. Na minha pesquisa, o objetivo é ampliar uma pesquisa já feita, cujo tema “As cordelistas paraibanas”, também apresentada por mim em seminário na disciplina: Vozes Femininas na Era Medieval, ministrada pela profª.drª. Luciana Eleonora de F. Calado Deplagne. Nessa busca, fomos surpreendidos com a quantidade e a qualidade de poesias populares encontradas no meio feminino. Judith Jovithe das Neves, natural de Santa Luzia – PB morreu na década de quarenta e já deixou um cordel intitulado “A Morte da Inditosa Maria barbaramente assassinada por Lino Goiaba”, que é uma narrativa jornalística, poema composto de 85 estrofes de sextilhas com redondilha maior. Este, considerado um importante registro que, embora fale de crime, não deixou de ser admirado pela beleza de sua estrutura poética, atingindo profundamente o sentimento popular. Citando alguns nomes dessas mulheres, tais como: Maria Diva, Maria Godelivie, Maria De Fátima Coutinho, Clotilde Tavares, Zilma Ferreira Pinto, Mª Julita Nunes, Francisquinha Medeiros, Maria De Lourdes Nunes Ramalho, Maria Das Graças Cavalcante Freitas, Maria Das Neves Batista Pimentel, Maria Do Socorro Cavalcante Soares, Judith Jovithe Das Neves, Rumana e sua irmã Clarice, Narli Dias de Oliveira e Mª Nelcimá de Morais Santos, conclui-se que temos um vasto campo de estudo nessa área.
Estando suprimida ou esquecida durante séculos, a Literatura de cordel passa por uma reviravolta, a partir da década de 70. Nesse período, o crescimento da indústria da comunicação, para se valer desse tipo de manifestação literária e grupos artísticos tentam recriá-la; fazem-se inclusive filmes, novelas, explorando a temática e linguagem. Desse modo, a publicação de cordéis aumenta gradativamente.
As cordelistas paraibanas Clotilde Tavares e Zilma Ferreira Pinto têm desenvolvido trabalhos considerados de alto nível chegando a receber prêmios pela sua criatividade quando, de seus cordéis, fizeram adaptações para o teatro, entre outros. Também existem aquelas poetisas que se especializam em fazer versos para serem transformados em grandes hinos políticos. Enfatizo, aqui, uma poetisa popular de Santa Luzia-PB, a senhora Rumana, que é bastante convidada para compor músicas, utilizando o cordel em benefício dos políticos, não só de sua cidade como também do vale do Sabugi. Também a sua irmã Clarice, que com mais de setenta anos ainda guarda na memória versos que foram utilizados para discursos, feitos pela autora, que segundo seus conterrâneos nunca foi reconhecida como poeta popular, apenas beneficiou os políticos daquela região.
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008
projeto de oficina de cordel
Eu, professora e cordelista com projeto de oficina de cordel nas escolas aprovado pelo FIC (Projeto de Incentivo à Cultura) publicado em 15 de agosto de 2008, vou ministrar as oficinas em 06 escolas públicas estaduais. Com cordéis de temas infantis: O feijãozinho teimoso, As travessuras do saci-pererê, A trajetória de um leãozinho, O menino do engenho ( José Lins do Rego) e E assim Deus fez o mundo, (todos ilustrados e poemas de minha autoria), pretendo explorar a literatura de cordel com alunos do ensino fundamental. De forma lúdica e com entretenimento incentivarei à criança para o prazer da escrita e da leitura de cordéis, criando,assim , um recurso para a valorização da literatura popular.
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
Um cordel sobre leitura
UM CORDEL SOBRE LEITURA[César Obeid
Vou armar esse cordel
De um jeito diferente
Pois eu já falei de fábulas
Ou então do sertão quente
De livros eu falo agora
Monto rimas sem demora
Ofereço esse presente.
Livros em bibliotecas
De bairros ou escolares
Livros em casa de pobre
Ou de quem come manjares
O dinheiro não importa
Que agora eu abro a porta
Livros em todos lugares.
Quero livros na estante
Ou então na cabeceira
Quero livros na cozinha
Livro sério ou brincadeira
Livro caro ou barato
Na cidade ou no mato
Menos livro na fogueira.
Livro existe com leitura
Cada página, uma história
Livro existe se contado
Com ou sem dedicatória
Fino, grosso, grosso ou fino
Para adulto ou menino
Ler um livro é uma vitória.
Livro de intelectual
Às vezes comprado em sebo
Com as páginas amarelas
Cada fungo ali percebo
Quero essa informação
Dentro do meu coração
Tudo lendo eu recebo.
Quero mais que alfabeto
Mais do que abecedário
Quero ver cada leitor
Dizendo: - Eu já sou páreo
Pois eu tenho a leitura
Com toda desenvoltura
Dentro do meu calendário.
Livros de todos os gêneros
Pra leitura ter a chance
Só não vai ler quem não quer
Aprofunde o relance
Terror ou contos de fadas
Belas páginas ilustradas
Pros amantes tem romance.
Leitura, grande universo
Seja prosa ou poesia
Ao ganharmos um leitor
O mundo sente alegria
Leitura é arte pura
Pois um povo sem leitura
É como um cego sem guia.
Seja ela feita oral
Seja introspectiva
Cada cidadão que lê
Deixa sua vida viva
Vem pra si todo talento
Por nenhum conhecimento
Do mundo ele se priva.
Pois narrando essa leitura
Eu produzo o arranjo
Sinto toque de viola
Clarinete, flauta e banjo
Afinal, o saber tinge
Que a leitura atinge
A criança e o marmanjo.
Pois contamos para o mundo
O quanto a leitura é grande
Peço a cada leitor
Vire a página e ande
Não cometa ladainhas
Caminhe em novas linhas
Novo universo expande.
Leitura é primordial
É quebrar sempre o jejum
Um leitor sempre ativo
Não é cidadão comum
Até a doença cura
Pois um povo sem leitura
Não vai a canto nenhum.
Faço uma comparação
Nessa estrofe eu aprumo
Para o caminho dos livros
Indico o certo rumo
Livro é calado e garganta
Leitura é como a planta
Rego, planto e consumo.
Livros são meus companheiros
São as flores do jardim
São suspenses, dores, vidas
Calmas, risos, estopim
Esse poeta revela
Eu nunca vivo sem ela
Ela não vive sem mim.
A leitura inicia
Pelos olhos da razão
E trespassa calmamente
No campo da intuição
Se pelos olhos começa
Pelo ouvido processa
E chega ao coração.
Meus amigos, parto já
Findo essa poesia
Termino o meu cordel
Com amor e alegria
O poeta vai embora
Mas, volta em outra hora
Adeus, até outro dia.
(Divulgado por Sueli Bortolin – Enviado para Infohome em 10/07/2006)
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