Entrevista
(Dada ao aluno Renato Brito Dantas do 3°ano do Sesc Educação, no dia 14/05/08)
1-Onde a srª nasceu e foi criada?
Nasci em Santa Luzia
Lugar igual nunca vi
Nessa terra abençoada
Por 23 anos vivi
Relembrando a juventude
Muitas saudades senti.
2- Qual é hoje a sua idade?
Minha idade eu lhe conto
51 anos de vida
20 foram pra estudar
E 31 anos na lida
O que me deixa contente
É que me tornei querida.
3- Quanto tempo faz que escreve cordel?
Não faz muito tempo, não
Por acaso eu comecei
Foi na minha despedida
Quando um poema formei
Ia deixar a minha escola
Nesse dia me aposentei.
4- Qual o seu melhor cordel?
Pra mim o melhor cordel
Digo sem pestanejar
“A saga da professora
Professora Nelcimá”
Nele conto a minha história
Algo que faz me orgulhar.
5- Qual a inspiração para escrever cordel?
Eu vou falar a verdade
Pra você meu caro irmão
Quando eu vou fazer cordel
Nem sempre vem inspiração
Vou pesquisando uma coisa
Palavras não faltam, não.
6- Por que a Literatura de cordel?
No mundo de professora
Escolhido com paixão
Leitura pra trabalhar
Cordel não dispensei, não
Motivo, ô minha gente!
Amor e satisfação.
7- O que a srª mais gosta na Literatura de cordel?
A leitura do cordel
Faz todo mundo gostar
E dependendo do tema
Você vai se aprofundar
Por isso estão exigindo
Até no vestibular.
8- O que dá prazer em escrever cordel?
Transformar algo em cordel
Sempre vai me dar prazer
Por ser coisa popular
No preço você já vê
Só nos resta incentivar
Pra o mais importante: ler.
9- Quantos cordéis já escreveu?
Alguns eu já escrevi
14 eu vou lhe contar
Mas por causa dum projeto
Eu não posso apresentar
Estão numa seleção
E eu tenho que aguardar.
10- Por que começou a escrever cordel?
Agora eu digo a você
E peço pra me escutar
Essa idéia de escrever
Pra alguma coisa contar
Surgiu da necessidade
De minha memória apurar.
Obrigada, caro aluno
Por você me entrevistar
Espero com minha resposta
Grande lição deixar
Mostrando a grande beleza
Da Cultura Popular.
Com carinho, Nelcimá
sexta-feira, 27 de junho de 2008
entrevista
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grupo de pesquisa da UFPB, do qual faço parte.
Linha de pesquisa
Estudos interdisciplinares em Cultura Popular: do medieval ao contemporâneo
Nome do grupo: Grupo Interdisciplinar de Estudos Medievais
Palavras-chave: cultura popular; hibridismo; medievalismo;
Pesquisadores:
Luciana Eleonora de Freitas Calado Deplagne
Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque
Maria Nelcimá de Morais Santos
Mônica Leite da Nóbrega
Estudantes:
Árvore do conhecimento:
Lingüística, Letras e Artes; Letras; Literatura Popular;
Ciências Sociais Aplicadas; Comunicação; Folkcomunicação;
Ciências Sociais Aplicadas; Ciência da Informação; Biblioteconomia; Teoria da Classificação;
Setores de aplicação:
Educação superior
Objetivo: As pesquisas inseridas nesta linha de pesquisa buscam a reflexão da cultura popular em suas variadas ramificações, em especial as ressonâncias medievais na poesia popular brasileira
visite http://giem-estudosmedievais.blogspot.com
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Momentos literários
SENAC - TARDE LITERÁRIA - 30 de maio de 2008
Tarde literária é uma atividade cultural, realizada sempre na última sexta-feira de cada mês, na biblioteca do SENAC, cuja finalidade é divulgar os talentos literários de autores paraibanos. Foi uma grande honra, para mim, participar deste evento que tanto enobrece o artista. Tive o prazer de fazer o lançamento de 15 cordéis, cujo trabalho deixou-me bastante orgulhosa pela atenção daqueles que me assistiam. Agradeço a todos pela oportunidade.
Outras participações:
Palestra nas escolas de Santa Luzia: ESCOLA COELHO LISBOA
ESCOLA PEDRO ANÍSIO e na ESCOLA ARLINDO BENTO
Recital na praça AQUILES LEAL - Jaguaribe - Circuito Cultural das Praças - 11/07 J. Pessoa-PB
Oficina de cordel no SESC EDUCACÂO - 05/08 J. Pessoa-PB
Mostra cultural no SESC EDUCAÇÃO 05/08 J. Pessoa-PB
Palestra na ESCOLA ESTADUAL ESC. JOSÉ LINS DO RÊGO - 06/08 J.Pessoa-PB
Exposição de Literatura de Cordel e xilogravura no São João de Santa Luzia-Pb - 22 e 23/06/08
Participação no S. João de João Pessoa - Recital naTENDA DO CORDEL 2008 28/06/08
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sábado, 24 de maio de 2008
história do cordel feminino
Na história do cordel, a grafia da mulher praticamente não foi publicada, muitas mantêm seus cordéis em manuscrito. Talvez a única publicação que dê destaque a uma mulher cordelista seja a de Maristela Barbosa de Mendonça. O apagamento nesse contexto cultural impediu que muitas mulheres com vontade de cantar ou escrever, manifestassem seus talentos. O cuidado com a família, a valorização da piedade e o esquecimento do prazer, é nitidamente o que a civilização patriarcal incutiu nas mulheres, e nos homens, como sendo anseios naturais dos sujeitos femininos.
Postado por Nelcima De Morais às 18:07 1 comentários Links para esta postagem
pesquisa
Além de escrever cordel, também faço uma pesquisa sobre Cultura Popular e exclusivamente a autoria feminina de cordel, na Paraíba. Ainda tenho poucos nomes, mas espero continuar com esse trabalho e conseguir um bom resultado. Eis aqui alguns nomes: Maria Diva, Maria Godelivie, Maria de Fátima Coutinho, Clotilde Tavares, Zilma Ferreira Pinto, Mª Julita Nunes, Francisquinha Medeiros, Maria de Lourdes Nunes Ramalho, Maria das Graças Cavalcante Freitas, Maria das Neves Batista Pimentel, Maria do Socorro Cavalcante Soares, Judith Jovithe das Neves, Rumana e sua irmã Clarice, faço restritamente uma representação, dentre dezenas que serão apresentadas em outro momento.
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
DE PROFESSORA À CORDELISTA
DE PROFESSORA À CORDELISTA
Amigo, caro amigo
Contar pra você eu vou
Quase me aposentando
Foi aparecendo um pavor
Pavor de ser esquecida
E assim tudo começou.
Matutando o que fazer
Na Universidade cheguei
Como tava decidida
Fui lá, me matriculei
Vi Cultura Popular
Logo me identifiquei.
Agora eu digo a você
E peço pra me escutar
Essa idéia de escrever
Pra minha história contar
Surgiu da necessidade
Da minha memória apurar.
Preparei pra despedida
De professora uma poesia
Fechar com chave de ouro
Era tudo o que eu queria
Ia deixar a minha escola
E era assim que eu dizia:
“Aqui eu vou registrar
31 anos de história
Nas muitas salas de aula
Que para mim é uma glória
Vou contar tudo a vocês
Que eu fiz por merecer
E conto agora a vitória”
A vida da professora
Num cordel eu destrinchei
E com 25 estrofes
Minha trajetória contei
O que me deixou feliz
Foi que a muitos agradei.
Continuei escrevendo
Tudo eu queria registrar
O povo da minha casa
Passou a se incomodar
Mas eu não me intimidei
E comecei logo a pensar:
“Essa coisa de escrever
Pra muito veio me ajudar
Cada vez que me aperreiam
Mais versos eu vou criar
Para mostrar pro cordel
O quanto eu vou ser fiel
A esse dom que Deus me dá".
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LITERATURA DE CORDEL
A literatura de cordel, criação de poemas em versos publicados em folhetos, é um dos filões mais ricos da cultura popular. Com o seu estilo particular, o cordelista faz na sua composição poética uma mistura de fato e ficção. Relata os fatos com poder de criação e liberdade de expressão de cada poeta.
“Essa poesia caminha inexoravelmente para a absolescência. à medida que as tradições rurais vão sendo engolidas pelas novas modalidades da arte popular urbana trazidas pelos modernos meios de comunicação de massa – o rádio, a televisão, o cinema – não Snecessita de muletas, nem de caridade. Anda por seus próprios pés. Possui técnicas e excelências nada desprezíveis e por vezes surpreende o poeta cultivado não só pela diretidade de sua linguagem, como pela sutileza e achados imprevistos”.Campos. 1988, p. 257.
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